É Tão Gay Que Extrapola!, por Diego Abrantes e André Kummer



Sim manas, estou fazendo a Mariah Carey! Explico: a bonita é tão alucinada pelo filme Meninas Malvadas (2004) que usa em várias de suas músicas citações desse clássico teenager. E eu, inspirado na plus size do agudo mais alto que possa existir, usei essa citação “too gay to function”, livremente traduzido como “tão gay que extrapola” pra trazer aqui os filmes mais babadeiros com temática gay (ou quase gay, se isso existe!). E não esperem que eu seja tão óbvio e cite a Gaiola das Loucas (1996) ou Priscilla A Rainha do Deserto (1994) que, aliás, são ótimos, mas todos já devem ter visto. Então vamos a essa listinha com dez filmes cheios de bas-fond:

1 – Studio 54 (1998): Pra quem não sabe, o Studio 54 foi um templo da dança, do hedonismo e das loucurinhas no final dos anos 1970 em NY. A cultura dos clubes noturnos muitas vezes se confunde com o próprio surgimento da cultura gay, já que naqueles tempos mais difíceis de orientação sexual mais velada, os night clubs eram palco da liberação de todas as tensões sexuais. Eram lugares onde se podia ser livre. O filme escrito e dirigido por Mark Christopher tenta ser fiel à história do clube, mas por diversos motivos é apenas uma amostra do que realmente foi. Na época de seu lançamento a Miramax ainda pertencia à Disney, e os executivos quase morreram do coração ao verem um banho de luxúria, drogas e disco music nas telas. O filme foi drasticamente cortado e editado para agradar aos executivos da Miramax e com isso mais parecia um clássico desenho da Disney. Felizmente, vários anos mais tarde o diretor consegue lançar sua versão assim como o idealizou. O filme ganhou mais 40 minutos de duração, com cenas totalmente inéditas e à altura da apoteose de loucurinhas que aconteciam naquele lugar. O mezanino era emborrachado pra facilitar a limpeza do rio de esperma que ficava por ali todas as noites. Daí vocês supõem o restante... Reza a lenda que Steve Rubell, proprietário do clube, andava com fotos polaroids dos pênis dos barmans nos bolsos para mostrar a toda espécie de celebridades que os escolhiam como carne no açougue. Grace Jones saindo nua de dentro de um bolo? Bianca Jagger montada num cavalo branco? Halston trocando figurinhas sexuais com Andy Warhol? Cenas cotidianas do Studio 54. O filme retrata a história de Shane (Ryan Philippe) que se torna barman do studio 54 e busca sua ascensão social no mundinho da noite. Ao mesmo tempo que é glamouroso, retrata também toda a podridão dos bastidores e o lado triste dos excessos. Assisgtam, se possível, à versão do diretor, muito mais apimentada.


2 – São Paulo em Hi-Fi (2013): Dando continuidade aos babados da noite, temos esse documentário dirigido pelo Lufe Steffen que retrata todos os causos da noite paulistana dos anos 1960 aos 1980 e o surgimento de casas como Medieval, Nostro Mondo e Corintho, que são retratadas no filme e foram cenários das mais badaladas festas. Depoimentos de lendas vivas como Kaká Di Polly enriquecem com detalhes todo esse resgate ao início da cultura gay no Brasil.


3 – Divinas Divas (2017): Este filme dirigido por Leandra Leal retrata o luxo, o glamour, os percalços e perrengues vividos pelas pioneiras artistas travestis do Brasil. Lendas como Rogéria, Jane de Castro, Eloina dos Leopardos deram a cara pra bater em meados dos anos 1960 para se firmarem como artistas, cantoras e performers de teatro e cinemas, assumindo importante papel na disseminação da cultura LGBT no Brasil. Pra quem bota uma peruca e sai girando por aí dizendo que é performática, imagine naquela época que elas tinham que cantar ao vivo, dançar e atuar. Era babado high level!!


