14/07/2015

Frei católico e gay fala sobre casamento, celibato, suicídio e muito mais.




No final do dia chegamos no lugar combinado, eu estava um pouco ansioso, pois não sabia como seria a pessoa que iriamos encontrar e não lembrava da maioria das perguntas que tínhamos escolhido.

Entrevistar um frei católico, homossexual, que nunca tinha visto antes me colocou em uma situação muito peculiar. Cresci em meio a evangélicos e conheço pouco da tradição católica, então fiquei animado com a oportunidade.

O lugar público escondia nossa entrevista secreta e ele, barbudo, com roupas leves, era também um homem muito atraente.

Tocamos a conversa com leveza, como velhos colegas que se encontravam. Arrisquei algumas piadas para tentar descontrair aquele começo de papo, mas não acho que fui muito feliz.

Nos sentamos para a entrevista, e agradeci mentalmente o Herbert começar o papo.


Herbert – Qual sua idade? Você já exerceu alguma atividade profissional antes do clero? Tinha alguns planos de iniciar a vida religiosa?


Frei – Tenho 27 anos e já trabalhei na área financeira. Trabalhei em uma rede de supermercados como fiscal de caixa, emissão de cheques e demais atividades do setor financeiro, mas era algo que eu nunca gostei, fazia mais pela questão da necessidade de independência dos pais.

Heller – Você estava com quantos anos?

Frei – Bem, tem dez anos que eu sai de casa, deveria estar com 18 anos.

A questão da vida religiosa eu sempre tive dois sonhos. Talvez se torne realidade ou não. Se eu não fosse padre eu queria ser médico veterinário ou trabalhar na área de gastronomia. São duas coisas que gosto, comer (risos) e lidar com animais, mas o objetivo principal sempre foi ser padre.

Heller – Como foi o despertar desse desejo? Como foi a transição para a vida religiosa?

Frei – É interessante. Eu venho de uma família Cristã não muito praticante, o mais praticante sou eu, mas desde criança minha vó, uma espanhola bastante tradicional – eu tenho origem espanhola e portuguesa –, era ela quem me levava para igreja e desde então eu dizia que queria ser padre.

A princípio acho que uma criança, com seis ou sete anos, que participa muito da igreja, vai ter essa vontade até mesmo por causa dos paramentos do padre, que acaba despertando a vontade e chamando a atenção, e eu dizia que queria ser padre para usar aquelas roupas.

Só que com o passar do tempo eu fui amadurecendo a ideia e até com doze, treze, quatorze anos eu ainda tinha essa vontade de ser padre, mas com dezessete anos em diante você tem outros objetivos, que é trabalhar, namorar, ter seu carro, que são objetivos que vão sobressair e que causam a mudança de ideia, mas hoje digo que quando você tem uma vocação primeira, mesmo que se dê toda uma volta de 360º, você sempre voltará a sua vocação inicial.

Mesmo que se faça mil coisas, você não terá uma satisfação e no seu psicológico sempre terá a necessidade de voltar ao inicio, e foi isso que fiz.

Heller – Você começou há muito tempo na carreira religiosa? Por que acredito que você teve que abandonar os outros empregos e se dedicar exclusivamente a isso.

Frei ­– Eu diria que a vida religiosa não é uma carreira, costumamos chamar de vocação. Eu sempre fui muito ligado à igreja. Fiz catequese, crisma e também já dava catequese.

Fui coordenador de um grupo de jovens, coordenador de catequese e sempre estive inserido na igreja enquanto eu fazia outros trabalhos, eles nunca estiveram distintos da vida na igreja, por que eu tinha um objetivo, eu queria ser padre e a ocasião me pedia outra coisa, pois eu queria sair de casa e precisava de um respaldo para isso, mas a questão de ser padre nunca adormeceu e os conflitos só apareceram depois, mas tudo voltou ao normal posteriormente.

Desse modo, tudo sempre caminhou paralelamente.

Heller – Eu não sei como faz para se tornar padre. Tem um curso? Como é esse processo?

Frei – Quando você tem esse desejo de ser padre, frei religioso, um irmão consagrado, enfim, você deve procurar alguém na sua paróquia que te dê uma orientação, que pode ser o próprio padre. Se ele constatar que você tem vocação, ele te encaminhará para um seminário. Aí entra a questão, eu sou religioso, mas também tem o padre diocesano, que é o padre circular.

Entra-se em um seminário menor para fazer um ano, chamado de propedêutico, que é um ano de aprendizado para verificar se sua vocação realmente é essa. Se após esse primeiro passo você quiser continuar, você entra para a filosofia, são mais três anos. Depois você ingressa para a teologia, que são quatro anos e estará na fase do diaconato. Eu diria que na diocese você estuda nove anos e se torna padre.

Na vida religiosa o processo é muito mais longo por que você tem que ter uma missão primeiro. Você faz um ano de faculdade, depois você para e faz o sabático, um ano de pensar melhor, e depois volta para faculdade.

