"A CASA DOS HORRORES" Por Tony Goes



O UOL publicou neste domingo uma longa matéria sobre um hospital de São Paulo que, entre 1930 e 1945, "tratou" pacientes acometidos de "pederastia e homossexualismo". É uma visão do inferno: há registros de onze homens internados que foram submetidos a confinamento, eletrochoques e comas induzidos, e nenhum caso de sucesso. Um deles, inclusive, teve duas "recaídas" depois da primeira alta. A reportagem retrata a mentalidade vigente há mais de 70 anos, mas também é um lembrete do horror que estão querendo trazer de volta. Quem defende que alguém que esteja sofrendo por sua orientação sexual procure auxílio psiquiátrico para voltar a ser hétero geralmente tem em mente um adulto angustiado, em plena posse de suas faculdades mentais. É claro que essas pessoas existem, e é mais claro ainda que elas podem falar com psicólogos e psiquiatras sobre a dor que as aflige. E o profissional, se o for mesmo, não tentará "curá-las", mas tentar fazer com que elas se aceitem como de fato são. Mas o que importa aqui é que, se qualquer coisa com cheiro de "cura gay" for aprovada, suas vítimas preferenciais - sim, vítimas - não serão os tais adultos, mas crianças e adolescentes internados pelos próprios pais. Ainda existem centros desse gênero nos Estados Unidos e em alguns países da Ásia, e os relatos de quem sobreviveu a eles não fica muito a dever ao antigo Pinel de Pirituba. É bom ter isto em mente antes de achar razoável que se flexibilizem à marra as determinações do Conselho Federal de Psicologia. Também convém lembrar que lei nenhuma tem como mandar na ciência ou na natureza.

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