Igreja Anglicana diz que meninos devem ser livres para usar saias e saltos sem preconceitos


É prazeroso ler que, em um guia contra o bullying, o arcebispo de Canterbury,  líder espiritual da Igreja Anglicana, recomenda que professores evitem rotular e fazer comentários de gênero.

Em uma reportagem que circulou pelas mídias sociais e whatsapp nessa ultima quarta feira (14/11) o EL PAÍS trata do posicionamento da Igreja Anglicana, muito a frente das outras religiões, sobre o tratamento que os professores de suas 4.700 escolas devem dar aos seus mais de 1 milhão de privilegiados alunos.

Você pode ler a reportagem completa clicando nesse link.

“Por exemplo, um menino ou uma menina podem escolher uma saia de balé, uma tiara e saltos de princesa e/ou um capacete de bombeiro, um cinto de ferramentas e uma capa de super-herói sem expectativas ou comentários”, diz o manual, que acrescenta que as crianças estão em um período de “experimentar” em que nada é permanente, razão pela qual não é necessário corrigir qualquer rótulo. “A infância é um espaço sagrado para que cada um imagine a si mesmo criativamente”, diz o texto.

Eu estive em um seminário católico por anos e me sentiria muito feliz como padre, mas a hipocrisia vivida dentro da Igreja Católica é algo abissal, insuportável para qualquer mente razoável, e o que vi e vivi daria um livro.

Isso não quer dizer que não existam bons padres, que realmente vivem no preceito da castidade e vida simples. Mas eles são excessão, não a regra.

O posicionamento da Igreja Anglicana, ao contrário da Igreja Católica, admite a ordenação de mulheres e casamentos homossexuais e tem em suas fileiras um bispo abertamente homossexual.

Este guia para professores reconhece que existe uma ampla gama de pontos de vista entre cristãos e pessoas de diferentes religiões em relação ao casamento entre pessoas do mesmo sexo e que o assunto é espinhoso, mas lembra que “a teologia central para os cristãos é que cada um dos homens é feito à imagem de Deus e é incondicionalmente amado por Deus”.

“Devemos evitar a todo custo diminuir a dignidade de qualquer indivíduo a um estereótipo ou um problema”, pede o arcebispo de Canterbury “Este guia ajuda as escolas a oferecer a mensagem cristã de amor, alegria e celebração da humanidade sem exceção ou exclusão”.

No prefácio do guia, o arcebispo de Canterbury, Justin Welby, enfatiza que “a orientação sexual nunca deve ser motivo de assédio ou preconceito” e adverte que o bullying homofóbico, bifóbico e transfóbico causa “danos profundos que levam a níveis mais altos de distúrbios mentais, como automutilações, depressão e suicídio”.

Eu imagino que um reacionário ao se deparar com essa matéria do EL PAÍS devem pensar que a Igreja Anglicana é do Demônio e deve estar transformando todas as crianças de suas escolas em gays e toda forma pecaminosa, aos olhos deles, de seres contrários a tradicional família margarina, que nunca existiu a não ser em seus delírios.

Uso a expressão GAYS para tornar o texto bem simples, e porque é a forma simplista que reduzem toda comunidade LGBTQ e outras tantas formas de expressão que existem ou venham a existir.

Gays não querem possuir o corpo de todas as pessoas, especialmente crianças, e transformar todos em gays. Gays não tem um plano,uma teoria da conspiração, para dominar o universo.

A única coisa que queremos é o direito de viver com dignidade. É tão difícil de entender isso?


        

Comentários