12/08/2015

'Somos os três mosqueteiros' diz casal gay que adotou menino em Tocantins

Tiago (à esq.) e Henrique adotaram Augusto em 2011, 
em Dianópolis (Foto: Mídia Ninja/Divulgação)

Visto no G1

Henrique Ávila e Tiago Ávila adotaram a criança há 6 anos, em Dianópolis. Eles falam sobre a paternidade, o preconceito e os planos para domingo (9).

Um casal gay de Palmas, que vive junto há quase 10 anos, realizou em 2008 um sonho. Henrique Ávila, coordenador de uma rede nacional de jovens e Tiago Ávila, enfermeiro se tornaram pais. Eles adotaram Augusto que hoje está com oito anos. De acordo com o casal, eles são os “Três Mosqueteiros, uma família super, mega feliz”. Ao G1, eles falaram sobre a paternidade, o processo de adoção e o que farão para comemorar o Dia dos Pais, neste domingo (9). “É como se nós ganhássemos um presente todo dia”, diz Henrique.

Ao falarem sobre o filho, os dois brincam, sorriem e se emocionam. Para eles, Augusto é uma criança amável. “Ele é um multiplicador de amor no mundo”. Sobre a paternidade, Tiago diz que não vê problemas, pelo contrário, o filho saberá, no futuro, conviver com as diferenças. “Eu vejo ele como uma pessoa que vai ser tolerante, que vai saber respeitar o próximo, aprender a viver muito bem com as diferenças, viver com um mundo plural. O único problema é que quando ele for maior, vai ter que dar presente para dois pais”, brinca.

Pais dizem que Augusto é um menino amável e que saberá conviver com as diferenças
(Foto: Mídia Ninja/Divulgação)

Para o dia dos pais, os três mosqueteiros inseparáveis planejam uma programação extensa. “ Neste sábado (7) vamos a atividade do Dia dos Pais na escola dele que será no Parque Cesamar e Augusto quer muito ir ao cinema assistir o filme Carrossel. No domingo (8), vamos fazer um almoço especial em casa para a nossa família”, conta.

Adoção

Henrique conta que a adoção não foi algo planejado. O casal morava em uma cidade do interior do Tocantins e Augusto apareceu doente em um pronto atendimento, onde Tiago trabalhava. “Ele chegou com um estado crítico de saúde, chegou doente com pneumonia, desnutrido. A mãe não tinha condições de criar, ela não queria e nós acabamos pegando ele”, conta.

O casal deu entrada na adoção em 2008. Henrique diz que na época, ele não podia porque a idade mínima exigida é de 21 anos, mas o companheiro dele foi ao Conselho Tutelar de Dianópolis e deu entrada em toda a papelada. “Fizemos todos os trâmites legais e pegamos um documento com os conselheiros. Não foi muito difícil, já que cuidávamos dele como se já fosse nosso”, explica.

Amor de pais

Tiago explica que a vontade de ser pai surgiu por causa da falta de uma figura paterna. “Nem eu, nem Henrique tivemos pai e isso aguçou mais ainda nossa vontade de transmitir amor”. Ele ainda diz que se sente realizado e que os pequenos detalhes o emocionam. “Ele chegou agora mesmo com um cartão que confeccionou na escola e eu não pude segurar meus sentimentos. Amor não se mede, não tem como descrever”, diz emocionado.

Já para Henrique, ser pai é poder transmitir toda a sabedoria e conhecimento para que no futuro, Augusto saiba respeitar todas as pessoas e tratá-las com dignidade. “Quando você é pai, você ama o seu filho bem mais do que você. Você passa a projetar o futuro dele, porque aquele indivíduo pode mudar o mundo. Perdemos muitas noites de sono, mas hoje, quando eu vejo ele jogar bola e correr pela casa, é como se nós ganhássemos um presente todo dia”.

Preconceito

Henrique e Tiago explicam que a criança nunca sofreu preconceito na escola, pelo contrário, segundo eles, os meninos acham “legal Augusto ter dois pais”. Eles ainda dizem que não sofrem preconceito em relação à família, mas que algumas pessoas os questionam sobre a criação do filho.

“Ele cresceu com a gente bebê, então ele já está acostumado com a realidade dos pais. Às vezes algumas pessoas questionam: ‘como vocês podem criar um menino?’ Dizem que um menino precisa de uma mãe, mas quantos meninos estão aí sem uma família, sem ninguém para dar amor, carinho, educação. Independente da configuração familiar o que importa é o amor, as coisas que nós ensinamos”, conclui Henrique.
Tiago Ávila conta que não teve pai e que por isso sempre 
teve vontade de ter um filho 
(Foto: Mídia Ninja/Divulgação)

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