01/10/2014

"Levy Fidelix, a liberdade de expressão e o discurso de ódio" Por Vitor Angelo

 


POR VITOR ANGELO para o BLOGAY
 
Estava no voo de Londres para Zurique, estava de férias, estava lendo o “The Guardian”, um importante jornal inglês, quando, o Brasil, que raramente aparece no noticiário, é citado com a manchete que diz: “Brazil presidential candidate airs homophobic rant during TV debate” (algo como em uma tradução livre: “Candidato à presidência do Brasil faz discurso homofóbico durante debate de TV”). Fiquei bastante perplexo, como o nosso 7 a 1 (que é motivo de risadas e piadinhas aqui na Europa, pensei se não era novamente mais uma goleada contra nós mesmos, ou uma reafirmação de um país que não consegue ser sério nunca). E, apesar de todo o escapismo, parece que fui fortemente tragado à confusão, desonestidade e intolerância que exatamente estava fugindo neste período do ano, com as eleições e suas paixões medonhas. Atordoado, vejo as declarações do político do PRTB (Partido Renovador Trabalhista Brasileiro), nos portais nacionais, e me deparo com algo que custo acreditar: ele incita a perseguição aos gays. Neste momento, o Blogay, que estava de férias, voltou, pois não existe férias quando o assunto grita por racionalidade, cidadania e civilidade.
 
De todo o discurso infeliz de Fidelix, pode-se tirar o trecho final como o mais hediondo: “É… Vai para a [avenida] Paulista e anda lá e vê [os gays]. É feio o negócio, né? Então, gente, vamos ter coragem somos maioria. Vamos enfrentar essa minoria. Vamos enfrentá-los, não ter medo. Dizer que sou pai, mamãe, vovô. E o mais importante é que esses que têm esses problemas realmente seja atendidos no plano psicológico e afetivo, mas bem longe da gente. Bem longe, mesmo, porque aqui não dá”.
 
Nele existe a incitação de enfrentamento e banimento, o mesmo discurso usado pelo apartheid na África do Sul contra os negros e pelos nazistas alemães contra os judeus. Enfrentar e extirpar, agora, a bola da vez: os gays. Apesar das correlações óbvias com o autoritarismo mais radical, muita gente comentou que era liberdade de expressão, que ele estava dando “apenas” sua opinião.
 
Se pensarmos como o linguista americano Noam Chomsky, podemos até considerar que é liberdade de expressão. Ele mesmo levou a fundo a frase do filósofo iluminista francês Voltaire: “Posso não concordar com o que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo”. Assim, nos anos 80, ele, que criticou o nazismo de forma contundente, fez o prefácio de um livro do historiador francês Robert Faurisson que defendia a negação do Holocausto. Mas, seguindo este caminho, percebemos que a tal liberdade de expressão é uma rua de mão dupla, existe um interlocutor, uma resposta, o outro que também tem a liberdade de responder, principalmente se sentiu na tal “opinião” um sentimento de ofensa, como os judeus, no caso de Chomsky, ou os gays, no caso de Fidelix. Pois bem, tanto a reputação de Faurisson como, principalmente, a de Chomsky foram intelectualmente desmoralizadas depois deste ato por boa parte da inteligência francesa, que também emitiu sua opinião sobre a opinião deles. Até porque aí entra uma outra definição de liberdade de expressão que diz que ela termina onde começa a do outro.
 
O que é importante notar que a liberdade de expressão não é um bem em si, por exemplo, não existe nenhum ato de bravura ou nobreza em dizer: “eu te odeio e vou te matar”, ou “a maioria irá esmagar a minoria e baní-la para bem longe”. Exatamente por isto, também é tolo quem acredita que Fidelix foi corajoso. Ele fez o discurso da exaltação de uma “maioria” contra um grupo, como fizeram e fazem os piores ditadores, e os risinhos da plateia presente no debate não o negam. Discurso corajoso é jogador de futebol declarar-se transexual, galã de novela assumir-se gay, Daniela Mercury afirmar que ama outra mulher. A coragem de sair do consenso! A fala de Fidelix é de fundo covarde e mesquinha.
 
