"Medo de Mudanças" por André Kummer

Homorrealidade por André Kummer - Imagem de Christian Schloe
Quem nunca se viu repetindo comportamentos que havia prometido deixar para trás? Ou fazendo coisas que prejudicam a si mesmo, por mais irracional que isso pareça? Quantas vezes você se espantou com uma palavra fora de contexto que saiu no meio de uma frase? E sonhos bizarros, quem não tem?

Todas essas situações, sem relação aparente entre si, podem ser explicadas pela existência de alguma personagem interna que sabota nossas intenções e vontades. Alguns chamam de obsessão espiritual, encosto, demônios, exús… A psicanálise chama de inconsciente.

Quanto mais luz (clareza)  você levar a esses lugares desconhecidos da mente mais ampla a sua visão de si mesmo e do mundo, o seu mundo e o mundo exterior. Você torna consciente o que era inconsciente. Quanto mais consciente de si mesmo, o autoconhecimento, maior a possibilidade de lidar com os aspectos sombrios, nossos e do mundo.

A grosso modo chamamos isso de mudança. Mudamos a organização dos móveis da casa, mudamos de endereço, nosso corpo muda com o tempo… Mudança é algo prático, palpável, visível e real.

Mas como mudamos a nossa mente?

Eu penso que as pessoas não mudam. Vou explicar…

Pense que sua mente é uma sala, no meio da sala tem uma mesa de centro que você vive esbarrando nela. Um dia você descobre que se colocar a mesinha no lado do sofá ela vai ficar muito melhor e parar de atravancar seu caminho.

Você pode pensar que seria melhor botar fora a mesa. Sim, mas na nossa mente as coisas não podem simplesmente ser colocadas no lixão. A não ser que exista um grande lixão na sua mente.

E sim, algumas pessoas têm um grande lixão na mente delas. Tudo o que não serve mais, ou elas não entendem, vão para o lixão. O problema é que o lixão interno vai  aumentando e cria outro problema: lixo acumulado e não entendido vira preconceito, ódio e endurece a cabeça.

É preciso espremer o lixão cada vez mais e gera uma censura interna. Mas a força de tudo que é recalcado (o lixão ou simplesmente muitas mesinhas de centro)  terminam aparecendo no comportamento e também saindo pela boca que é o buraco mais próximo da mente.

Isso tudo é muito triste, já que a postura de ódio e censura está baseada no medo, medo do diferente, medo de viver o que se é e também deixar os outros viverem de uma maneira diferente da sua.
A pessoa fica com medo das mesinhas de centro, ou qualquer outro móvel que atrapalhe.

Isso acontece com os idiotas. Idiota significa tolo, pateta. Do grego "idiótes" que significa "pessoa leiga, sem habilidade profissional", por oposição àqueles que desenvolviam algum trabalho especializado.

A habilidade especializada que todos os humanos deveriam desenvolver deveria ser a capacidade de reorganizar os móveis da casa e reciclar seu lixão.
Mudança, no meu ponto de vista, seria apenas um entendimento básico de que as coisas estão ali por alguma razão e não basta se desfazer delas, é preciso entender porque estão alí, organizar e reciclar.

Mas os idiotas pensam que reciclar o lixão vai transformar o mundo em um puteiro sem fim, onde as pessoas andam peladas e são todos  pedófilos. Que vamos mudar para pior, como se no passado tudo fossem flores….

Bem, vamos manter o foco. As pessoas não mudam, porque não existem fórmulas mágicas para mudança.

Existe muito esforço pessoal, muita conversa, leitura de qualidade, e um trabalho árduo de reciclar seu lixão por toda vida com as ferramentas do conhecimento e do autoconhecimento.

Por que só idiotas pensam que existe um mundo onde as pessoas acordam felizes, maquiadas, tem o peso ideal, empregos dos sonhos, parceiros perfeitos e comem margarina.

        

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