"18 A 1" Por Tony Goes



Ando tão enojado do cenário político brasileiro que venho deixando passar em branco aqui no blog os descalabros mais recentes. Não emiti um pio sobre a acintosa troca de comando da Polícia Federal, onde assumiu um apaniguado de Sarney com o indisfarçável propósito de estancar a sangria da Lava-Jato. Nada falei sobre a destituição de Tasso Jereissati da presidência do PSDB pelo "walking dead" Aécio Neves, inclusive porque, para mim, o partido já está morto e enterrado: só voto em tucano no segundo turno se o oponente for Lula ou Bolsonazi. Mas os 18 a 1 que uma comissão especial da Câmara marcou ao aprovar a tramitação de um PL que proíbe o aborto no Brasil em qualquer caso me arrepiou os pelinhos do braço. Os 18 votos a favor vieram todos de deputados homens, a maioria da bancada da Bíblia; a única voz dissonante também foi a da única mulher presente, Erika Kokay do PT do DF. Rodrigo "Bolinha" Maia já avisou que este retrocesso não será aprovado em plenário, além do mais porque o resultado seria uma hecatombe - vai morrer MUITO mais mulher do que já morre em aborto clandestino. Obrigar alguém a levar a termo a gestação do fruto de um estupro ou de um feto anencéfalo, que não conseguirá sobreviver fora do ventre, é de uma violência absurda aos meus olhos. Mas é o tal negócio: quase todos que votaram eram homens, e  todo mundo sabe que, se os homens engravidasse o aborto seria um sacramento. E assim caminha o Brasil, nas mãos de gente que quer manter seus privilégios e o resto do país nas trevas.

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