27/08/2014

"O país e o armário" Por Gregorio Duvivier

 
Por Gregorio Duvivier para a FOLHA

"Todo ano, um milhão de mulheres fazem aborto na França. Eu sou uma dessas mulheres. Eu abortei." O manifesto foi assinado por 343 mulheres e publicado no Nouvel Observateur, em 1971.
 
O Estado francês tinha duas opções: prender essas mulheres ou reconhecer que elas não fizeram nada de errado. O Estado não prenderia 343 mulheres. Ou melhor: não essas mulheres. Dentre as assinaturas, estavam as de Ariane Mnouchkine, Catherine Deneuve, Jeanne Moreau, Marguerite Duras. A redatora do manifesto era ninguém menos que Simone de Beauvoir. Não prenderam ninguém.
 
A esse manifesto, seguiram-se outros: 331 médicos assumiram-se a favor da causa. Na Alemanha, mais 374 mulheres assinaram um manifesto em que diziam: Wir haben abgetrieben. Nós abortamos. Entre as mulheres, Romy Schneider e Senta Berger. Em 1975 o aborto deixa de ser crime na França e passa a ser chamado de "interrupção voluntária de gravidez". A interrupção passa a ser "livre e gratuita" até a décima semana de gestação.
 
Estamos muito longe dessa lei por aqui. Nenhum dos candidatos a presidente parece interessado em discuti-la. Tampouco a classe artística está interessada em sair do armário nesse assunto.
 
O Brasil vai na direção oposta. É constrangedor ver todos os principais candidatos se estapeando pelo eleitorado conservador. Não se trata de propor mudanças, trata-se de vender apego à tradição. "Você me conhece, sabe que eu sou o que mais acredita em Deus, o que mais passou longe de dar a bunda, de cheirar pó, olhem só como a minha é filha virgem, olhem só como o meu filho é hétero." Todos estão desesperados pelo voto conservador. Estranhamente, ninguém está nem aí pro voto aborteiro.
 
Se as eleições, como anuncia o plantão da Globo, são a festa da democracia, essa festa, Dona Globo, está meio caída -ou fui eu que bebi pouco. Na minha opinião, tem pastor demais e maconha de menos. A maioria dos candidatos não fede nem cheira -a não ser um deles, que cheira. Um amigo gay outro dia disse que "levantar bandeira é cafona e quem sai do armário é porque quer atenção". Amigo, tudo bem, ninguém é obrigado a sair do armário. Mas você não precisa trancar a porta por dentro.
 
Sair do armário não é um ato exibicionista. Levantar bandeira também não. O manifesto das 343 vagabundas, como ficou conhecido, não permitiu às manifestantes que elas fizessem um aborto. Elas já o tinham feito. Permitiu às suas filhas e netas.
 
Ateus, maconheiros, vagabundas, pederastas, sapatões e travestis do mundo: uni-vos. Porque o lado de lá tá bem juntinho.

Conheça Glorinha K.Y., a especialista em etiqueta gay que quer mudar sua vida

Por Nelson Sheep para o Super Pride
 
Quem foi que disse que todo gay é chique, elegante, que sabe tudo sobre etiqueta?
 
Pois esse é um dos estereótipos mais comuns que são agregados ao nosso comportamento, mas não é uma regra. Regra mesmo é que toda terça-feira tem que ter vídeo novo do Põe na Roda.
 
E nesta semana, a gente resolveu prestar uma homenagem à Glorinha Kalil, uma das especialistas em finesse mais respeitada do Brasil. Em nossas mãos, a jornalista se transformou em Glória Kardashian Young, que você pode chamar de Glorinha K.Y., graças  a brilhante interpretação de Rapha Vélles. Ela será responsável por responder às suas dúvidas sobre moda, comportamento, relacionamento e etc.
 
No primeiro programa, Glorinha vai falar sobre cheque, mudança de sexo, gays no armário e a temida pinta, que todo homossexual dá. Esperamos que você curta!
 
Alô, bitches!
 

26/08/2014

Humor: Opção Sexual? (Põe Na Roda)


Escola gaúcha produz curta premiado “Meninos & Meninas” sobre adolescentes gays

Visto na Revista Lado A

Alunos da Escola Estadual Augusto Meyer, de Guaíba, na Grande Porto Alegre, produziram, no ano passado, em parceria com o projeto Terra Cambará, o curta “Meninos & Meninas”, premiado no festival de Cinema Estudantil de Santa Maria no ano passado com o prêmio de melhor filme e com o troféu de melhor ator. O filme narra sobre dois meninos que foram pegos namorando na escola e o desenrolar desta situação banal.