Outra agravante da chamada liberdade de expressão na democracia é o seu próprio paradoxo. É o único sistema que o discurso contra a própria democracia ou a própria liberdade de expressão podem ser feitos sem acarretar opressões pesadas como nos regimes totalitários. Usa-se a liberdade de expressão para ir contra a sua própria essência, estimulando fobias e preconceitos como no caso da fala de Fidelix. Por isto é vital ter a vigília pelo que chamamos de liberdade de expressão, para que seus excessos usados de forma leviana como fez Levy, em última instância, não acabem exterminando-a.
 
Enfim, tudo isto porque usa-se a liberdade de expressão para esconder algo tenebroso: o discurso de ódio. Fingindo-se ser libertário, você aniquila, prende e persegue uma minoria como diz o próprio Fidelix: “gente, vamos ter coragem somos maioria. Vamos enfrentar essa minoria. Vamos enfrentá-los, não ter medo”. Ele incita o pior no ser humano, o ódio ao outro. Um ódio em pacto com uma plateia complacente, moderadores despreparados e os outros candidatos silenciosos diante tanta barbárie. A sorte que contra a barbárie, existe a civilização e ela está se mobilizando, em forma de protestos, processos e denúncias contra Fidelix, o homem que trouxe as trevas ao debate político.


Abraço de irmãos acaba em ataque homofóbico e morte na Bahia

 
POR RODRIGO MENESES/AG. A TARDE
Visto em O Globo
 
Um notícia de 2012 mas que explica o perigo da Homofobia.
 
Gêmeos foram confundidos com homossexuais por grupo de oito agressores
 
José Leonardo da Silva, 22 anos, não imaginava que o gesto inocente de caminhar abraçado com seu irmão gêmeo, José Leandro, despertaria a ira de outros homens. Os gêmeos foram espancados por cerca de oito pessoas na madrugada do último domingo (24) quando voltavam do Camaforró, na cidade de Camaçari (Grande Salvador). Leonardo morreu no local ao receber várias pedradas na cabeça, enquanto Leandro foi levado ao Hospital Geral de Camaçari com um afundamento na face, mas já recebeu alta.
 
Os agressores, que não tinham passagem na polícia, foram presos no mesmo dia do crime e estão custodiados na 18ª Delegacia (Camaçari). Segundo a delegada da 18ª DT, Maria Tereza Santos Silva, trata-se de um crime de homofobia
 
- Pensaram que eles fossem um casal homossexual. Os agressores e as vítimas não se conheciam e não tiveram nenhuma briga anterior, por isso acho que a motivação seja a homofobia - explica.
A delegada relata que o grupo desceu de um micro-ônibus ao ver os gêmeos abraçados e iniciou as agressões.
 
- Eles alegaram que acharam que era um homem e uma mulher brigando - conta Maria Tereza. Após as investigações, ela indiciou três das sete pessoas conduzidas para a delegacia. Douglas dos Santos Estrela, 19; Adriano Santos Lopes da Silva, 21; e Adan Jorge Araújo Benevides, 22; foram autuados em flagrante por homicídio qualificado (por motivo fútil) e formação de quadrilha. Diogo dos Santos Estrela, irmão de Douglas, está foragido.
 
Segundo a delegada Maria Tereza, durante as agressões, Leonardo reagiu, conseguiu tomar a faca da mão de Diogo e saiu caminhando. Ao ver Leonardo com a faca que pertencia a Diogo, Douglas perguntou onde estava seu irmão.
 
- Leonardo respondeu que não sabia. Douglas pediu para ele largar a faca e conversar. Depois, Adriano meteu um paralelepípedo na cabeça de Leonardo e Douglas pegou a mesma pedra e golpeou várias vezes a cabeça da vítima - relata a delegada Maria Tereza. Adan foi o que desferiu os socos que provocaram o afundamento na face de Leandro, que sobreviveu.
 
