06/10/2017

"O menino cor de rosa" Por André Kummer

Por André Kummer - Life Coach 


Você lembra de quando descobriu que era gay?

A questão não é auto ajuda, a questão é ter consciência dessa ferida, ter consciência da tragédia que essa ferida gerou.

Fantasiou como sua vida seria?

Você poderia trancar-se no armário, imaginar que aquilo não tinha importância e era algo ocasional em uma vida fake.

Também pode ter sonhado encontrar um companheiro bacana, amar e ser amado e viverem suas vidas com alguns cães ou, se vocês fossem realmente modernos e descolados, poderiam mesmo ter algumas crianças.

Você imaginou que a sua família acabaria por aceitar seu marido como parte da família e vocês viveriam felizes juntos por toda a vida.

Ok, talvez fosse apenas uma fantasia.

Mas eu aposto qualquer coisa como isso passou pela sua cabeça.

Então, em algum lugar ao longo do caminho, o seu sonho morreu. Um amante o traiu. Você não conseguiu ser fiel.

E namorado após namorado provaram ser pouco confiáveis.

Os homens que você desejou e amou decepcionaram você.

Mesmo que nós nunca falemos sobre essas coisas em festas, reuniões com amigos e nos lugares que frequentamos, isso está latente e mal podemos esconder a vontade de desabafar.

Como nos sentimos atrás dessa fachada?

Somos honestos e sinceros sobre nossos sentimentos?

A maioria passa uma mão de cal sobre isso para que ninguém perceba que a vida gay “idealizada” que sonhou está muito longe do que é possível viver.

Nos convencemos que viver a vida gay idealizada não é humano, e no mínimo uma fantasia.

E talvez por isso as drogas e o sexo fácil sejam tão comum, como uma espécie de analgésico para esse misto de sentimentos de amor, carinho, afeto e cumplicidade que não conseguimos amadurecer.

Então o que você faz?

Você vai para a academia, expõem seu corpo sarado nas praias, tira selfies, vai a bares, para o clube de sexo, sauna.

Talvez até mesmo tentou perder-se na vida corporativa. Colocou sua carreira e trabalho em primeiro lugar.

Tentamos convencer a nós mesmos que não estamos infelizes, apenas entediados.

Ou talvez não estejamos fazendo sexo com a intensidade, frequência e qualidade que queremos.

Ou ainda depois de dezenas de test-drive com diversos caras, não encontramos o homem certo.

Quem sabe, talvez um dia, como dizia Quentin Crisp: um "Homem alto e moreno" foi ao virar da esquina.

Mas o homem alto e moreno nunca vem.

O que fazer?

Enterrar-se numa tristeza profunda dentro de si mesmo e manter-se em movimento para não se sufocar em sua própria auto piedade.

Por que minhas relações têm curta duração?

Por que sou tão levado a ter o corpo perfeito, a casa mais bonita, a mais fabulosa carreira, o mais bonito e perfeito namorado, etc.?

Por que eu luto contra esta depressão persistente que diz que a minha vida é desprovida de significado?

Todas estas questões apontam para uma ferida emocional.

É uma ferida que quase todos os homens gays possuem.

Se optar por mover sua vida para a frente, isso deve ser curado.

Se você está se fazendo estas perguntas, assim como eu fiz, e a maioria dos homens que eu atendo fazem, você está lutando com esta ferida dentro de si mesmo também.

A ferida é o trauma causado pela pressão esmagadora de uma sociedade hetero centrada.

Isso gerou uma enorme vergonha numa idade em que você não estava equipado para lidar com ela.

Uma ferida emocional causada por uma vergonha tóxica é uma deficiência grave e persistente que tem o potencial de literalmente destruir sua vida.
É muito mais do que apenas uma auto imagem pobre.

É a internalização profunda de uma crença de que você é de alguma forma inaceitável, incapaz de ser amado, é vergonhoso e, em suma, falho.

O resultado disso é um eterno menino que não consegue amadurecer, por mais que use todos os artifícios.

Mate o menino, Jon Snow. O inverno está quase sobre nós. 
Mate o menino e deixe o homem nascer.


 Mestre Aemon - Game of Thrones


De Velvet Rage



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