O bullying por parte dos outros alunos começa como a história foi contada pelos outros estudantes. Depois, a diretora do colégio também não é muito complacente com a situação, dá uma bronca neles e manda que eles levem um bilhete para casa que explica o ocorrido e pede para que os pais assinem, caso contrário não poderão entrar na escola. Só que os pais de um deles não sabe que ele é gay. Então, ele combina com uma amiga fingir ser sua namorada e contar uma história que convença o pai de que foi um mal entendido.

O bullying, preconceito dos pais, sair do armário, o heterossexismo da sociedade, além da pressão sobre os adolescentes gays são alguns dos temas debatidos no singelo trabalho. Em estilo malhação, o projeto é simples mas manda um lindo recado direto aos pais e professores.


 

25/08/2014

Fotógrafo transexual documenta processo de mudança de aparência feminina para masculina em série

 
Por Amauri Arrais para a Revista Marie Claire
 
"Female to Male" (De feminino para masculino) mostra transformação do canadense Wynne Neilly por meio de imagens, registros da mudança de voz e objetos pessoais. "Meu trabalho me ajudou a me sentir melhor em ser aberto sobre minha identidade trans", disse à Marie Claire
 
O canadense Wynne Neilly é um fotógrafo que se especializou em flagrar, por meio de seus retratos, as diferentes formas de expressão de gênero. Recentemente, ele resolveu voltar o foco para si mesmo e documentar sua jornada de uma aparência feminina para uma masculina.
 
Batizado de “Female to ‘Male’” (De feminino para masculino), o projeto mostra a transformação do corpo do artista ao se submeter ao tratamento hormonal por meio de fotos, registros da sua mudança de voz e objetos que representam algum momento da jornada.  Nas imagens, feitas a cada semana ao longo de meses –ele continua a fazê-las-, o artista anota a data e a quantidade de testosterona que lhe foi administrada: “100 mg”.
 
“Eu venho fotografando a comunidade gay/trans em Toronto há algum tempo, mas nunca tive acesso à intimidade de alguém que passa por essa transição física. Eu estava prestes a passar por essa 'segunda puberdade' e tinha certeza que queria fotografar a mim mesmo a cada semana pelo tempo que sentisse necessário“, contou Neilly à Marie Claire em entrevista por e-mail da cidade canadense, onde o trabalho ganhou sua primeira exposição.

Até mesmo o “male” do título do projeto, entre aspas, diz algo sobre a experiência pessoal do fotógrafo, que se identifica como trans e rechaça a ideia de que todos os indivíduos que se submetem a mudanças de gênero querem ser reconhecidos como homem ou mulher, numa perspectiva heterossexual. “Colocar entre aspas põe em xeque o estigma do que significa ser um indivíduo trans masculino, de que há um só tipo de experiência transexual.”
 
Confira os principais trechos da conversa.
 
Marie Claire - Por que você decidiu documentar seu processo de transição?
Wynne Neilly - Porque eu me identifico como transexual, um artista visual gay, estou sempre pensando sobre como meus ambientes e experiências gays podem ser traduzidos conceitualmente em arte. Assim que decidi começar a fazer o tratamento hormonal senti que era essa experiência que eu queria ser capaz de olhar para trás e analisar em sua totalidade, em algum momento no futuro. Eu venho fotografando a comunidade gay/trans em Toronto há algum tempo, mas nunca tive acesso à intimidade de alguém que passa por essa transição física. Eu estava prestes a passar por essa “segunda puberdade” e tinha certeza que queria fotografar a mim mesmo a cada semana pelo tempo que sentisse necessário.
 
MC - Desde o início, você sabia que queria transformar o material em um projeto artístico?
WN - Eu não tinha uma câmera digital nessa época porque tinha vendido a minha para juntar dinheiro para a mamoplastia [cirurgia plástica de transformação das mamas femininas em masculinas], então usei uma câmera automática bem barata e comecei pedindo a amigos e companheiros de apartamento para tirar as fotos toda sexta-feira (o dia em que tomo a dose de testosterona). Eu não sabia para onde o projeto estava indo quando comecei essa rotina, mas minha prioridade era poder ter uma representação visual dos estágios dessa minha transição. Ao mesmo tempo que comecei a fotografar a mim mesmo, tive contato com os coordenadores e diretores do Ryerson Image Centre [local da exposição]. Depois de verem meu trabalho, chegamos a um acordo que seria uma boa ideia seguir com o projeto e transformar em uma exposição multifacetada da minha experiência.
 