Para a delegada Maria Tereza, o crime contra os gêmeos mostra um problema social.
 
- Estamos no século 21 e matar uma pessoa porque é homossexual é um absurdo. Um jovem pagou com a vida porque foi confundido com um gay - destaca a delegada. O presidente do Grupo Gay da Bahia (GGB), Marcelo Cerqueira, afirma que o episódio demonstra claramente o grau de homofobia cultural presente na sociedade.
 
- Esse caso mostra o perigo que é ser homossexual e demonstrar carinho em público. A gente repudia a situação e chama a atenção para a aprovação da lei que torna a homofobia crime no Brasil. Enquanto isso não acontecer, muitos casos vão se repetir - ressalta.

- Defender os direitos dos homossexuais é defender os direitos humanos - completa.
 
Em julho do ano passado, um caso semelhante ocorreu no interior de São Paulo, na cidade de São João da Boa Vista. Pai e filho foram espancados em uma feira agropecuária porque estavam abraçados, assistindo às apresentações, quando um grupo com sete homens se aproximou e perguntou se eles eram gays.
 
O pai explicou que não, e o grupo foi embora, mas voltou logo depois e começou uma sessão de espancamento contra os dois.

 

"CARTA ABERTA AO Sr. LEVY FIDELIX" Por Samuel Lloyd



Senhor Levy Fidelix,
 
Obrigado por se despir ontem a noite, em rede nacional, pelo debate da rede Record. Foi elucidativo assitirmos o seu fiasco ao agir sobre pressão. Já iniciou desarmado com um “Jogo pesado ai agora hein(!), nessa ai você jamais deveria entrar”, vimos um candidato incapaz de lidar com pressões simples como uma pergunta de um debate político. Deixou cair sua máscara de “defensor da familia” para mostrar sua verdadeira face neo-nazista soltando um “Vá pra Paulista e anda lá e vê, é feio o negócio!” ou pior “esses que tenham esses problemas que sejam atendidos no plano psicológico e afetivo mas bem longe da gente.” Fiquei com a dúvida se a vontade do senhor seria a de mandar todos nós para campos de concentração. Agora, as famílias brasileiras podem reconfirmar a não opção pelo seu nome como já refletem as pesquisas das intenções de voto.
 
Obrigado por nos deixar esclarecer melhor para todo o Brasil e ao mundo que a discussão sobre os direitos da minoria LGBT tomou um lugar de destaque nas eleições deste ano, pela primeria vez na nossa história. E, por nos dar a oportunidade de reiterar que a nossa República tem três poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário. Por decisão deste último, baseado na nossa Constituição Federal, eu posso escrever esta carta devidademente casado com um marido, do mesmo sexo, e termos nossos direitos reconhecidos.
 
Obrigado por dar a chance da também candidata, Luciana Genro, esclarecer o porque, mesmo sendo reconhecido no Brasil, ainda discutimos o casamento homoafetivo. Uma vez que queremos que ele seja expresso nas nossas leis, como uma ação afirmativa e de garantia de direitos e que não fique mais sujeito a decisão de um julgamento do Supremo Tribunal Federal.
 
Lamentável seu discurso evidenciar também sua falta de educação básica ao dizer que “O Papa fez muito bem em expulsar do Vaticano um pedófilo” deixou claro que o senhor não entende que a Pedofilia é crime praticado por pessoas de todas as orientações sexuais e não tem absolutamente nenhuma relação com os direitos LGBT.
 
Obrigado por expor sua total incapacidade de entender que o Estado é Laico e o papel ao qual se candidata a assumir uma vez que não consegue delimitar a alçada de atuação de um Presidente da República. Aliás, nenhum dos três poderes da nossa república pode regulamentar o que é de foro íntimo como o sexo. Não é papel do Estado discutir como as pessoas se relacionam sexualmente, mas lamentavelmente os “fundamentalistas” insistem em estatizar esta questão.
 