Então eu diria que você leva doze, treze, quatorze anos. Tem pessoas que levam quinze anos para ser um padre religioso, por que o carisma da missão vem primeiro. Ser a pessoa do próprio Cristo na vida do mais carente, daquele que mais precisa de você.

Heller – Atualmente você é frei, é isso?

Frei – Isso

Herbert – Qual o papel de um frei dentro da igreja?

Frei – Padre e frei são nomenclaturas. Tem os padres diocesanos e nós religiosos preferimos ser chamados de frei. Frei quer dizer que sou um irmão, que me coloco de igual com você. Não quero ser destacado, com uma nomenclatura que me dê mais poder. Sou igual a você e estou aqui para servir. Eu me coloco a serviço do outro.

Herbert – Fala para nós um pouco sobre os momentos mais difíceis para você nessa jornada, desde que você escolheu ser frei.

Frei – Uma das coisas que as pessoas imaginam ser mais difícil na caminhada de alguém que larga tudo – por que a gente tem que fazer um desligamento total para ser religioso –, é se afastar da família, mas no meu caso não foi assim.

Eu perdi meu pai com onze meses de idade, tenho um irmão mais velho, mas é com a minha mãe que eu tenho uma ligação muito forte, mas também não tão doloroso ficar longe. Acho que o mais doloroso é se sentir sozinho quando você está em casa, por que é angustiante.

Ontem mesmo eu estava no quarto escrevendo, por que gosto muito de escrever, de repente eu parei e pensei que estavam todos lá fora curtindo a vida, indo para baladas, tomando cervejas com amigos e eu ali sozinho. Pensei “o que estou fazendo aqui?”. E essa pergunta sempre vem à cabeça, mas logo vem o sentido de que a minha escolha me faz sentir completo e meu coração se transborda novamente de certeza e de amor, mas o mais angustiante é se sentir sozinho.

Mesmo morando em uma casa com mais seis freis e termos nossa vida em comunidade, é quando esses momentos acabam e cada um vai para seu quarto que os momentos de solidão se tornam mais difíceis.

Por que quem opta pelo casamento tem uma companhia, quem namora a mesma coisa, mas a gente não. Passamos o dia todo em função da paróquia, cercados de gente, mas quando chega a noite, chega também seu momento de solidão.

São João da Cruz diz que esses momentos de solidão, são momentos de escuridão em nossas vidas e é nos momentos de escuridão que muitas vezes nos perdemos pelo caminho e é verdade, por que muitas decisões frustradas são tomadas por você se sentir sozinho.

Heller – Você e sua família são aqui de São Paulo?

Frei – Não, sou do Sul, de uma cidade com quase cem mil habitantes. É maravilhosa.

Heller – Mas você tem algum familiar aqui em São Paulo?

Frei – Ninguém. Estou sozinho aqui.

Herbert ­ – E como você tem observado os homossexuais dentro da igreja?

Frei – É uma pergunta comprometedora. Primeiramente eu me coloco como um irmão, de igual para igual, por que eu fiz uma escolha de vida que é ser uma pessoa religiosa e portanto, eu tenho que olhar para cada um com um olhar humanitário, independente da condição de vida dessa pessoa.

Eu procuro agir com carinho e acolher, seguindo até mesmo o conselho do papa que nos ensina a abrir as portas da igreja para todas as pessoas. Quando você está nesse trabalho como um líder religioso, um pai espiritual de uma comunidade, você não pode olhar as pessoas taxando-as pelo que elas são. Você tem que olhar todos como filhos de Deus, cada um com seus erros e acertos e a bagagem que eles trazem.

Se você olhá-las pela condição de vida, suas atitudes serão injustas e incoerentes para com elas, e passa ser semelhante aos fariseus que apedrejavam as pessoas.

Heller – Alguma pessoa nessa situação já te procurou, pediu aconselhamento?

Frei – Os homossexuais sempre nos procuram. Primeiro por que eles querem se inserir na igreja, depois pelo fato de não serem aceitos dentro da própria casa, não serem aceitos na sociedade e acabam vindo pedir aconselhamento para gente.

Sempre nos perguntam o que fazer, como agir e o conselho que eu dou é para pessoa agir naturalmente, ser o que é. Jamais alguém vai conseguir viver contrário a sua essência e a família vai ter que te aceitar da forma que você é. É difícil, mas você vai ter que cativar a família, por que antes de ser homossexual ou não, você é filho dos seus pais e pertence àquela casa.

Outro ponto importante é você não escandalizar as pessoas à sua volta. Há pessoas que por serem homossexuais acham que podem fazer de tudo em todos os lugares, por exemplo, mesmo em parques há homens que transam publicamente e isso é agressivo para quem passa e vê.

