01/10/2017

"Você anda irritado?" Por André Kummer



Eu não entendo nada de arte.

Em termos de música confundo Madonna com Lady Gaga. Então se alguém fala em música perto de mim escuto maravilhado e tento aprender o máximo para não cometer nenhuma gafe.

Fiz aula de pintura por dois anos para não ser tão ignorante. Basicamente pintei paisagens, flores e ícones. Fiquei maravilhado quando minha irmã, que trabalhou no museu de artes visuais da casa Mario Quintana me falou da fase azul de Picasso. Nunca imaginei que houvesse fases em cores. Achei incrivel, belo. Fui procurar mais no Dr. Google.

Sou um desastre em algumas áreas.

Na cozinha, por exemplo, consigo queimar ovos cozidos. Ontem estava relendo A Teoria Queer de Judith Butler, me perdi na leitura e esqueci dos ovos. A agua secou e a panela queimou, só vi quando o cheiro de queimado ficou forte.

Mas eu me esforço.

Um cliente pediu para que eu conversasse com a secretária, uma jovem de 19 anos que cursa o ensino médio a noite e trabalha durante o dia.

Uma das funções dela é cuidar da página do facebook da empresa, mas os erros de português dela são abissais.

Foi preciso ensinar o Ctrl C - Ctrl V e falar sobre corretor de texto e pesquisa no google por palavra. Confesso que tive dificuldades em explicar essa parte básica.

Ela achou um trabalho medonho e me disse com raiva: "Eu tenho que estudar pra entrar na faculdade não consigo fazer tudo isso. Não quero ser secretária para sempre."

Demorei para entender a complexidade do pensamento.

Disse que enquanto ela corrige o texto que escreve no facebook e nos relatórios ela também está estudando e aprendendo.

Disse que todos cometemos erros de português mas que é preciso um esforço.
Disse que estudamos para a vida, não apenas para passar no vestibular.

Ela deu uma risada cínica.

Há muito tempo eu entendi que nesses casos não adianta ficar irritado e com raiva.

É um caso de chip mental irremediavelmente danificado.

O meu chip mental está irremediavelmente danificado em termos de arte, música e cozinha, e nessas áreas eu não consigo associar A com B.

Eu gosto de comer bem, mas não gosto de cozinhar.

Ela gosta de ter faculdade, mas não gosta de estudar.

Em termos de processos internos há algo parecido, a discrepância são os valores.

Alguns valores devem vir de fábrica, não são acessórios nem opcionais.

Mas valores são algo MUITO difícil de argumentar.

Então se você anda cansado, irritado e estressado com as pessoas e o mundo e sente que algumas coisas realmente não vão mudar tão cedo... Então talvez a pergunta que deveriamos fazer seja...

QUE TIPO DE PAZ PODEMOS CRIAR NESSE INFERNO?

Você pode ter a tentação de responder "NENHUMA!", mas eu gostaria que pensasse comigo, enquanto ainda podemos pensar.

Com amor,

André Kummer | Coaching e Psicoterapia
Atendimento OnLine para todo Brasil - andrekummer.com.br
+55 54 99615–8721 - contato@andrekummer.com.br

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