Estamos cientes de que o “Aparelho excretor não se reproduz”, e, infelizmente, o senhor não é uma excessão a essa regra. Mas, dá ainda mais espaço para trazermos informações aos meus colegas eleitores. Há casais heterosexuais que não querem se reproduzir e são felizes assim, há aqueles que exploram todas as potencialidades do corpo humano e outros até que não fazem sexo. Há também muitos (!) casais homosexuais que não utilizam o “aparelho excretor” para se relacionar sexualmente. Mas, isso tudo não é da minha conta e nem da sua. Mais uma vez, não está no escopo do Estado discutir o que é de foro íntimo.
 
A reprodução humana não é uma condição do casamento civil. Talvez, este seja um dogma da sua religião. O Casamento Civil é DIFERENTE do Casamento Religioso. O Casamento Civil NÃO é um SACRAMENTO, é um contrato entre duas pessoas e o Estado, que determina as regras sobre o começo e o fim da personalidade, o nome, a capacidade e os direitos de família.
 
Ainda sobre o sexo, reprodução e o Estado. Garantir por lei o direito ao casamento civil às uniões homoafetivas não altera em absolutamente nada os direitos dos casais heterosexuais. Não há como “Escorar essa minoria à maioria do povo brasileiro” apenas desejamos respeito à nossa realidade. Também não será a mudança na legislação que fará com que um país de “200 milhões de habitantes se reduza a 100”. Os brasileiros são bem resolvidos acerca de sua sexualidade, o senhor tem dúvida quanto a sua? Acredita que um novo direito possa convecê-lo a dar outro uso ao seu aparelho excretor?
 
Obrigado, Fidelix, por nos lembrar que o Brasil é o país do sincretismo religioso, uma mistura só e deliciosa de crenças e valores. Aqui nós acreditamos em Jesus, nos Orixás, no Alcorão, no Torá, em Allan Kardec, na Kabbalah, na Astrologia, no poder dos cristais, nos campos energéticos, etc. Muitos não acreditam em absolutamente nada e outros desconfiam de quase tudo. Mas nós vivemos em harmonia sobre este quesito há muito tempo.
 
Finalmente, obrigado por sair do armário e trazer este importante debate junto contigo. Por me fazer lembrar de tantas coisas boas, de como sou feliz e que ainda há muito a ser feito pelos direitos da minha família, por este país e pelas pessoas de bem.
 
Grato,
Samuel Lloyd

Jim Ferlo, senador da Pensilvânia, declara sua homossexualidade


Visto no Portugal Gay

Num encontro para exigir a ampliação da definição de crimes de ódio na Pensilvânia, para que inclua proteção às pessoas LGBT, o senador Jim Ferlo declarou pela primeira vez a sua homossexualidade.

“Milhares de pessoas sabem que eu sou gay. Só nunca fiz uma declaração oficial. Nunca senti necessidade de o escrever na testa. Mas sou gay. Aceitem-no. Adoro sê-lo. É uma vida excelente.”

O senador democrata estava acompanhado por Brian Sims, o democrata responsável pela organização do movimento que pretende a inclusão da discriminação de pessoas LGBT nos crimes de ódio.

O encontro deu-se após três pessoas terem sido acusadas pelo ataque a um casal gay.

Veja direto no Portugal Gay

Brasil já registra 218 assassinatos de homossexuais este ano


Visto na EBC

Enquanto no Chile, onde a população total é quase 18 milhões de pessoas, ocorreram quatro assassinatos de transexuais, travestis, lésbicas, bissexuais ou gays (LGBT) no ano passado, no Brasil, com mais de 200 milhões de habitantes, o número foi 313 homicídios, segundo levantamento feito pelo Grupo Gay da Bahia (GGB). “Comparei esses índices e vi que a chance de um LGBT ser assassinado aqui é 80 vezes maior”, explicou o antropólogo Luiz Mott, um dos pioneiros do movimento no país.