MC - Em geral, transexuais costumam não gostar de ver a imagem ou ouvir a voz antes da transição e você fez exatamente o contrário. Foi um processo difícil?
WN - Sempre será estranho ouvir minha voz antiga e ver minhas imagens de um tempo atrás, mas isso não me afeta tanto porque eu sei que não pareço nem tenho mais aquela voz. É realmente recompensador olhar todas as imagens juntas e ver como mudei. É o que eu mais gosto no projeto como um todo.
 
MC - Seus projetos anteriores também examinam expressões de gênero. Você diria que seu trabalho influenciou sua experiência pessoal de algum modo?
WN - De maneira alguma. Eu sempre fui gay e meu gênero nunca teve nada de binário. Acho que meu trabalho me ajudou a me sentir melhor em ser aberto sobre minha identidade trans, mas definitivamente não teve influência no processo de transição.
 
MC - Por quanto tempo você já documentou sua transição? Pretende fazer um novo projeto no futuro?
WN - Não tenho certeza de quando vou parar de documentar. Não vejo nenhuma razão para parar agora e espero continuar a me fotografar pelos próximos anos. Eu certamente quero exibir esse trabalho de novo quando tiver mais material ao longo do tempo.
 
MC - Como tem sido a reação do público nesta primeira exposição?
WN - Recebi uma maioria esmagadora de reações positivas da exposição. Muitas pessoas tiveram uma reação muito visceral, o que me surpreendeu. É realmente incrível colocar tanto de você e do seu trabalho em um projeto e ver que posso provocar a emoção do público. Tenho tido muito amor e apoio das pessoas aqui de Toronto. É maravilhoso.

MC - Já recebeu algum convite para expor o projeto em outros lugares?
WN - Ainda não. Espero mostrar este trabalho o máximo possível. Gostaria muito que fosse exposto em outros lugares fora do Canadá.



"Professor gay compartilha carta de agradecimento de aluno hétero" Por Marcio Caparica

 
Por Marcio Caparica para o Lado Bi
 
Quatro anos depois de sair do armário para a escola toda, David Weston recebeu e-mail de ex-aluno
 
David Weston era um professor de ensino médio numa escola na cidade de Hertfordshire, na Inglaterra. Em 2010 ele decidiu sair do armário num evento da escola, depois de lutar por quatro anos contra uma doença de fígado rara. “Eu precisei fazer um transplante”, ele contou ao jornal britânico Metro. “Enquanto eu me recuperava no hospital, eu decidi tomar uma atitude que fizesse diferença. Todos na escola apoiaram minha decisão, e a reação foi muito positiva.”
 
Quatro anos mais tarde, o professor pôde atestar a importância que seu gesto teve na vida de seus alunos ao receber um e-mail de agradecimento de um aluno hétero. Weston compartilhou a mensagem em sua conta no Twitter.
 
Olá David,
 
Eu sei que você provavelmente não vai se lembrar de mim, mas quando eu estava no ano 7 (2004) você foi meu orientador-assistente no Ensino Médio, e eu estava no último ano durante sua segunda temporada lá na escola Watford Grammar.
Eu só queria que você soubesse como foi inspirador o dia que você se declarou para toda a escola, e como ele teve um impacto positivo. Eu sou um homem heterossexual, mas sempre fui proativo na luta contra a homofobia.
 
Eu sei que essa mensagem parece meio sem sentido, mas eu realmente acho que você deveria saber que você desafiou a ignorância de muitas pessoas naquele dia, e que se todos os professores gays compartilhassem da sua coragem, o mundo seria um lugar muito melhor – não apenas para gays, mas para todos. Obrigado por isso.
 
Apesar de não terem bem como te contarem isso, muitos dos alunos ganharam muito respeito por você por causa do que você fez – nós nunca havíamos visto antes um professor cumprir com tanta honestidade a função para que fora contratado – a função de ensinar.
 
Eu vou levar comigo essa memória pelo resto da vida. Obrigado
 
O twit de Weston já foi compartilhado mais de 4 mil vezes, e rendeu-lhe aparições em telejornais britânicos. Hoje Weston trabalha numa ONG para educar professores, a Teacher Development Trust. Ele declarou ao jornal Watford Observer: “Ninguém deveria ser forçado a esconder quem é no trabalho. Como professores, nós estamos dando notas, preparando aulas – não há descanso. Mas também somos exemplos, e nós temos que dar o exemplo aos jovens em nossas escolas ao sermos confortáveis com a nossa própria pessoa, felizes e confiantes.”

