09/10/2017

Pabllo Vittar é destaque no jornal The New York Times: “um ícone amado e um emblema de fluidez de gênero” Por Caian Nunes

Por Caian Nunes


A luta LGBTQ no Brasil foi destaque no importante jornal americano The New York Times. A publicação colocou como plano de fundo a importância cultural da novela “A Força do Querer”, da Rede Globo, e o sucesso de Pabllo Vittar como símbolos da causa no país.

O jornal visitou a Casa Nem, refúgio para transgêneros no centro do Rio de Janeiro. Os moradores do abrigo têm o costume de fazer uma reunião diária para assistir a novela. A maioria deles se identifica na história de transição da personagem Ivana, que virou Ivan.

Senhorita Siqueira foi expulsa de casa com 7 anos por vestir roupas femininas. “Eu vivi em tudo o que a telenovela está mostrando”, ela disse enquanto observava um episódio. “As pessoas trans atravessam lutas e confrontam os preconceitos, independentemente da cor, classe ou idade que temos. Todos nós fomos rejeitados em momentos diferentes”, completou.

O jornal observa que o Brasil está passando um momento delicado em relação à luta LGBTQ. Em um período curto, um shopping impediu uma mulher transgênero de frequentar um banheiro feminino, enquanto uma lei discute tornar necessária a cirurgia para alterar o gênero legalmente nos documentos. Outra polêmica foi a decisão da justiça de permitir o “tratamento” da homossexualidade por psicólogos.

No entanto, apesar de todas essas barreiras, a classe já teve suas conquistas: o direito de casar e o reconhecimento da identidade legal.

Além de Ivan, a matéria destaca que o Brasil tem outro ícone que inspira os gays, Pabllo Vittar. “Ela se tornou um ícone amado entre os brasileiros e um emblema de fluidez de gênero”. “Não me importo se você me chame ele ou ela”, disse a cantora, que expressou sua preferência pela neutralidade em termos de gênero. “Eu sou apenas um menino gay de 22 anos do Estado do Maranhão”, disse enquanto desenrolava um brinco de uma longa peruca platinada no vestiário antes de um show.

O jornal ainda cita os hits da cantora. “Cantados em uma soprano nasal, tornaram-se hinos não oficiais para a comunidade lésbica, gay, bissexual e transgênero do Brasil. Um dueto que Vittar gravou recentemente com a Anitta, uma das maiores estrelas pop do país, quebrou um recorde brasileiro de visualizações do YouTube, e três das canções do cantor ficaram recentemente entre as cinco canções mais tocadas no Spotify no Brasil”.

Em um dos episódios mais recentes de “A Força do Querer”, Pabllo Vittar participou fazendo um show enquanto Ivan curtia na primeira fila.

Os seguidores de Pabllo Vittar no Twitter triplicaram depois de uma aparição dupla no Rock in Rio. “A drag queen mais seguida do mundo é brasileira”, Vittar observou com satisfação. “E ainda assim nós temos esses problemas aqui”, disse.

Essa foi a primeira vez o que o The New York Times usou o termo “Mx.” (tratamento neutro), que substituiu os pronomes de tratamento Mr. or Ms., que se referem a gêneros específicos.

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