18/07/2016

Eleições e empoderamento LGBT: Todd Tomorrow

Por Danilo Motta


Nos últimos anos, Todd Tomorrow vem se destacando como um dos LGBTs mais influentes de São Paulo, segundo o ranking do Guia Gay de São Paulo. Ele se candidatou a deputado estadual em 2014 pelo PSOL e, agora, é pré-candidato a vereador na capital pelo mesmo partido. Confira a entrevista:

Porque você quer ser vereador?

São Paulo é um território importantíssimo na disputa do imaginário político nacional. É daqui que foram disparados, nos últimos anos, todo tipo de ação que culminou em manifestações Brasil adentro. E a Câmara Municipal da cidade é um espaço completamente dominado pelo ultraconservadorismo e a má-fé. Nós, LGBTs, frequentemente somos difamados no Plenário por figuras tenebrosas e corruptas que só querem nos usar de trampolim para suas carreiras políticas, que são baseadas em enganação e na promoção do ódio. Alguns vereadores se dizem nossos aliados mas, frequentemente, precisam deixar de apoiar nossas urgências por conta de interesses que eles creem serem “maiores”. Por isso, é importante ter ao menos uma LGBT na Câmara para rebater imediatamente o discurso de ódio contra nós e de igual pra igual. A Casa acabou de aprovar, de forma unânime, o Dia de Combate à Cristofobia, sem nenhuma contestação, um projeto de lei que é um verdadeiro deboche contra a comunidade LGBT, além de ser uma flagrante violação do Estado laico. Quero ser vereador pra isso, para não permitir que nós sejamos usados como desculpa para a aprovação de projetos de caráter demagógico e discriminatório. Além disso, tem o valor simbólico, já que seria a primeira cadeira ocupada no legislativo municipal por uma pessoa que se declara LGBT e na maior cidade do país.

Como avalia a importância de candidaturas LGBT?

Importantíssimo que nós nos coloquemos cada vez mais à frente das pautas que nos são caras. Não dá pra contar com candidaturas e mandatos “aliados”. Os partidos nos veem como pauta acessória, enquanto estamos sendo mortos. E candidaturas LGBTs que sejam competitivas podem mudar isso e nos colocar no centro do debate político e como protagonistas. Veja o exemplo do Reino Unido, em 2013 eles elegeram uma série de LGBTs para suas câmaras de vereadores e, logo em 2015, conseguiram com que 27 parlamentares abertamente homossexuais fossem eleitos para a Câmara dos Comuns, o equivalente a nossa Câmara dos Deputados. Foi um processo de muito sucesso. E é em algo assim que estou interessado.

Você teve mais de 11 mil votos na cidade de SP em 2014. Como vem se preparado para as eleições 2016?

Tenho conversado com muita gente e atuando no meio do caos. Preparar uma campanha é algo desafiador e muito desgastante. Estar nela é ainda mais difícil. Nós certamente iremos fazer uma campanha completamente fora dos padrões tradicionais, como em 2014. Temo que esta possa ser a campanha mais acirrada e suja dos últimos tempos. Estou voltado à minha saúde nesse momento, pois ela não pode falhar na hora “h”. Uma semana antes da votação de 2014 eu tive uma apendicite nervosa e fui operado às pressas. Foi assustador! Mas eu aproveitei e fiz campanha dentro do hospital. [risos]

Como avalia a gestão municipal do prefeito Fernando Haddad no que diz respeito às políticas voltadas para LGBTs?

O Haddad é um prefeito qualificado e moderno. Ele tem um bom entendimento sobre os anseios da população LGBT, mesmo que isso não se traduza automaticamente em políticas públicas para nós. E vejo com muita alegria o programa TransCidadania. Certamente é inovador e precisa ser mantido. Ele é dirigido para o nosso segmento mais vulnerável e por isso sou grato. Outras boas iniciativas foram adiante por conta da sua administração, que não pode ser considerada insensível, mas eu ainda acho pouco e o prefeito já deu algumas “mancadas”, como na questão do Plano Municipal de Educação onde fomos excluídos. Seriam muito mais programas e políticas para as LGBTs se a gente conseguisse se organizar para além das disputas partidárias. Eu acho que ele faria mais se soubéssemos como e onde pressionar. Ter uma cadeira no legislativo municipal ajudaria na interlocução com qualquer prefeito.

