Pioneirismo mundial: Time de futebol americano abre espaço para jogador transexual na Espanha

Oscar será o primeiro transexual no futebol americano

Visto no ESPN

A Federação Espanhola de Futebol Americano (Fefa) deu um passo largo na luta contra a transfobia no mundo esportivo. A entidade autorizou durante a semana a inscrição de Oscar, um transexual de 21 anos, na equipe masculina do Zaragoga Hurricanes, da terceira divisão. O rapaz, que há um ano deu início à transição social (quando uma pessoa trans adota o nome e a identidade pública com a qual se sente identificada), passou as últimas três temporadas defendendo o time feminino.

"Quando recebi a notícia foi uma alegria enorme. Gosto muito de futebol americano e não ter podido jogar foi uma porrada muito dura. Recorri aos tribunais para conseguir", comemorou o atleta.

Oscar nasceu mulher, mas jamais se identificou com o gênero designado em seu nascimento. Por isso, no início do ano, adotou o nome masculino e passou a tomar hormônios para que seu corpo tomasse a forma desejada. Ele comunicou a situação aos treinadores desde o início, e o clube demonstrou muito apoio durante a transição.

Agora, o Zaragoga Hurricanes entra para a história como a primeira equipe esportiva a abrigar um trans em seu plantel. E abre caminho para clubes de diversas modalidades seguirem o exemplo, promoverem a igualdade e incentivarem a carreira esportiva de jogadores na mesma situação.

De acordo com as leis espanholas, contudo, Oscar só poderá mudar seu nome no documento dois anos após o início do tratamento, o que não permita que atue nas competições oficiais até o fim de 2016. Ele pretende continuar estudando e praticando o esporte durante o período de limbo.

Embora não seja imediata, a medida da Fefa garante inúmeros benefícios a Oscar, como o seguro atleta, fundamental em um esporte de contato como o futebol americano. Isso só é possível graças à "autorização" da entidade, que respondeu afirmativamente ao pedido de Oscar para jogar na equipe masculina, ainda mais porque a equipe feminina havia sido dissolvida por falta de patrocínio e o jovem estava sem contrato.

"Não queria renunciar à minha identidade e nem ao esporte. Estou muito agradecido a meu clube, que me apoiou em todo momento", afirmou Oscar, refutando a existência de qualquer preconceito dos cerca de 30 companheiros de equipe. "Me sinto um a mais no vestiário. Meus companheiros me conhecem, não há diferenças. Sou um garoto, ainda que meu RG diga o contrário", finalizou.

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