Mott é o responsável pela pesquisa feita há mais de dez anos e baseada em notícias divulgadas pela imprensa e denúncias coletadas principalmente em cidades do interior do país, onde as estruturas de garantia de direitos humanos é mais precária. Segundo ele, 44% dos casos de homofobia letal identificados em todo o mundo ocorrem em território brasileiro.

Só no último mês foram registradas 16 ocorrências. De janeiro até hoje, foram 218 mortes de LGBT no país, dos quais 71 por tiros, 70 a facadas, 21 espancados, 20 por asfixia, 11 a pauladas e seis apedrejados, entre outros.

Apesar dos números apontarem que a maior parte dos casos envolvem gays (124), Mott explicou que os transexuais são, proporcionalmente, os mais afetados pelos crimes. “Enquanto os gays representam 10% da população, cerca de 20 milhões, as travestis não chegam a 1 milhão e têm número de assassinatos quase igual ao de gays”. Este ano, 84 travestis foram assassinadas, número bem superior ao de lésbicas (cinco) e bissexuais (dois).

“Nunca se matou tantos gays e, sobretudo, lésbicas, que teve um número muito maior de assassinatos do que em anos anteriores”, lamentou Mott. Ele acredita que a única forma de redução de ocorrências fatais seria a criminalização da homofobia. Luiz Mott ressaltou que há um Brasil cor-de-rosa das paradas gays e um Brasil vermelho “que pode ser representado pelos crimes e por amostras dadas por pessoas públicas como [o candidato à Presidência da República] Levy Fidelix (PRTB). Se ele tivesse falado metade do que disse sobre negros já estaria preso”, destacou.

Fidelix declarou em um debate na TV Record, no domingo (28), que homossexuais precisam de atendimento psicológico e comparou a homossexualidade à pedofilia. Desde que a declaração foi feita, quase 3 mil denúncias de violação dos direitos da populac a o de transexuais, travestis, lésbicas, bissexuais e gays foram registradas pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR) por meio de números como o Disque 100 e o Ligue 180, segundo assessoria de imprensa do órgão.

A reportagem da Agência Brasil tentou contato com os responsáveis pela estatística, mas até o fechamento da matéria não foram indicados nomes que pudessem comentar os números e por que foi feita a relação entre a declaração do candidato e o volume de denúncias.

No Congresso Nacional, tramita, desde 2006 um projeto que altera a Lei 7.716, de janeiro de 1989, que trata dos crimes de preconceito de raça ou de cor, criminalizando a homofobia e incluindo a prática na lei. O texto está na Comissão de Constituição e Justiça do Senado desde o final do ano passado aguardando votação.

No cenário internacional, o Brasil liderou, ao lado de Uruguai, Chile e Colômbia, uma resolução que foi aprovada na semana passada pela Organização das Nações Unidas (ONU), estabelecendo que a entidade apresente um estudo sobre as violações contra homossexuais ocorridas no mundo. Essa resolução é um segmento de uma outra apresentada em 2011 sobre o mesmo tema”, explicou Camila Asano, coordenadora de Política Externa da organização não governamental Conectas Direitos Humanos, que desde janeiro de 2006, tem papel consultivo na organização.

Segundo ela, depois da apresentação do primeiro estudo sobre casos de violência, elaborado pela ONU, o tema perdeu espaço nas discussões da organização. Para Camila Asano, a nova resolução é uma maneira de assegurar as conquistas de três anos atrás. “Os grandes feitos dessa resolução, que o Brasil foi líder junto com a África do Sul, foram reconhecer como direito humano a orientação sexual e a identidade de gênero e de condenar a violência e a discriminação”, explicou.