É necessário se dar o respeito e respeitar os ambientes que se está, por que a vida da gente é assim, qualquer pessoa tem que agir dentro do que o ambiente pede. Se estiver dentro da igreja é preciso agir com coerência com as regras da igreja, se estou em casa posso agir diferente, se estou com amigos é diferente, no trabalho outra coisa. Você não pode andar de sunga no parque como se estivesse na praia.

Meu conselho é as pessoas serem o que condiz com sua essência, jamais tentar deixar de ser o que sua condição impõe, por que quando você tenta essa mudança, você tem uma vida frustrada.

Herbert – E quanto a você, surgiram alguns questionamentos dentro da sua cabeça quanto a sua condição sexual e a vocação religiosa?

Frei – Quando você começa a conhecer a sua sexualidade, independente da vocação religiosa, você se frustra muito por que você imagina que o ideal aos doze, treze anos é sentir atração pelo sexo oposto e quando isso acontece diferente você tenta reprimir até mesmo por que não se tem a intensão de contar para os pais, porém comigo foi ao contrário por que eu contei para minha mãe.

Eu comecei a questionar e talvez por isso eu seja muito tranquilo na questão da sexualidade. Eu questionava por que eu tinha sentimentos diferentes e para minha mãe aquilo foi um bicho de sete cabeças, pois era algo anormal.

Em uma família tradicional isso é difícil e vieram as etapas de procurar por um psicólogo, mas conforme foi passando o tempo e eu fui me conhecendo melhor, eu fui aceitando e eu já tinha definido que seguiria minha vocação de ser padre. Eu sempre colocava na balança os meus desejos sexuais e o meu desejo como pessoa e eu sempre falo que dentro de nós há dois lobos famintos: um é o seu instinto sexual e o outro é representa seus ideais. Os dois caminham lado-a-lado e um quer se sobressair ao outro, mas o que vai falar mais alto é o que você mais alimentar.

Então se eu alimentasse mais meu lado sexual, eu estaria por aí fazendo loucuras, mas se eu entendo que eu tenho que ter certa restrição no sentido sexual, então vou alimentar mais o meu pessoal e reprimir o sexual.

Com o passar do tempo, vocês podem pensar que não, mas acreditem que sim, quanto menos você alimenta seu lado sexual, mais ele vai acalmando, falo isso por minha experiência de dez anos que me levaram a essa conclusão.

Herbert – Como você sacia sua necessidade sexual? Por que para nós, que não estamos em uma vida religiosa, se optarmos por não ter uma vida sexual ativa, nós nos masturbamos, mas e para você?

Frei – (risos) Não só comigo, mas qualquer um religioso que opta por uma vida celibatária a masturbação é o caminho.

Lógico que não vamos utilizar essa opção de uma forma desenfreada, tem amigos que dizem que chegam a se masturbar cinco vezes ao dia e eu pergunto se são malucos, por que quanto mais você se masturba, mas você alimenta seus lobos sexuais e de repente você vai ter uma fome insaciável que só será saciada se praticar o sexo com penetração.

Para mim é a convicção, o princípio e o autocontrole. Eu sempre tenho que ter em mente minha convicção. Quanto mais eu pensar na minha convicção, menos eu vou ter vontade de praticar o sexo.

Não digo que não seja um processo doloroso. A opção radical traz uma certa dor até mesmo por que surge a dúvida se você está no caminho certo ou não, mas são as consequências da minha escolha.

Heller – Você já teve experiência com homens?

Frei – Eu já tive experiências sexuais. Com ambos os sexos.

Herbert – Sua opção pela vida religiosa veio antes da sua atração pelo sexo oposto ou pelo mesmo sexo, certo?

Frei – Sim. Minha vocação é desde criança. Por isso que ressalto que é uma vocação verdadeira, por que não é algo que apareceu. Veio desde cedo e por mais que eu tenha desejo de ser outras coisas, como médico veterinário ou ir para área de gastronomia, mesmo sendo coisas que eu já poderia ter feito, mas não fiz ainda por que acredito que a vocação sacerdotal é uma vocação primeira. Quando você tem uma vocação primeira, você a cativa para que ela sobressaia.

Herbert ­– Você disse que já teve relação sexual com ambos os sexos. Foram muitas vezes? E algumas dessas pessoas são ligadas à igreja?

Frei – Muitas vezes não. Minhas experiências sexuais não foram muitas, são poucas e nunca me envolvi com pessoas ligadas a mim, nem que moram comigo ou trabalham comigo. Jamais alguém da igreja, até mesmo por questão de princípio.

Não acho ético me envolver com pessoas da igreja, por mais que eu sinta atração por uma delas. Como vou pregar depois diante dessa pessoa se ela sabe o que fiz? Por isso, minhas experiências sempre foram com pessoas não ligadas à igreja. Às vezes até com pessoas de religiões diferentes.