23/08/2014

Paulo Gustavo detona Parada Gay: 'Tem assalto e gente se beijando'

 
Visto em Notícias da TV 
 
O ator Paulo Gustavo que é contra a Parada Gay porque o evento se transformou em uma "rave no meio da rua, com assalto, brigas e um monte de gente se beijando". Ele publicou um texto criticando as paradas gays em sua conta no Instagram.
 
O comediante escreveu o desabafo em resposta às críticas que recebeu após dar entrevista ao jornal O Dia, no último sábado (16), em que explicou sua posição contrária à Parada Gay. À publicação, ele afirmou que paradas gays não tem porque serem realizadas. "Não existe Parada Hétero. Acho que, com isso, a gente fica só valorizando os idiotas", disse, referindo-se aos preconceituosos.
 
Paulo Gustavo, 35 anos, é considerado um dos mais talentosos comediantes da nova geração. Atua no teatro e em programas do canal Multishow, como o Vai Que Cola e Paulo Gustavo na Estrada. No cinema, fez Os Homens São de Marte... E É pra lá que Eu Vou e Minha Mãe É uma Peça.
 
Paulo Gustavo ainda afirmou na rede social que tem orgulho do movimento gay, faz política por meio de sua arte e que foi criado sem preconceitos, sempre aprendendo a conviver com as diferenças. Leia a íntegra da nota do ator no Instagram:

Coleção do estilista Fernando Cozendey, mostra modelo com neca desaquendada.

Kimberly Luciana Dias Do Mundo T, em São Paulo
MUNDO das TRAVESTIS E TRANSEXUAIS
 
Parece que essa proposta está agradando a visão dos estilistas aqui no Brasil, modelos T não operadas, exibem coleções sem a necessidade de esconder a genitália.
 
 
O alívio de muitas ou repudio de tantas, assumirmos ou não a neca aguentada ou desaquendada?
Porque sabemos que muitas vezes é dolorido e incomodo todo esse processo para disfarçar esse detalhe!
 
Recentemente encontrei uma publicação com o modelo andrógino Goan Fragoso para o Making of do lookbook coleção Brasil do estilista carioca Fernando Cozendey, onde mostra a dualidade da Androgenia, a imagem feminina com a dualidade do masculino, com certeza esse trabalho vai causar bastante e abrir uma nova proposta para o mundo fashion, quebrando, preconceitos e rótulos.
 

Essa ousadia pode ainda ser negado pelas demais modelos Transexuais e Travestis Brasileiras em deixar explicito o volume, vai caber a individualidade de cada uma delas. Mas cabe um reflexão? Da minha parte não vejo motivos para repúdio!

MATEUS SOLANO É NOMEADO EMBAIXADOR DE BOA VONTADE NA LUTA CONTRA A AIDS

 
Visto no Universo AA
 
Mateus Solano, o ator que fez enorme sucesso com o personagem Félix da novela Amor à Vida (Globo), será nomeado Embaixador de Boa Vontade do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/ AIDS (UNAIDS) nesta sexta-feira (22), às 11h, na Casa das Nações Unidas.
 
A solenidade contará com a presença do Diretor Executivo Adjunto do UNAIDS e Secretário-Geral Adjunto da ONU, Luiz Loures, o Coordenador Residente da ONU, Jorge Chediek, e a Embaixadora dos Estados Unidos junto ao Brasil, Liliana Ayalde, além de outras autoridades e representantes da sociedade civil.
 
Mateus Solano protagonizou, ao lado do ator Thiago Fragoso, o beijo mais esperado da história da TV brasileira, o primeiro beijo entre gays de uma telenovela. Mateus prevê usar de seu prestígio para apoiar o UNAIDS e promover direitos humanos, mobilizando o seu público por meio de mensagens que reiteram a importância do fim de todo e qualquer tipo de discriminação.
 
“Mateus Solano conseguiu, com a excelência de seu personagem, dar atenção à temática da discriminação que sofrem os homossexuais”, afirmou Luiz Loures. “Tenho certeza que será um excelente Embaixador.” Na novela, o personagem mantinha uma relação difícil com seu pai, que não aceitava e discriminava o filho.
 
“É uma honra ser Embaixador de Boa Vontade do UNAIDS”, disse Mateus Solano. “Agora, mais do que nunca, é necessário conscientizar o público, principalmente os jovens, sobre as melhores formas de prevenir o HIV e tratar a AIDS—e sobretudo de acabar com qualquer espécie de discriminação”, afirmou.