20/06/2015

Morte de Alexandre Ivo completa cinco anos impune enquanto outros crimes homofóbicos continuam no Brasil


Por Homorrealidade 

Se tivesse o direito de continuar, o jovem Alexandre Ivo completaria 20 anos de idade em 2015. Porém, no dia 21 de junho de 2010, cinco anos atrás, ele foi brutalmente assassinado na cidade do Rio de Janeiro. O principal motivo!? Homofobia. Infelizmente, a falta de uma lei que criminalize atos de ódio contra LGBTs, aliada à burocracia e desorganização da justiça brasileira, ainda não permitiram que o julgamento deste crime esteja concluído. 

De acordo com a mãe, a jornalista Angélica Ivo (foto acima), o estudante estava com colegas em um churrasco, assistindo a seleção brasileira durante a Copa do Mundo da África do Sul, e se envolveu em uma discussão para defender dois amigos gays. Depois que fizeram um boletim de ocorrência e a situação foi aparentemente apaziguada, Alexandre resolveu ir para casa sozinho, sendo visto pelos amigos em um ponto de ônibus no Mutuá pela última vez. Porém, ele acabou sendo capturado por três homens que o aguardavam após a discussão. Foram horas de violência até matarem Alexandre. O laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontou como causa da morte espancamento seguido de tortura e estrangulamento. (saiba mais aqui).

Matéria do RJ/TV na semana no crime:

Até hoje, transcorridos cinco anos do crime, a justiça brasileira ainda não conseguiu concluir as investigações e punir os responsáveis. Em 2010 foi aberto inquérito para apurar o assassinato e o Ministério Público aceitou a denúncia. Mas o julgamento parou (após o falecimento da juíza Patrícia Acioli,  titular,  na época, da 4ª Vara Criminal de SG) e até hoje o crime continua impune. Os três principais suspeitos  seguem suas vidas em liberdade.  

Suspeitos: Eric Boa Hora de Bruim (então brigadista, 24 anos na época), Allan Siqueira de Freitas (então eletricista, 24 ) e André Luiz Marcoge da Cruz Souza (então açougueiro, 25).


Veja o blog Alexandre (V)Ivo, criado por familiares e parentes para caracterizar uma forma de comunicação aos muitos amigos, parceiros, militantes e ativistas dos Direitos Humanos sobre a luta por Justiça e contra a impunidade: CLIQUE AQUI! 

Mais um caso

A morosidade e a falta de legislação específica sobre esse tipo de crime abrem espaço para que outras mortes de pessoas LGBT ou motivadas por homofobia continuem acontecendo todos os dias. Um caso bem parecido, por exemplo,  acaba de ser noticiado na mídia, há poucos dias: 

No dia 13 de junho, em Ariacica, na Grande Vitória (ES), o jovem estudante Rafael Melo, também com 14 anos, foi morto a pauladas e com uma barra de concreto jogada sobre a cabeça.  O jovem era aluno do 7º ano do Ensino Fundamental e tinha o sonho de se tornar um famoso estilista. A mãe Wanderléia Barbosa, 33 anos, acredita que Rafael pode ter sido assassinado por ser homossexual. Após as primeiras investigações, o tio do rapaz foi apontado como principal suspeito. Entre as hipóteses, ele teria levado o sobrinho para o local do crime e tentou abusar do jovem, que resistiu e foi morto.  Anteriormente, Rafael já era vítima de ofensas homofóbicas de colegas da escola e também do próprio tio, que se incomodavam com seu jeito de ser e com a vontade de se tornar estilista.  (veja mais aqui


Esse e outros casos parecidos com os de Alexandre Ivo continuam acontecendo no Brasil, com a conivência de uma classe política que não parece se importar com esses crimes na prática.

O projeto de lei que pretendia punir a homofobia com mais rigor – conhecido como PLC 122 e que receberia o nome de Alexandre Ivo – não foi aprovado pelo Congresso Nacional e, até agora, não há nenhuma outra proposta real para a criminalização dos crimes de ódio contra LGBTs no Brasil.

Continuamos nossa luta pela criminalização. Desejamos que, em breve, as famílias vitimadas pela homofobia tenham a mínima sensação de justiça e que crimes de ódio deixem de acontecer. 


Nenhum comentário:

Marcador Em Destaques