Bolsonaro nega racismo, mas diz que não admite filho gay

Por Priscilla Mendes para o Gay 1


O deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) disse nesta terça-feira (29) que entendeu mal a pergunta feita pela cantora Preta Gil no programa CQC da Rede Bandeirantes, exibido nesta segunda-feira (28). Após uma pergunta da cantora, Bolsonaro declarou que não aceitaria que seu filho se apaixonasse por uma mulher negra.


O parlmamentar negou racismo e disse que não admitiria que um filho tivesse um relacionamento homossexual, e não com uma pessoa negra. - O que eu entendi é que [a pergunta era] se o meu filho tivesse relacionamento com um gay, como eu me comportaria. [...] Com todo certeza eu pisei na bola, eu não prestei atenção na pergunta. Você acha que um político ia responder aquilo?


No programa, Bolsonaro disse à cantora: “Preta, eu não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Eu não corro esse risco e meus filhos foram muito bem educados e não viveram em ambientes como lamentavelmente é o teu”. Bolsonaro disse que não há problema em ver um filho seu se relacionando com uma pessoa negra, mas que não há nenhuma chance de sua prole ter uma relação homossexual. - Meu filho teve educação para seguir os passos dele.


Quando um moleque, um filho nosso, está começando a atirar pedra na janela do vizinho, praticar pequenos furtos, ser violento e você não tem como vencer no diálogo, você não vai dar um couro nele? Se ele está começando a ficar gayzinho, vai dar um couro nele que ele entra na linha! Ao comentar o lançamento, nesta terça-feira (29), da Frente Parlamentar Mista em Defesa da cidadania LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais), o parlamentar ironizou e disse que não se trata de uma “frente”, mas sim de uma “retaguarda”. - Isso não é uma frente, é uma retaguarda parlamentar. Defender esse pessoal para quê? Que exemplo de bons costumes, ética e moral eles têm para dar para a sociedade? A frente parlamentar recolheu 171 assinaturas de parlamentares.


O grupo é encabeçado pelo deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ) e pela senadora Marta Suplicy (PT-SP) e pretende aprovar no Congresso, além da união homoafetiva, o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Bolsonaro adiantou que irá apresentar ao Conselho de Ética – onde alguns parlamentares ameaçam pedir punições ao carioca – um requerimento para que o conselho ouça suas justificativas em relação à participação no programa CQC.

Petição


Por Marcelo Cia para o Mix Brasil


Depois de comentários considerados racistas e homofóbicos veiculados em entrevista ao programa CQC, na última segunda-feira, 28, uma petição pública foi instalada em repúdio ao deputado e a essas declarações. Na manhã de terça-feira, 30/03, a petição já contava com mais de 100 mil assinaturas.


O objetivo e contar com 1 milhão de assinaturas e encaminhar a petição para a OAB (que vai pedir a cassação do deputado por quebra de decoro parlamentar), aos advogados da cantora Preta Gil (que vai processar o deputado civil e criminalmente pelas declarações) e ainda para a mesa diretora da Câmara, para que integre processos contra as posições do deputado. Para quem estiver afim de participar da petição pública, o link é ESSE.

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