"Produtora de Brasília cria filmes LGBT geniais para o YouTube" Por Ítalo Damasceno

Por Ítalo Damasceno - Vozes LGBT 
Visto no Metrópoles 

Divulgação

“Like”, “Para Eric”, “Tenho Local”, “Gorjetas”, ou o longa “Sobre nós”. Se você já viu algum desses filmes da Maca Entretenimento, então você conhece o trabalho de Thiago Cazado. A empresa está aqui na coluna de temática LGBT, mas poderia estar perfeitamente em uma página dedicada a empreendedores bem-sucedidos.

Thiago escreve os roteiros, estrela os filmes e dirige junto com seu sócio Mauro Carvalho, responsável pela técnica (fotografia, iluminação, câmera, etc). A amizade deles nasceu quando tinham 12 anos e se encontraram na admiração por Sandy e Júnior. Esta dupla se desfez, mas aquela nunca se separou.

   

Quando tinha 7 anos, Thiago queria ser o Michael Jackson. A mãe viu nisso uma propensão para o teatro e o matriculou no curso Mapati. Mas o menino só queria ser o cantor americano mesmo… e assim seguiu, hora no teatro, hora abandonando, até que há 10 anos ele escreveu e estreou sua primeira peça, “Quem inventou o amor”. Nasceu sua carreira também de dramaturgo.

Em 2013, ele e Mauro sentiram vontade de fazer um filme, “Like”. Nesse momento, as suas peças já estavam rendendo algum dinheiro e a Maca já havia nascido, mas só para ficar bonito no cartaz, colocando “Maca Apresenta” antes do título. Thiago escreveu o roteiro sem conhecer técnica e filmaram com o que tinham: um pouco de conhecimento técnico e uma câmera digital das comunzinhas. Logo a dupla percebeu que um filme no YouTube chega até o público e isso gera mais plateia nas peças. Pronto! A equação fechava perfeitamente.

Apesar de a principal plataforma de alcance serem os curtas, eles não dão muita grana. No entanto, já conquistaram mais de 1 milhão de visualizações e fazem a Maca ser conhecida, despertando o interesse para as peças. E assim a roda gira: eles apresentam a peça viajando por todo o país nos finais de semana, ganham o dinheiro e durante a semana filmam.

Mas ser um caso de sucesso não quer dizer que não existiram obstáculos. Thiago já teve até que vender o próprio carro para investir na Maca. Nesse caminho, produziram o longa “Entre Nós”, que gerou interesse de uma distribuidora internacional. O filme foi retirado do YouTube e agora é preciso pagar para vê-lo na internet.

   

A peça de trabalho atual, “Enquanto todos dormem”, sobre dois soldados que se relacionam, despertou até o interesse de uma editora e acabou sendo publicada. Mais um meio de conseguir dinheiro para produzir mais filmes. O livro agora só está disponível nos sites e na forma virtual.

É surpreendente a produção desses caras, considerando que eles não usam nada do Fundo de Apoio à Cultura, Ancine ou Lei Rouanet. Com o que ganham nas peças, compram equipamentos para filmar. Ou seja, nem mesmo alugar dos profissionais daqui eles alugam. Se eles têm, usam, se não têm, ficam sem. Isso dá agilidade para o trabalho, dando a possibilidade de fazer um curta em dois meses, considerando o tempo em que surge a ideia, o roteiro é posto no papel, a filmagem e a edição. É admirável.

Os curtas permeiam sempre o mesmo universo. Casal gay, muito romantismo, sensualidade e grandes perigos. Um romantismo que flerta com o darkness. E quando você descobre que o filme favorito do Thiago é “Edward Mãos de Tesoura”, as coisas parecem fazer ainda mais sentido.

A Maca acaba de ganhar endereço fixo, no Sudoeste, e por volta do dia 10 de setembro está saindo a sua nova produção. Eles não adiantaram nem o nome, nem a sinopse. Isso faz parte do suspense necessário para melhorar a experiência de assistir o filme.

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