Casal envolvido em homofobia é indiciado por tentativa de homicídio


Visto no G1

Se condenada, dupla pode pegar até 30 anos de prisão em Juiz de Fora. Adolescente que participou de agressão terá acautelamento pedido.


O delegado Rodolfo Rolli concluiu na tarde desta sexta-feira (16) o inquérito sobre a agressão a um adolescente gay em Juiz de Fora, no último dia 5. Um homem e a companheira dele, uma jovem de 18 anos, foram indiciados por tentativa de homicídio duplamente qualificada. O inquértio deve ser encaminhado à Justiça na próxima segunda-feira, quando o autor indiciado também será ouvido.

Segundo o delegado, o crime foi praticado por motivo fútil e os autores usaram meios que dificultaram a defesa da vítima para agredi-la. Se condenados, os dois podem cumprir pena que varia de 12 a 30 anos de prisão.

O delegado informou que irá encaminhar à Vara da Infância e Juventude o pedido de acautelamento provisório da adolescente de 16 anos que também participou da agressão. A mãe dela não será indiciada, ainda segundo Rolli.

Relembre o caso

O pai do adolescente registrou a ocorrência de agressão por homofobia no dia 6 de outubro. O rapaz voltava para casa no Bairro Nova Benfica, por volta das 21h, quando o grupo começou a xingá-lo quando passava próximo a um bar. Ao responder, ele foi agredido com pedaços de paus.

Rodolfo Rolli pode pedir a prisão dos suspeitos da
agressão (Foto: Rafael Antunes/G1)

No dia, a vítima disse ao G1 que não havia sido a primeira vez que tinha sido alvo do mesmo grupo. O pai do garoto defendeu o filho e classificou como covarde as agressões.

Após a briga, o adolescente foi socorrido por um primo e levado para a Unidade de Pronto Atendimento da região Norte (UPA Norte), onde foram detectadas diversas lesões no rosto, cortes na cabeça e edemas nas costas provenientes de golpes de madeira.

Um dia após o registro, uma adolescente de 16 anos, uma jovem de 18 e uma mulher que não teve a idade revelada, prestaram depoimentos e alegaram que apenas a jovem brigava com o adolescente. As outras duas, que são mãe e filha, teriam tentado separar a briga.

Na última quinta-feira (15), foram ouvidos o dono do bar e a filha dele que disseram que viram a briga, mas que não têm conhecimento dos motivos e deram o nome de outras duas pessoas que estavam no local quando o crime aconteceu. Além disso, afirmaram que o rapaz que segurou a vítima enquanto ela apanhava é namorado da agressora. “As testemunhas disseram que eles tinham um relacionamento e um filho com uma das autoras que confessou ter agredido o adolescente, o que ela não tinha dito anteriormente”, acrescentou Rodolfo Rolli.

Na manhã desta sexta-feira (16), duas novas testemunhas foram ouvidas e novas informações deram base ao delegado para alterar a tipificação do crime. "Essas novas testemunhas relataram que, se não fosse a intervenção de populares, nós teríamos um homicídio. Por este motivo, trato o fato agora como tentativa de homicídio duplamente qualificada, por motivo fútil por conta do opção sexual do adolescente e por uso de meio cruel que dificultou a reação e a defesa da vítima. A tendência é que solicite o pedido de prisão preventiva dos suspeitos, para que eles sejam julgados presos”, disse Rodolfo Rolli.

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