Quais projetos devem ser priorizados em um eventual mandato?

Tenho conversado com muita gente e atuando no meio do caos. Preparar uma campanha é algo desafiador e muito desgastante. Estar nela é ainda mais difícil. Nós certamente iremos fazer uma campanha completamente fora dos padrões tradicionais, como em 2014. Temo que esta possa ser a campanha mais acirrada e suja dos últimos tempos. Estou voltado à minha saúde nesse momento, pois ela não pode falhar na hora “h”. Uma semana antes da votação de 2014 eu tive uma apendicite nervosa e fui operado às pressas. Foi assustador! Mas eu aproveitei e fiz campanha dentro do hospital. [risos]

Como avalia a gestão municipal do prefeito Fernando Haddad no que diz respeito às políticas voltadas para LGBTs?

O Haddad é um prefeito qualificado e moderno. Ele tem um bom entendimento sobre os anseios da população LGBT, mesmo que isso não se traduza automaticamente em políticas públicas para nós. E vejo com muita alegria o programa TransCidadania. Certamente é inovador e precisa ser mantido. Ele é dirigido para o nosso segmento mais vulnerável e por isso sou grato. Outras boas iniciativas foram adiante por conta da sua administração, que não pode ser considerada insensível, mas eu ainda acho pouco e o prefeito já deu algumas “mancadas”, como na questão do Plano Municipal de Educação onde fomos excluídos. Seriam muito mais programas e políticas para as LGBTs se a gente conseguisse se organizar para além das disputas partidárias. Eu acho que ele faria mais se soubéssemos como e onde pressionar. Ter uma cadeira no legislativo municipal ajudaria na interlocução com qualquer prefeito.

Quais projetos devem ser priorizados em um eventual mandato?

Nós iremos atuar fortemente nas pautas de direitos humanos, na cultura e no meio-ambiente. A juventude da cidade precisa ter algum espaço no legislativo. Hoje ela é completamente ignorada pelos senhores do proibicionismo que ocupam as cadeiras da Câmara. Você até tem vereadores jovens, mas eles têm uma mentalidade do século 18! Um da minha idade até é entusiasta daquela campanha “Eu escolhi esperar”, que exalta a abstinência sexual. Completamente fora da realidade e ignorando os desejos de quem está descobrindo sua sexualidade em nome de dogmas religiosos. Nosso mandato dialogará especialmente com o setor progressista da cidade. Se fosse pra fazer mais do mesmo a gente nem entraria na disputa.

Por que a escolha pelo PSOL?

O PSOL é hoje o único partido onde encontram espaços de debate, as pautas progressistas, de direitos humanos e anti-proibicionistas. Minha afinidade com a legenda vem daí. Existe uma vontade coletiva sincera de enfrentar o estado atual das coisas e isso me atraiu. Não vejo o mesmo acontecer nas outras legendas. Foi o partido que nos ajudou em bloco na crise da Comissão de Direitos Humanos e Minorias de 2013, na qual atuamos fortemente como resistência. De 2014 pra cá, nós conseguimos impedir que outro fundamentalista conseguisse sua presidência. E o PSOL está lá pra nos apoiar integralmente. Ainda assim, gosto de deixar frisado que o partido é um instrumento; escolher o PSOL é dar legitimidade para ele nas pautas que consideramos emergências. E se não houvesse reciprocidade, não haveria razão pra estar filiado. Um exemplo disso foi a turbulenta passagem de um deputado federal eleito pelo Rio de Janeiro e que se revelou um fundamentalista religioso. Não havia como se manter na legenda se ele não fosse expulso, depois de ter dado declarações homofóbicas. Coloquei minha desfiliação na mesa e isso foi um fator para a expulsão dele. Isso jamais aconteceria em outro partido. Enquanto o PSOL acreditar nas pautas que tocamos, estaremos juntos.

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