03/12/2015

Atores nus e sem falas representam universo gay em espetáculo teatral


Visto no iGay

Vaidades, preconceitos e drogas são temas abordados na peça “Anatomia do Fauno”, em cartaz em São Paulo. Questões como o medo da solidão e as dúvidas geradas pela monogamia também aparecem na montagem

Representando o cenário contemporâneo dos grandes centros urbanos, o espetáculo “Anatomia do Fauno” aborda questões que atingem gays, bissexuais e até heterossexuais.

Inspirada na obra de Arthur Rimbaud, precursor da poesia queer, a peça-performance faz um retrato da vida homoerótica masculina de hoje.
“Tentamos mostrar gays cansados, fustigados pelo trabalho, como metáfora do cansaço pós moderno

Preconceitos, drogas, vaidades e crenças são alguns dos temas propostos. O homoerotismo é destacado através dos atores nus, que representam os cidadãos gays da sociedade.

“Tentamos mostrar gays cansados, fustigados pelo trabalho, beirando seres autômatos, mecânicos, sujos, como metáfora do cansaço pós-moderno e de como isso desaguá num território de relações violentas”, diz o diretor Marcelo Deny.

Os próprios atores trabalharam suas inquietações pessoais
 e experiências que acabaram por costurar o enredo

No enredo, um fauno (criatura da mitologia grega) é afastado da floresta, seu habitat, por um incêndio e acaba caindo no centro de São Paulo. Começa, então, a ter contato com o mundo gay paulistano.
“A nudez entra como figurino, pois a potência e as vontades do corpo é que se sobressaem

Eles fazem uma auto crítica ao universo de como as relações eróticas se dão na liquidez das relações. Os atores também expõem experiências e contribuem para o contexto da peça.

“Foi de extrema importância a entrega do elenco, que teve suas vidas, angústias, medos e utopias devassadas em formas de imagem não verbais”, releva Deny.

Sem falas, a performance mostra uma série de ações de mais de 20 atores. Após a chegada do fauno, o elenco vai se desnudando e começa a abordar práticas comuns do universo gay, como a busca por parceiros em aplicativos e o sexo em grupo.


O espetáculo aborda questões que atingem gays, bissexuais e até heterossexuais

Para o ator Marcelo D’Avilla não há constrangimento nas cenas de nudez porque elas estavam nas chamadas desde o princípio. “A nudez ali entra como figurino, pois a potência e as vontades do corpo é que se sobressaem”, afirma.

Para ele, a peça critica o que é o universo gay, pois há multiplicidade infinita de pessoas e não há como traçar um único estilo, principalmente em uma capital. “O método foi descolar o personagem, deixar que cada atuador trouxesse o estereótipo gay que coubesse a sua própria vivência”, diz D’Avilla.

Outras questões também aparecem na montagem, como o medo da solidão e as dúvidas geradas pela monogamia.

Serviço: 
SP Escola de Teatro - Sala R4
Praça Roosevelt, 210 – São Paulo, SP 
Metrô República
Sábados, às 23h. Domingos, às 20h. Até 20/12.
R$40 (R$20 a meia)
100 min., 18 anos

Nenhum comentário:

Marcador Em Destaques