A coordenadora da Conectas, que acompanhou as negociações na reunião deste ano, em Genebra, lembrou que a diplomacia brasileira precisou redobrar esforços para aprovar o texto que foi aprovado num placar de 25 votos favoráveis, 14 contrários e sete abstenções. “A resolução acabou gerando uma ira muito forte de países conservadores, como alguns africanos que criminalizam os homossexuais, como os islâmicos. O Brasil teve que usar de toda sua capacidade e vantagem diplomática para fazer a negociação e fazer com que o texto fosse aprovado. É uma vitória histórica”, disse.

Veja direto na EBC

Trilha Especial: "Tu de Rojo y Yo Amarillo" - Jaime Kohen

30/09/2014

#VoteLGBT, a plataforma brasileira que quer aumentar a representatividade dos pró-LGBT


Visto no Dezanove

Pensando nas eleições presidenciais brasileiras, no próximo dia 5 de Outubro, foi lançada o #VoteLGBT, uma campanha suprapartidária com o objetivo de aumentar a representatividade de defensores de direitos LGBT.

A campanha pretende mapear todos os candidatos a senadores e a deputados estaduais e federais que assumam abertamente, em material de campanha, propostas que contemplem os direitos civis de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais. Todos os candidatos identificados estão presentes no site http://votelgbt.org

Além disso, cada candidato tem a oportunidade de responder a uma mini-entrevista sobre o tema.A iniciativa surgiu num contexto alarmante para a comunidade LGBT brasileira, adiantam os promotores, uma vez que o Brasil é o país com maior número de assassinatos por LGBTfobia no mundo.

Segundo o Grupo Gay da Bahia, uma pessoa é morta a cada 28 horas no país. Os promotores da iniciativa consideram que o resultado das eleições de 2014 pode significar grandes retrocessos ou grandes avanços nas políticas públicas para Direitos Humanos.

"A bancada evangélica do Congresso Nacional, que elegeu 36 integrantes em 2006, saltou para 73 parlamentares nas eleições de 2010. O resultado disso é conhecido: LGBTfóbicos tomaram a Comissão de Direitos Humanos e Minorias, o projecto de 'cura gay' quase foi votado, a presidenta foi pressionada a vetar o kit Escola sem Homofobia. E, neste ano, há um aumento de 47% de candidatos que utilizam o título de pastor no nome da urna", descrevem os promotores do #VoteLGBT.

Veja direto no Dezanove

Trilha Especial: "Long Days, Hot Nights" - Sirens Of Lesbos

29/09/2014

Pai de transexual, Marcelo Tas fala sobre filho: "aceitei e acolhi"



Visto no Correio

De acordo com o âncora da bancada do CQC, da Band, a filha assumiu a bissexualidade aos 15 anos e a transexualidade aos 22


O apresentador Marcelo Tas é engajado na luta contra a homofobia. Pai de Luiza, que mudou de sexo e se transformou em Luc, ele disse que lidou com a questão naturalmente. Atualmente, o filho do apresentador vive nos Estados Unidos.

De acordo com o âncora da bancada do CQC, da Band, a filha assumiu a bissexualidade aos 15 anos e virou transexual aos 22, quando começou a atuar como advogado nos Estados Unidos. Tas não ficou abalado com a notícia. "Talvez eu faça parte de uma primeira safra de pais que souberam acolher e tratar com mais naturalidade a questão de forma transparente. Aceitei e acolhi", disse o apresentador em entrevista ao blog de Leo Dias.

Diferente de muitos pais, Tas garante ser muito sortudo por ter um filho como Luc. O amor e o companhismo são recíprocos. "Sou muito sortudo. A realidade é que minha família sempre me apoiou em tudo. Eu contei que era bi quando ainda era muito novo, e eles nem piscaram. Quanto a eu ser trans, acredito que foi um pouco mais difícil, tanto para mim quanto para eles", disse o filho do apresentador, que garante ser chamado de "ele" por todos os familiares.

Além de Luc, Marcelo Tas tem mais dois filhos, Miguel e Clarice, de 13 e 9 anos, respectivamente. Ele conta que ambos aceitaram a decisão do irmão e lidaram com muita naturalidade.