Herbert – Você acredita que exista uma bancada gay dentro da igreja católica? Homossexuais no alto escalão da igreja.

Frei – Não acredito que exista essa cúpula fechada. Acredito que há sim homossexuais dentro da igreja, mas não ao ponto de ter uma cúpula para se auto proteger. Pode até ser o caso de terem amigos e um proteger o outro (isso vai dar uma polêmica – o que estou fazendo aqui (risos)), mas não creio que chegou ao ponto de formar uma cúpula.

Talvez até tenha, mas eu não saberia por que eu, como frei religioso, me coloco como num padrão bem baixo, quase serviçal. É difícil imaginar o que possa acontecer entre bispos e cardeais.

Mas pode ser que tenha sim nesse escalão mais alto uma proteção da sexualidade, até mesmo pelo fato que quanto mais alto seu cargo na igreja, mais você precisa de uma proteção. Se não tiver quem o proteja você é derrubado. Então, se você é um cardeal ou um bispo gay, provavelmente haverá outros que o protejam, então de certa forma há.

Heller – E na sua hierarquia, há alguém que saiba de você?

Frei – As pessoas da minha família religiosa jamais ouvirão da minha boca que além de eu ser religioso eu sinto atração por pessoas do mesmo sexo que eu. Elas podem muitas vezes entender por gestos, por que muitas vezes acabamos demonstrando algum gesto, mas jamais eu falei ou alguém veio me abordar nesse tempo que eu estou na congregação e dizer que por que eu sou homossexual eu preciso sair.

Na comunidade que eu estava anteriormente, fiquei seis anos e também ninguém nunca me abordou. Eu também nunca dei motivo para que viessem falar.

Em congregações mais antigas existe certo rigor e se você for homossexual, você é mandado embora. É preciso ter uma postura máscula. Isso acontece muito nas congregações monásticas, onde se você for afeminado tem que sair fora.

Por outro lado se você for muito afeminado pode acabar sendo desejado pelos membros da própria congregação.

Herbert – Você acha que é por saber que existem tantos homossexuais no clero que leva o papa atualmente a ser mais aberto a abraçar o homossexual para dentro da igreja?

Frei – Eu acho que não, ele não está agindo por ter ou não uma bancada homossexual. Uma coisa inesperada para todos nós é o papa Francisco. Eu acho que ele realmente se colocou no lugar de Cristo. Cristo quando andou na terra, pelos relatos que temos, amou a todas as pessoas e deixou o mandamento maior que foi o amor: “amai-vos uns aos outros como eu vos amei”.

O mandamento do amor já existia na terra, mas a palavra como é o ponto principal. Como ele nos amou? Morrendo por nós. E o papa se colocou na pessoa de Cristo e está acolhendo a todos, por que Cristo não excluiu ninguém.

Lógico que o papa enfrenta uma certa dificuldade por que a igreja sempre teve uma posição muito rígida contra isso, principalmente a questão do matrimônio para homossexuais. A igreja jamais vai permitir o sacramento à pessoas do mesmo sexo, por que a própria escritura diz que o homem e a mulher foram feitos um para o outro e o que Deus une ninguém pode separar. Então o sacramento à pessoas do mesmo sexo é uma contradição.

Mas o papa está tendo uma atitude fantástica, está sendo um paizão realmente por que ele está trazendo todos à igreja e depois que ele foi eleito, muitos homossexuais tem vindo à igreja e se mostrado mais presentes.

Herbert – E eles são bem aceitos pela sua paróquia?

Frei ­– Sim. Eu acredito que é nosso papel como religiosos acolher independente de quem for. Nunca olhar para cor, raça, condição sexual. Como religioso você se torna a Persona Christi, ou seja, você é a pessoa de Cristo e se você rejeita a alguém automaticamente não está sendo essa Persona Christi.

Se eu não aceito o homossexual, como eu vou pregar qualquer coisa sobre a paz, amor, perdão ou qualquer coisa nesse sentido?

Heller – Qual sua opinião sobre casamento entre pessoas do mesmo sexo?

Frei – Na minha humilde opinião eu não vejo problemas, acho normal. Acho que é certo ter uma estabilidade e uma proteção civil. Por que as pessoas se conhecem, estabelecem um relacionamento duradouro e depois quando acaba as partes saem desamparadas.

Quando o Estado dá uma proteção, ambos têm mais segurança. E se duas pessoas se amam, se respeitam e estão dispostas a seguirem juntas, por que não ter um laço de união? Eu não sou contra isso, mas eu acho que precisa ter respeito, pois se não tiver respeito não existe o amor. O amor é baseado na fidelidade, respeito e privacidade.

Como você pode dizer “eu te amo”, estar casado e depois acaba traindo? Isso não é amor, se torna algo muito promíscuo.

Acho que gosto das coisas como antigamente. Se eu não estiver feliz com uma pessoa, vou conversar com ela e dizer que gosto dela, mas está faltando alguma coisa que precisamos buscar juntos ou nosso relacionamento vai acabar para que eu busque em outra pessoa.