4 – Parceiros da Noite (1980): Esse filme dirigido por William Friedkin (o mesmo de O Exorcista) tem como protagonista Al Pacino no auge da sua forma física, no papel do policial infiltrado na comunidade gay para tentar desvendar uma série de assassinatos brutais. Retrata toda a cultura gay leather do início dos anos 1980. O filme original foi também editado por conter muitas cenas “inapropriadas”, mas mesmo assim mantém o clima sexy e tenso. Mais um bafão sobre esse filme é que o ator James Franco naquela época piradinha dele, resolveu reconstituir os 40 minutos originalmente cortados do filme (tá tudo no youtube gente, vão lá ver...) que se chama “Interior. Leather Bar”, repleto de cenas de sexo.




5 – Sem Controle (1980): Não é tipicamente um filme gay, mas mantém toda uma atmosfera sexual instigante, embebido em cenas fortes de perseguição, motocross e juventude transloucada dos anos 1980. O filme é holandês e isso só reforça o ar underground da produção. Dirigido por Paul Verhoeven, que mais tarde faria Robocop.


6 - Três Formas de Amar (1994): Filme super fofinho que conta a história de uma moça chamada Alex que, por um erro administrativo, vai dividir quarto na universidade com mais dois garotos. Nem preciso dizer o resultado desse auê né? Lembro que assisti esse filme a primeira vez no Corujão da Globo e me marcou muito, naquela época pré internet em que a gente não tinha acesso a nada, a não ser aos catálogos de underwear masculina que a vizinha vendia hahahahaha. Tem o Stephen Baldwin que está um primor de lindeza nesse filme. Super recomendo!




7 – Luana Muniz: Filha da Lua (2017): Dona do jargão “Você tá pensando que travesti é bagunçaaa????”, Luana Muniz, a rainha da Lapa, é retratada nesse documentário. Mantinha no bairro um casarão que servia de abrigo aos diversos travestis que chegavam ao RJ sem ter abrigo. Figura ícone da cena gay carioca.



8 – Do Começo Ao Fim (2009): Mais um filme bafônico alvo de inúmeras críticas e polêmicas ao abordar o amor carnal entre dois irmãos. Um misto de choque, desejo, incômodo, tezão, culpa, tudo ao mesmo tempo!


9 – The Rocky Horror Picture Show (1975): Filme musical que retrata toda a cena glam rock de meados dos anos 1970 de uma forma muito divertida. Conta a história de um casal que pede abrigo em uma mansão após ter seu carro quebrado na estrada, só que essa mansão é palco de verdadeiros seres exóticos que cantam, dançam, celebram o amor livre de forma caricata! Foi um dos primeiros filmes da atriz Susan Sarandon. Em uma das músicas o refrão nos diz “i’m just a seet transvestie, from the transexual transilvania” (Eu sou apenas um doce travesti da Transilvânia transexual), a partir daí vocês tem idéia da esbórnia que é esse filme. Canções maravilhosas que grudam na mente! Muito glitter e exotismo pra nos fazer rir e questionar nosso status quo.



10 – A Pele Que Habito (2011): Almodóvar. Apenas assistam. Filme obrigatório!!



BONUS: O amigo André, colaborador aqui do site também deixa suas dicas de filmes, com um cunho mais introspectivo:


Nem todo mundo tem tempo, nem paciência, para ler, então filmes podem ser uma boa alternativa, mesmo que não sejam totalmente fiéis a realidade. Quando o assunto é o sofrimento psíquico causado pela construção da identidade gay, ou seja sair do armário, assumir, se descobrir gay, e todos os dilemas que acompanham isso eu indico dois filmes.

C.R.A.Z.Y. - Loucos de amor é um filme canadense de 2005 rodado, trata do dilema com o pai onde o protaganista, Zachary, é o 4º entre 5 irmãos, todos meninos.



Outro filme é ORAÇÕES PARA BOBBY, que narra a história real de Mary Griffith, vivida por Sigourney Weaver, como uma mãe presbiteriana que tenta CURAR o filho Bobby.


Se você já assistiu ótimo, se não viu veja. Guarde os filmes para indicar, emprestar para algum amigo, especialmente os jovens que estão se descobrindo e a família deles, isso ajuda. Funciona. São filmes que tratam do dilema de se descobrir gay e as reações da família. Os dilemas de viver com outros gays, amizades e relacionamentos amorosos... Isso é outra história. Se você tem alguma dica sobre filmes e séries então, por favor, compartilhe conosco, em comentários ou mensagens. Eles podem ser de GRANDE ajuda para muitas pessoas.

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