Outubro Rosa, por Diego Abrantes



Chegou o mês de outubro. E desde que o Léo me convidou para colaborar com o blog,  fiquei imaginando a melhor forma de me apresentar sem parecer chato e monótono. Bem, começando por outubro, que me diz muita coisa. Pressupondo-se que ninguém aqui vive numa caverna nos confins da Noruega engarrafando água Voss, notamos nesse mês de outubro que somos bombardeados por informação contra o câncer de mama, o que eu acho super válido! A informação tem que chegar com força invadindo a nossa mente quando o assunto é saúde. Esse é o Outubro Rosa midiático. Mas o Rosa que quero me referir tem outro cunho...

Além de outubro ser o mês do meu aniversário e dos diversos Librianos que existem por aí espalhando a indecisão pelo mundo, pego o gancho do outubro rosa pra falar do uso dessa cor no décor. Antes que eu me esqueça: me chamo Diego Abrantes, sou arquiteto, potiguar de coração, 33 anos (na terça que vem!) e me identifico com o nome desse blog desde que saía pela casa dublando a cantora Rosana e sua infame versão Como Uma Deusa, com uma toalha amarrada na cabeça aos 4 anos de idade. Tinha tudo pra ser vedete, mas a vida me fez arquiteto. Apesar de gay convicto desde a tenra idade, nunca fui apaixonado por rosa. E claro que também acho que nenhum gay tem que gostar de rosa só pelo fato de ser gay. Já tive diversas fases, maximalismo, minimalismo, água, vinho... mas estou embarcando no rosa pela primeira vez. E amando! Desde que a Pantone elegeu o rosa quartzo como a cor do ano de 2016, a mesma sensação de bombardeio midiático do outubro rosa a gente sente no décor. Os tons róseos invadiram revestimentos, cortinas, adornos, paredes inteiras! Tudo isso com ares distantes da típica mansão da Barbie que alguns podem imaginar. Um delay de mais de um ano, esse tom está firme e forte não somente no décor mas também na moda. Aliás, moda e decoração andam tão juntas que às vezes penso que são uma só! Mas isso é assunto pros próximos posts. 

O rosa é o último grito em Paris, como diz alguns dos meus amigos mais efusivos. A cor preferida da boneca Barbie revisitada nos tempos atuais ganhou ares acinzentados, acobreados. Está mais para o bege do que propriamente rosa. Millennial Pink para muitos, Blush para outros. Tem coisa mais gay do que se referir a cores com nomenclaturas mil? O laranja amarronzado vira terracota, o bege vira fendi e o rosa vira blush! Risos! Brincadeiras à parte, o cerne da questão é que o rosa abandonou o rótulo de feminilidade frágil e romântica e passou a compor cenas altamente sofisticadas na decoração. Nesses tempos de empoderamento e de busca de direitos iguais, vejo no uso generalizado do rosa uma espécie de militância gráfica que transcende a própria cor, um grito de auto-afirmação necessário contido nas suas entrelinhas. São tempos que aspiram liberdade, e o décor não pode ficar de fora, já que é um meio poderosíssimo pra concretizar a essência da nossa personalidade dentro de casa. 





Diego Abrantes/Arquiteto e Urbanista

Comentários

  1. Sensacional. Faltava um arquiteto decorador talentoso neste site. Agora não falta mais nada. Texto incrível. Bom humor acima de tudo. Parabéns. Seja bem vindo ao Homorrealidade.

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