Jogadora trans de Samoa Americana desconhecia preconceito até sair de seu país




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A seleção masculina de futebol de Samoa Americana não tem nenhuma conquista esportiva expressiva. A maioria dos fãs de futebol ouviu falar a primeira vez do time após a derrota de 31 a 0 para a Austrália em 2002. No entanto, o o pequeno território da Polinésia já entrou para história do futebol mundial. Tudo por conta da zagueira central Jaiyah Saelua, 1,88 m, 27, que foi reconhecida pela Fifa como a primeira jogadora transgênero a disputar uma partida oficial em um torneio organizado pela entidade. 

Jaiyah Saelua é uma fa'afafine", termo que significa "o caminho da mulher". Nasceu homem, mas desde criança aprendeu tarefas socialmente associadas a mulheres. Em Samoa, as fa'afafine" são encaradas como um terceiro gênero. Usam roupas femininas, participam de concursos de beleza e não são discriminadas. 

Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, Jaiyah disse que só sofreu com o preconceito quando deixou seu país para estudar. "Quando me mudei para o Havaí para estudar na faculdade, eles não me permitiam usar o banheiro feminino. O técnico de futebol não me deixou jogar porque não queria colocar a equipe em 'uma posição desconfortável'. A sociedade define lugares para homens e para mulheres. Estando entre esses dois gêneros, eu sentia que não havia espaço para mim", revela.



Além do reconhecimento histórico de ser a primeira atleta transgênero a jogar uma partida em data Fifa, Jaiyah também recebeu uma carta do presidente da entidade, Joseph Blatter parabenizando seus esforços para romper barreiras no futebol. "Ser reconhecida como primeira transgênero a disputar as eliminatórias da Fifa me levou a questionar o porquê de isso não ter acontecido antes. Quantas Copas aconteceram? Por que as pessoas não aceitaram isso antes? O que há de errado neste mundo? Isso me fez valorizar mais ainda a minha cultura", disse. 

Apesar de orgulhosa de sua cultura, Jaiyah sofre preconceito de rivais. "Quando me xingam, eu me irrito, e meus desarmes ficam mais vigorosos. E eles percebem isso durante o jogo", comenta. A zagueira também teve papel fundamental na única vitória da seleção de Samoa Americana ao tirar uma bola em cima da linha no último minuto no triunfo por 1 a 0 em cima de Tonga.

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