25/10/2015

Transexuais reclamam de preconceito durante prova do Enem

Encaminhada para banheiro de deficientes, transexual Tyfany Stacy não pôde 
usar banheiro feminino durante prova Foto: Tomaz Silva / Agência Brasil

Visto no Terra

Além de constrangimentos com nomes no masculino, uma das candidatas foi orientada a usar o banheiro de deficientes, e não para o feminino

A citação da célebre frase da filósofa Simone de Beauvoir “ninguém nasce mulher: torna-se mulher”, escrita em uma das perguntas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), contrastou com o tratamento recebido por transsexuais que fizeram a prova no último sábado (24), no Rio de Janeiro.

Estudantes do cursinho Prepara, NEM! tiveram o nome social deixado de lado, foram obrigadas a usar banheiro de deficientes e contam que se sentiram humilhadas.

Lara Lincon Milanez Ricardo é uma das 278 transsexuais e travestis que solicitaram o uso do nome social no Enem – número três vezes maior que em 2014.

Em Duque de Caxias, no Centro Integrado de Educação Profissional 320, onde fez a prova, ela conta que os fiscais não sabiam orientar sobre a assinatura na lista de presença, se devia ser como na identidade ou não, e a deixaram constrangida. “A coordenadora e a fiscal começaram a falar abertamente, na frente de todo mundo, 'ele mudou de nome, agora se chama Lara' e ficaram se referindo a mim no gênero masculino”, reclamou.

A situação se agravou, segundo ela, quando uma das fiscais pediu para que Lara corrigisse a assinatura: “Ela disse 'ah, meu filho, você não pode assinar nome fictício aqui'. Reparei em volta todo mundo olhando para minha cara. Fiquei apavorada”, desabafou.

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