Heller – Você não é favorável ao relacionamento aberto, então?

Frei ­– Eu sou totalmente contra. Não sei a opinião de vocês sobre isso, mas eu digo que sou muito antigo, por que esse negócio de suruba jamais (risos). Nada contra quem curte, isso é pelo que eu vejo pelas vezes que eu já transei. Estávamos só nós dois, foi super bacana por que teve tesão, atração entre os dois, foi um ato que não foi só sexual, teve um sentimento e no caso de estarem duas pessoas, rola o clima e aí chamar um terceiro para dividir? Não, sei lá, não se divide aquilo que se quer.

Heller – Você já namorou, já foi muito apaixonado?

Frei – Paixão acho que não, até mesmo por que paixão para mim é algo muito fútil, é algo que vai e vem ao mesmo tempo. Eu já amei, por que o amor é saber colocar as necessidades do outro acima das suas necessidades. Eu acho que na vida você vai amar apenas uma vez, o amor verdadeiro é único.

Heller – E você já teve essa experiência?

Frei – Eu já tive essa experiência de amor. É interessante por que eu soube entender todas as etapas. Hoje ele é casado, têm filhos e cada um seguiu sua vida.

Heller – Você chegaram a ter um relacionamento?

Frei – Tivemos um envolvimento bacana sim.

Herbert – Era um homem?

Frei – Era um homem (risos).

Heller – Vocês acabaram se separando e hoje ele é casado com uma mulher e filhos?

Frei – Sim, e a gente é amigo até hoje. Às vezes ele me liga pedindo conselhos, falando que algo não está legal. Às vezes eu ligo para ele.

A gente mantém uma relação já de onze anos, uma história onde a gente se entende. Uma amizade muito pura, muito verdadeira. Acredito que de ambas as partes é um amor muito verdadeiro, até por que a gente relembra dos momentos juntos, a gente revive, mas entendemos que nossas opções foram outras.

Eu penso que escolhi ser padre, então tenho que ser um bom padre, e ele escolheu casar com uma mulher, então tem que ser um bom esposo, sendo fiel. Tanto que quando acontece algum deslize, e segundo ele, ele nunca traiu a esposa, mas às vezes com a questão do álcool, enfim, ele me liga e fala “poxa deslizei de novo” e minha obrigação e dar um puxão de orelha e falar “poxa, mas por que você foi fazer isso, se você a ama, tem seus filhos. Como você pode, como pai, se colocar dessa forma na frente da sua família?”.

É muito mais eu puxando a orelha dele, do que ele a minha. É algo muito bom, acho que todos nós deveríamos ter isso na vida, ter alguém assim, por que isso faz a gente crescer como ser humano.

Heller: A gente falou sobre casamento e eu queria saber o que você acha das igrejas inclusivas, que absorvem, que aceitam e até promovem o casamento entre pessoas do mesmo sexo?

Frei: E tem isso?

Heller: Sim. Inclusive temos duas aqui em São Paulo.

Herbert: São evangélicas, não católicas.

Frei: Eu não tinha o conhecimento. Eu sei que nos Estados Unidos tem uma igreja exclusiva para os homossexuais. Foi criada por um padre católico que acabou sendo excomungado. Mas eu não sei o que te responder, não acho que está errado, não sei qual é o principio deles, então é melhor não falar nada para não dizer algo errado.

Herbert: Como é para você, pregar o evangelho, a palavra de Deus, sabendo que essa mesma palavra é usada pela igreja para afirmar que a prática homossexual é considerada um pecado.

Frei: É uma pergunta complicada, por que eu não acredito que palavra de Deus diz diretamente que a prática homossexual é um pecado.

Eu, que leio bastante, nunca li um trecho que vá dizer isso. Diz sim, que Deus criou o homem e a mulher para que os dois fossem um só, e vai dizer também que pecado é tudo que te afasta da presença de Deus.

Eu acho que às vezes nós, enquanto religiosos, enquanto padres, acabamos falando por nós mesmos, pelo fato de termos um ego, um desejo de crescer diante da nossa comunidade, querendo estar em destaque. E alguns vão acabar metendo o pau, falar isso e aquilo sobre homossexual, sobre gay e tal.

Eu acho que é um equivoco muito grande quando se fala isso, por que nós não podemos julgar, pois a partir do momento em que eu estou julgando, eu estou cometendo um pecado. Por que julgar me afasta da presença de Deus.

Eu acho que deveríamos reformular nossas frases, nós deveríamos falar que um ato homossexual, um ato heterossexual, fora de um relacionamento comum, aí sim se tornaria um pecado. Agora a pessoa ser gay, isso não é um pecado.

Heller: Mas então, se eu, como homossexual, procurasse, não haveria uma indicação de eu me abster do ato homossexual?

