"O MISTÉRIO DO AMOR" Por Tony Goes


Das boas coisas da vida: ir ao cinema esperando adorar o filme, e adorar mesmo. Eu estava trepidando para ver "Me Chame pelo Seu Nome" desde que saiu o trailer, uns meses atrás. Consegui, no Festival do Rio - e é essa beleza toda que estão falando. A história não podia ser mais simples. Demora um pouco para engrenar e é até previsível. Mas é de uma delicadeza e de uma violência que me abalou os alicerces. Não vai faltar hipócrita gritando "pedofilia!" quando o longa estrear oficialmente no Brasil em janeiro, porque o personagem principal é um garoto de 17 que se envolve com um homem de 30. Os dois são as coisas mais bonitas que Deus pôs no mundo. Armie Hammer transborda magnetismo como o estudante americano que vai passar seis semanas na casa de um professor de arqueologia no norte da Itália. Mas o filme é de Timothée Chalamet. Lindo feito uma estátua romana, o rapaz ainda fala inglês, francês e italiano, toca piano e é um ator fabuloso. O diretor Luca Guadagnino já tinha feito um dos meus filmes favoritos, "Io Sonno l'Amore", e agora assina mais um para a minha lista da ilha deserta. Vão chover indicações ao Oscar, inclusive para a canção "Mystery of Love" de Sufjan Stevens. E eu vou ver de novo quando entrar em cartaz, ô se vou.

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