"Clarice na hora rebateu que ela sempre percebeu que o Luc não gostava de usar roupas femininas e que tinha certeza de que ele estava fazendo a coisa certa. E ela concluiu com uma tirada incrível: 'E a gente só tem que fazer uma coisa, passar a chamar ela de ele. Só isso!'. Eu fico surpreso e até esperançoso de ver como as crianças nos ensinam a tratar assuntos aparentemente espinhosos e complicados de uma forma generosa e elevada", completou.

Veja direto no Correio

Ativistas LGBT organizam ação judicial coletiva contra o candidato Levy Fidelix


Visto na Revista Fórum 
Por Marcelo Hailer

O TSE declarou que, para punir o candidato, tem de ser acionado externamente. De acordo com ativista do Coletivo de Feministas Lésbicas, mais de 200 pessoas já estão mobilizadas para encaminhar uma ação judicial coletiva e acionar o Tribunal

As declarações homofóbicas do candidato à presidência da República, Levy Fidélix (PRTB), no debate de ontem (28), realizado pela TV Record, causaram revolta na comunidade LGBT e em defensores dos Direitos Humanos em geral. Um protesto contra o candidato está agendado para este fim de semana e agora ativistas estão organizando uma ação judicial coletiva contra Fidelix por incitação ao ódio e danos morais coletivos.

Ao ser questionado pela candidata Luciana Genro (PSOL) a respeito da criminalização da homo-transfobia e casamento igualitário, Levy Fidélix iniciou dizendo que se tratava de “um assunto pesado” e que era preciso “reagir” contra a população LGBT. “O Brasil tem 200 milhões de habitantes, daqui a pouquinho vai reduzir para cem. Vai para a Paulista, anda lá e vê, é feio o negócio, né? Então, gente, vamos ter coragem. Nós somos maioria, vamos enfrentar essa minoria. Vamos enfrentá-los. Não tenha medo de dizer que ‘sou pai, uma mãe, vovô’, e o mais importante é que esses que têm esses problemas realmente sejam atendidos no plano psicológico e afetivo, mas bem longe da gente, bem longe mesmo porque aqui não dá”, declarou.

Logo depois da resposta homofóbica, o assunto viralizou na rede. Várias manifestações foram organizadas e, indignados, ativistas questionavam a possibilidade de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) punir o candidato por discurso de ódio e incitação à violência. À reportagem da revista Fórum, a assessoria de comunicação do TSE declarou que, para o Tribunal agir, é necessário que ele seja acionado externamente.

De acordo com a ativista do Coletivo de Feministas Lésbicas (CFL), Irina Karla, mais de 200 pessoas já estão mobilizadas para encaminhar uma ação judicial coletiva e acionar o TSE. Como o debate foi realizado no estado de São Paulo, os ativistas também pretendem enquadrar Levy Fidelix na lei estadual 10.948/02, que pune atos homofóbico; entre eles, discursos de ódio.

Por fim, Irina Karla afirmou que o discurso do candidato, em pleno debate eleitoral, pode encorajar pessoas a agredirem LGBTs. “Ao ouvir o candidato associar a pedofilia à homossexualidade, me senti ofendida. Não sou criminosa, nunca abusei de uma criança. E ainda continuou dizendo que é só olhar para a Paulista, que a coisa está feia lá. Nos últimos três anos, nós não andamos mais tranquilos na Paulista, temos medo de levar lampadadas no rosto, de apanhar, de sermos agredidos, como vamos andar tranquilos lá? Será que as pessoas que já nos agrediam não vão se sentir mais encorajadas a isso? E ainda, para piorar, termina dizendo ‘vamos enfrentar essa minoria’ e que nos quer vivendo bem longe, fazendo lembrar de quando nos colocavam isolados, em clínicas, como doentes ou, ainda pior e mais agressivo, em campos de concentração”, criticou a ativista.

Veja direto na Revista Fórum