Frei: De não praticar?

Heller: Isso.

Frei: Aí sim. A igreja ela vai dizer que você deve abster-se da prática homossexual. Mas eu diria o seguinte – e agora na minha fala pessoal –, é o mesmo que eu falar para uma pessoa heterossexual se abster de sexo, por que são dois humanos iguais, apenas tem um desejo diferente.

E como eu posso dizer para um homossexual para ele não praticar, por que se ele praticar é pecado, e simplesmente o outro pode. Há uma questão religiosa por trás, mas antes há uma questão humanitária.

Então me parece muito falho eu, enquanto religioso, falar isso. Lógico que eu vou sempre aconselhar que a pessoa não seja promiscua, que ela não sai transando com todo mundo, que ela tenha um equilíbrio de si primeiro, mas eu jamais vou orientar alguém a não praticar, desde que seja com consciência.

É o que eu falei no inicio, se você tem essa opção e não tem uma escolha de vida radical, como ser celibatário ou algo assim, e você tem desejo por sexo não praticado, vai chegar uma hora que esse monstro vai te consumir de tal jeito que você vai acabar se tornando um psicopata. Você vai acabar explodindo de alguma forma. Eu acho que pode ser vivido, desde que vivido com consciência, com respeito.

Heller: Se um dia você tivesse o poder de mudar alguma coisa na igreja, direciona-la de alguma forma, você mudaria algo nessa constituição?

Frei: Em relação a homossexualidade?

Heller: Em relação a homossexualidade principalmente, mas de um modo geral também.

Frei: Às vezes eu fico me perguntando, se eu tivesse um cargo maior na igreja que mudanças eu faria. Lógico que uma das mudanças que todo mundo espera que fosse feita seria a questão do casamento, do matrimônio, mas isso jamais poderia mudar por que isso não partiu de nós, partiu há mais de dois mil anos atrás, quando a igreja foi constituída, então isso é um princípio de lá.

Automaticamente, se eu tento mexer nisso, eu estaria dizendo que tudo aquilo é mentira, então esse ponto eu jamais poderia mudar. Mas eu mudaria muitas outras coisas, a questão de trazer pessoas homossexuais para participar ativamente dentro de pastorais, acho que essas pessoas acabam tendo um certo medo de participar ou não são convidadas por este fato.

Eu acho que não tem nada de mais uma pessoa homossexual ser ministro da eucaristia, ser um leitor, um ministro da palavra. A igreja tem varias pastorais que essas pessoas poderiam estar dentro, mas não há um convite dos líderes da igreja ou há o preconceito por outros membros das pastorais, então eu faria como decreto mesmo, que todo mundo tem direito de participar dentro da igreja, visando que igreja somo nós, seres humanos, e não só simplesmente o templo que está lá construído. A igreja é feita de pessoas, e isso quer dizer que são várias raças, várias cores, várias opções, então você tem que respeitar todos.

Como eu posso querer ter um diálogo inter-religioso, como eu posso querer promover um diálogo sobre paz se eu escolho quem eu quero que esteja do meu lado.

Eu acho que se Cristo voltasse à Terra hoje, ele sairia correndo de novo, por que as coisas estão totalmente mudadas do jeito que ele pregou, do jeito que ele queria. Só que o problema é que quando você pensa dessa forma, algo que pode acontecer é, por exemplo, o que acontece com padre Fábio de Melo.

Quando a gente pensa de uma forma diferente, quando tenta unificar, já dizem que você é gay, por isso está defendendo eles, e você deve ser excomungado da igreja, afinal como você pode falar uma heresia dessas?

E aí eu respondo, é herege quem tem esses pensamentos, essa atitude, por que eu, enquanto filho de Deus, herdeiro das coisas de Deus, enquanto religioso, enquanto alguém que luta, que almeja uma paz para todos, desejos iguais para todos, como eu vou pregar o contrário? Com certeza, se fosse no passado, eu seria excomungado por ser religioso e pensar dessa forma.

Herbert: Eu cresci na igreja e a gente vê um certo assédio em relação aos padres, isso acontece com você ou com seus amigos paroquianos? Você já foi assediado por mulheres e por homens, dentro da paróquia?

Frei: Todos os dias eu sou assediado, desde no momento em que eu ando num parque, no momento em que eu estou atendendo alguém, que eu estou chegando na sacristia.

Há uma fantasia muito grande com padre, tanto de mulheres quanto homens. Principalmente quando eu vou de batina de casa. As pessoas tem um desejo muito grande, às vezes andando as pessoas mexem, dizem “ah, deixa eu ver o que você tem debaixo dessa batina”.

As mulheres, quando vão me abraçar, apertam minha bunda, dentro da sacristia. Homens casados já puseram bilhetinho com telefone no meu bolso, aproveitando que iam me cumprimentar. Já chegaram a colocar dinheiro no meu bolso, mas eu sou muito ingênuo, inocente. A pessoa vai me cumprimentar, eu cumprimento.

