25/11/2015

A carta triste de um jovem gay para os pais que não foram ao seu casamento


Visto no SuperPride

O casamento entre iguais, agora finalmente é permitido nos Estados Unidos, mas é um fato triste para alguns pais, que geralmente se deixam levar por sua religião, preferindo negar seu próprio filho no dia mais feliz de sua vida.

Patrick Bradley, um cozinheiro e fundador do TheGayFoddie decidiu compartilhar sua carta que ele mesmo escreveu para toda sua família. Nela ele abre seu coração e fala sobre sua reação ao saber que os pais não se dariam ao trabalho de comparecer ao seu casamento.


“Queridos pais,

Já faz 890 dias desde o dia que vocês decidiram não participar do meu casamento. Eu não sei porque isso me fez levar tanto tempo para comentar sobre. Talvez eu estivesse com medo sobre o que a família vai pensar, sobre o que eles poderiam dizer. Ou estivesse com medo de perder a mais maravilhosa família, a quem eu penso dia e noite. Mas agora chega, eu finalmente cresci e estou cansado desses 890 dias e noites sendo assombrado pela sua presença, aliás, pela falta de sua presença. Estou farto das noites que eu passei sonhando com vocês. E hoje à noite, eu tive o mais desagradável dos sonhos, um que me fez despertar e não consegui mais dormir. Então, às 6:22 da manhã, depois de apenas 3 horas de sono, estou aqui escrevendo essa carta para vocês— sabendo que isso está me tirando aoportunidade de dormir para conseguir acordar bem antes de ir trabalhar, mas eu prefiro ir trabalhar com sono do que sem dignidade. Como não quero deixar ninguém da família excluída, estarei enviando isso para todos os envolvidos. Eu quero que todos saibam o que aconteceu na minha última visita a vocês, antes do meu lindo, maravilhoso casamento. 

Eu não estou escrevendo essa carta como um ato de vingança (apesar de parecer), mas sim, estou fazendo isso porque estou cansado de andar sobre ovos quando estou com meus irmãos, afilhados, sobrinhos e sobrinhas. Estou farto de ter que ter “modos” perto de vocês, “para o bem da família”. Eu também estou cansado de presentes e feriados vazios, e estou cheio de vocês terem a audácia de falar sobre meu marido (e sobre mim) como se nada tivesse acontecido. Vocês não tem vergonha? Eu acho que é o momento de contar a minha versão da história para todos, bem como vocês já devem ter contado a de vocês. Eu quero que tudo fique claro, afim de que eu possa me sentir com dignidade quando eu for vê-los em reuniões de família. Eu tenho milhares de formas de ver a minha família. 

No dia 13 de Maio de 2013, eu fiz uma viagem até Nova Jersey —um dia depois do dia das Mães— para leva-los para almoçar porque eu tive que trabalhar no dia anterior. Vocês me pegaram no metrô e paramos em uma loja para comprarmos um cartão de aniversário para um dos meninos. No caminho, eu falei como a família do Michael era grande e que estaria viajando para a Georgia, Colorado e além—em parte encontrar vocês—estávamos tão animados em encontrar com vocês. Vocês simplesmente responderam que não iriam ao meu casamento. Eu tentei muito manter minha compostura, pensando como eu poderia fazer vocês mudarem de ideia antes do grande dia. E quando deixamos a loja, vocês começaram a citar a bíblia, enquanto as pessoas que não sabiam o que estava acontecendo olhavam para gente. E ao voltarmos para o carro, vocês mencionaram o medo de um anjo parecer e falar “Pare de rezar pelo Patrick! Ele já está no inferno” 

Eu sabia que era hora de apelar para meu último recurso e dar um ultimato de algo que eu nunca pensei que chegaria a fazer. Eu expliquei, calmamente para você que se caso não comparecessem ao meu casamento, vocês não iriam me ver novamente após o feito: não há feriados, não há aniversários, não há hospitais, sem funerais. O que eu ouvi em seguida me colocou em um estado de choque. Mãe, você disse “A gente já sabe disse, eu conversei com seu pai ontem de noite e já aceitamos isso. Nós entramos num acordo, e estamos te devolvendo para Deus”. 

Eu lembro de outras coisas ditas, que eu vou omitir aqui. Enquanto eu me sentei em choque—chocado pelo fato de vocês preferirem nunca mais me ver do que apenas comparecer ao meu casamento—vocês mudaram de assunto do nada: “Bem, acho que nem vamos mais almoçar mais”. Então eu abri a porta do carro e vocês falaram “Deixa que a gente te leva até o metrô. Faça que isso seja a última coisa que faremos por você”. Se existisse alguma dúvida na minha mente do que eu acabara de ouvir estivesse confuso, ali eu percebi tudo. 

Mamãe e Papai: por não comparecerem ao meu casamento, vocês me rejeitaram, e vocês rejeitaram meu marido, que agora é a minha única família. Eu, por conta disso, rejeito qualquer um que rejeite minha família. Mas estou oferecendo uma solução. Eu vou perdoar vocês por tudo que já fizeram, se vocês, na frente de toda a família (do mais pequeno ao mais velho) admitirem o que ambos fizeram foi errado: admitir que ambos deveriam ter ido ao meu casamento. Porque eu realmente acho esse ato de vocês é vergonhoso. Você partiram ao meio essa família. Mas o que quebra meu coração é que nem todos entenderam, afinal de contas existem crianças na família. Aqueles cuja a única conclusão foi “Patrick deve ser ruim” ou “Ele deve ter feito algo ruim, por isso a vovó não foi ao seu casamento”. Isso é onde eu acho que vocês deveriam colocar a culpa, e não em mim. Eu quero que todos saibam tudo. E talvez esta noite, eu vou finalmente poder dormir a noite inteira.

Com as melhores das intenções,

Patrick”.

A carta na íntegra, totalmente em inglês pode ser acessada aqui.

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