"Contra a ignorância não há argumento" por André Kummer


Conta-se que Galileu falou a um Cardeal Católico: “Se Vossa Eminência olhar ao telescópio vai ver que as estrelas se movimentam e a terra é redonda.” Ao que o cardeal respondeu: “Se eu chegar a ver isso não será verdade, será apenas a sua influência maligna sobre mim.”

Talvez isso seja apenas uma história inventada, mas configura muito as conversas entre opositores hoje em dia.

É uma máxima do “Tudo que você disser será usado contra você”, então é uma sentença que nos IMOBILIZA.

Ontem um amigo muito querido foi detido em plena Avenida Paulista por uma denúncia de depredação do patrimônio público. Ele colou lambes em um poste na frente do MASP.

Para quem não sabe “lambe” é uma folha colada com agua e maisena. Sai na primeira chuva ou é só puxar e arrancar. As imagens eram homoeróticas.

A intenção do lambe é a de provocar, como qualquer arte. Provoca e vai embora. Não é feita para durar. Uma ideia muito legal.

Como os gays se tornaram munição para os movimentos que defendem a já abalada tradicional família brasileira com essa história que promovem a "ideologia de gênero" (o nome que os preconceituosos descobriram para camuflar seu preconceito) é bom se preparar.

Se nós ficarmos calados com essa onda de ataques semanais que vão de exposições até o polenguinho não vamos acabar bem.

Como diz minha mãe “Quem muito se abaixa mostra o que não deve”.

Penso que não adianta argumentar com "Aquele-Cujo-Nome-Não-Deve-Ser-Pronunciado" (vou começar a chamar assim o Bolsonaro) e aquele movimento com três letras que tem um integrante com nome de feriado.

Não adianta entrar em confronto pelo mesmo motivo que Galileu não entrou em confronto com o Cardeal. Quem morreu queimado na fogueira foi Giordano Bruno 33 anos antes. Em relação a causa LGBTQ já morreu bastante gente.

Então talvez seja uma boa estratégia provocar e mobilizar.

Provocar é demonstrar que está tudo ok em ser como somos. Fora do armário podemos nos movimentar.

Como? Vamos pensar sobre isso?

Com amor,

        

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