Teve uma ocasião, inclusive, que alguém colocou o dinheiro no meu bolso no momento em que nos despedíamos. Ele disse “para você tomar um cafezinho”, e eu pensei “será que ele me convidou para gente tomar um cafezinho?”.

Quando cheguei em casa, troquei de roupa e a senhora que lava a roupa para nós encontrou R$ 100,00 dentro do meu bolso. Ela venho me dizer que achou dinheiro, mas eu não costumo deixar dinheiro no bolso – primeiro que eu quase não tenho dinheiro, religioso não é muito de dinheiro (risos) –, mas como ela disse que estava no meu bolso refiz o meu caminho e percebi que foi nesse momento que ele colocou o dinheiro lá.

E ele é um ministro da eucaristia, casado, com uma esposa muita bonita, uma família muito bonita. Ele também uma pessoa muito bonita, mas depois eu não conseguia mais olhar para ele com o primeiro olhar, entende? Eu sentia vergonha.

Enfim, muitos assédios.

Mas, por outro lado, há pessoas que não admitem religiosos como uma pessoa qualquer, que a gente pode fazer exercícios de bermuda, por exemplo. Algumas vezes eu estou fazendo exercícios de bermuda e ligam na paróquia falando “que absurdo, o frei está de bermuda”.

Heller: E você tem amizades fora do circulo religioso?

Frei: Sim, meus amigos são de fora. Aliás, meus poucos amigos realmente são de outro estado, então eu só os vejo nos períodos de férias.

Nesses momentos, mesmo sendo religioso, eu aproveito como posso, eu vou a praia, vou ao barzinho, saio. Lógico que eu também não vou sair fazendo besteiras, mas eu aproveito ao máximo, por que são os poucos momentos que eu tenho durante o ano, as vezes em dois anos, para estar com eles.

Aqui eu tenho alguns amigos, que acabam sendo os paroquianos. A gente vai almoçar ou tomar um café, mas dentro da vida religiosa eu digo que você não tem amigos de verdade.

Você faz parte de um grupo de irmãos, mas na primeira oportunidade que um irmão seu tiver de te derrubar, de te puxar o tapete, ele puxa, disso você pode ter certeza.

Se você está se sobressaindo em alguma coisa, logo inventam uma fofoca para te destruir. É um absurdo, é errado, até por que dentro de uma comunidade religiosa, onde deveria ter uma união maior, é um padre querendo puxar o tapete do outro, é um bispo querendo ferrar o outro, sempre querendo se sobressair para ter um status maior.

Por isso a nossa igreja é tão falha, por que se prega o amor, mas não se vive o amor e quando não se vive o amor, você é vazio.

Herbert: Você já se perguntou se sua escolha pelo celibato foi para fugir da sua condição sexual?

Frei: Não, nunca foi para fugir. São escolhas, todos nós temos nossas escolhas e às vezes tem coisas que convém que eu faça e tem outras coisas que não convém.

Eu acredito que todo padre deveria ser celibatário, independente de ter um desejo muito forte ou não, isso para não ir contra aquilo que se prega, por que se prega nas homilias, e em vários outros lugares, o fato do padre ser celibatário.

Mas esse é um conceito muito meu, por que eu sei que se quisesse transar agora, eu sairia e ninguém ficaria sabendo, mas isso é algo meu.

Eu penso que se eu for transar, eu vou estar indo contra um princípio meu e vou ficar me martirizando por muito tempo.

Com isso não quero dizer que não vou transar nunca mais, até por que pretendo viver até os 112 anos (risos), portanto pode acontecer, mas enfim.

Herbert: Muitas pessoas vivem em conflito com sua sexualidade, algumas até tentam o suicídio por não conseguirem suportar o conflito da sua cabeça em aceitar sua sexualidade. Você já pensou em suicídio?

Frei: Jamais! Eu acho que quando isso acontece é primeiro um problema de estrutura familiar, de apoio, segundo é um problema psicológico da pessoa que tem essa intenção, por que ela não consegue se aceitar.

Primeiro de tudo você tem que se aceitar, enquanto você não se aceita você vai experimentar uma castração psicológica e vai viver automaticamente uma frustração.

Mas eu jamais pensei em tirar minha própria vida por que primeiro eu me amo, e eu sou muito bonito e muito jovem para morrer (risos).

Enfim, se minha escolha fosse outra que não ser padre, eu estaria vivendo feliz. Se eu fosse um veterinário, eu estaria vivendo lindo, maravilhoso, feliz. Poderia enfrentar alguma dificuldade de aceitação da minha família e amigos, mas fodam-se os outros.

Eu acho que a partir do momento em que você se entende como gente, que você tem uma estabilidade sua, própria, os outros são os outros. Você tem que decidir por você, viver por você. Se você for viver pelo outro, você não vive. A gente tem que se gostar primeiro, e aí você vai ver que os outros vão ser coisas pequenas.

A opinião da minha mãe, por exemplo, às vezes para mim não é nada. Mesmo minha mãe, que na Terra é o que eu tenho de mais importante. Eu acabo filtrando algumas opiniões absurdas dela, às vezes entra por um ouvido e sai pelo outro.

A opinião do meu irmão, por exemplo, que é advogado e homofóbico mudou. Ele chegava a dizer para pegar essas bichinhas e matar tudo, mas não é assim.

Quando ele soube que na família tinha um religioso e homossexual, ele mudou 100%. Parece que ele começou a gostar muito mais de mim, me respeita, cuida com as piadas e com as brincadeiras.

Eu jamais vi ele defender alguma coisa assim na frente dos amigos, mas quando eu estou em casa, em momentos comuns, se alguém faz alguma piada sobre esse assunto, ele já faz uma piada contra aquela pessoa, entende?

Eu acho que mudou totalmente. No nosso caso, nós erámos meio distante e isso nos aproximou. Hoje ele é outra pessoa. O único problema que nos temos é na religião, ele é muito a razão e eu sou emoção, então a gente briga muito nessa questão.

Um exemplo é a separação. Eu, enquanto religioso, vou fazer o máximo para reconciliar as pessoas e ele já diz que o Estado está aí para auxiliar, não deu certo, separa.

É o único ponto que a gente tem de briga, por que na questão da sexualidade, minha cunhada de boa, minha família toda hoje respeita e minha mãe sempre soube. Aliás, minha família sempre soube por que eu nunca escondi de ninguém.

Herbert: Que conselho você daria para um jovem que te procure dentro da sua paróquia e que esteja pensando em suicídio por causa da homossexualidade?

Frei: Primeiro de tudo dou um tapa na cara dele (risos).

Eu faço ele ver que a vida vale muito mais, que a vida é maravilhosa e pode ser vivida de muitas outras formas, que não precisa ser a morte.

Eu tento conhecer melhor a família dele, tento conhecer melhor a realidade dele. Se possível, e se tiver uma abertura, eu converso com a mãe, não diretamente sobre o assunto, mas eu tenho meus meios de ir conhecendo. Comentar “percebi que seu filho está um pouco desanimado na missa, o que está acontecendo?”, eu crio algum argumento sem que exponha a pessoa, mas para ajudar.

Já aconteceu esse fato que eu tive que levar ao padre, chamar a família, enfim, por que a pessoa tentou se matar.

A primeira vez se cortou, cortou os pulsos, mas não foi muito grave. Depois o pai o encontrou dentro do banheiro já desacordado por que ele tinha cortado uma artéria, ou algo assim, e a família foi conversar, disseram que não sabiam. Eu disse “não sabiam porcaria nenhuma, vocês fechavam os olhos. Precisou o filho de vocês quase se matar para que vocês o aceitassem” .

Eu procuro criar no jovem a confiança para falar com os pais, e nos pais a confiança para ouvir os filhos. Por que se tem essa confiança de chegar e falar “eu sou gay”, você vai se sentir muito melhor.

Eu tento sempre me inserir ao máximo quando alguém vem até mim abordando essa questão para fazer ela esquecer disso. E até chamar para fazer exercícios, passear em algum parque.

E não é só homossexual que pensa em se matar, tem muita gente casada, que acaba fazendo besteiras e acha que a morte é a melhor saída, mas não é.

Eu aproveito e já convido para fazer alguma coisa, outro dia fomos distribuir leite. A gente faz arrecadação de alimentos e roupas periodicamente, a gente arrecadou leite e eu convidei uma pessoa “vamos lá distribuir leite para você ver a realidade do povo de lá e pensar duas vezes antes de se matar”. E são coisas tem funcionado.

Herbert: E a última pergunta, o que você espera da reação das pessoas a sua entrevista? Você está preparado para as possíveis criticas que acontecerão? Uma vez que dentro do mundo gay as pessoas se apoiam, mas se criticam muito também.

Frei: Eu sei que vai ser muito polêmico, alguns pontos que falei vão ser muito polêmicos.

Como você disse, eu acredito que realmente há um preconceito da sociedade para com o homossexual por que os próprios homossexuais tem preconceito contra si. É uma disputa muito grande, tem coisas muito desenfreadas que acabam levando ao preconceito, mas se a entrevista tiver polêmica, ótimo, quer dizer que o assunto se difundiu.

Perguntas, se tiverem, melhor ainda, por que tem muita gente com necessidade e vontade de se aprofundar no assunto, no tema.

Herbert: Então, se algum dos nossos leitores tiverem dúvidas, podem mandar para você (por intermédio da nossa equipe)?

Frei: Sim, claro.

Herbert: Maravilha! Muito obrigado pela entrevista.


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