27 de mar de 2015

Quatro problemas relacionados ao pênis (e como identificá-los)

 
Por Josh Dean para a Revista GQ Brasil

Poucas coisas despertam tanto medo no coração de um homem quanto a sensação de que algo está errado com o próprio pênis. O médico Peter J. Stahl, diretor de Medicina Reprodutiva e Sexual Masculina do New York Presbyterian Hospital da Universidade Columbia,  nos Estados Unidos, fala sobre quatro problemas nos países baixos.
 
1- Uma ereção de mais de quatro horas

 Falando sério: isso não é piada, é um problema. Consta nos alertas das bulas de Viagra e tais e quais. Stahl explica que o priapismo (como a questão é conhecida pelos médicos de bilau) é “extremamente raro”. Entretanto, caso não seja tratado imediatamente, pode haver uma interrupção do fluxo sanguíneo, resultando em falta de oxigenação e – o horror – necrose do tecido.

2- Câncer de testículo

 Você já deve ter ouvido isso: faça um check-up no seu saco regularmente (leia a seguir). Principalmente se tiver fatores de risco como histórico familiar, problemas de fertilidade
 ou testículo não descido na infância.

3- Doença de Peyronie

 Você notou alguma diferença estética no seu pênis ereto? Talvez uma curvatura visível, um caroço ou inchaço? Pode ser a Doença de Peyronie, que atinge de 5% a 8% da população. Se não for tratada, ela é progressiva e pode levar a uma “curvatura severa, a ponto de inviabilizar o sexo”, de acordo com Stahl.

4- DSTs

 É claro. Qualquer pequeno conjunto de carocinhos doloridos no seu membro pode ser herpes. Verrugas provavelmente são sintoma de HPV. Um corrimento no pênis que não seja urina ou sêmen pode ser sinal de clamídia ou gonorreia. “Essas doenças são muito estigmatizadas”, diz  Stahl, “mas a maioria das DSTs é totalmente tratável”.
 
Passo a passo: como se apalpar e não ter câncer
 
- Faça o exame no chuveiro, na banheira ou na sauna.  Nesses momentos os músculos do escroto estão mais relaxados. Além disso, você já está pelado.

- Conheça suas bolas. Na parte superior traseira de cada testículo há um pequeno calombo chamado epidídimo, e é ali que o esperma fica reunido. “Muita gente nem sabe que isso existe”, diz Stahl, e acha que é um caroço.

- Coloque o dedão em cima e o indicador ou dedo médio na parte de trás do saco. Em seguida, apalpe suavemente cada um dos testículos e fique atento a diferenças – especialmente a partes que pareçam mais duras ou pesadas.

- Não entre em pânico. “A maioria das pessoas que me procura por conta de um calombo não tem incidência real de câncer de testículo”, afirma Stahl. “Em geral, essas coisas que os homens sentem não são nada, ou são benignas.”

- Dito isso, é melhor pecar pelo excesso de cuidado. “Seu limite para decidir consultar um médico deve ser relativamente baixo”, diz Stahl.

"Por que a dura de Gabriela Moreira no torcedor do Palmeiras é importante" Por Ubiratan Leal


Por Ubiratan Leal
Visto no Trivela
 
Gabriela Moreira é uma das melhores repórteres esportivas da TV brasileira. E não é uma das melhores repórteres mulheres, é uma das melhores repórteres no geral. Quando fazia parte da equipe carioca da ESPN Brasil, revelou várias irregularidades na organização da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos. Ela já merecia reconhecimento do público por isso, mas muita gente só prestou atenção a seu trabalho nesta quarta, por causa de sua bronca ao vivo no ar.
 
Agora temos mais um bom motivo para reconhecer o seu trabalho. A atitude da repórter foi importante, ainda mais em uma sociedade que tem dificuldade em entender os efeitos de pequenas ações na criação de um ambiente de homofobia muito mais amplo e perigoso. Muita gente não entende qual o problema da “brincadeira” do torcedor palmeirense e talvez esteja praguejando contra a jornalista por moralismo exagerado.
 
Minutos depois, dentro do Allianz Parque, a torcida verde usou o mesmo adjetivo do entrevistado do vídeo acima sempre que Rogério Ceni ia chutar a bola. Uma atitude que se tornou comum em estádios brasileiros (e que já fez o STJD ameaçar o Corinthians de punição). Uma atitude que pode ter tirado um pouco da alegria de todos os palmeirenses gays que têm motivos para se sentir atingidos e deixaram de ter a felicidade completa de uma vitória contundente contra um grande rival.
 
Como a Trivela bate nessa tecla há um bom tempo, vamos relembrar um texto nosso, publicado em 13 de março do ano passado, explicando por que a sociedade precisa tomar cuidado com essa homofobia que parece inocente, mas não é.
 
Por que “bicha” é xingamento?
 
por Leandro Beguoci
 
Os torcedores do Corinthians que chamaram Rogério Ceni de bicha, sistematicamente, provavelmente não sabem. Mas o ato foi tão ruim para eles quanto para o rival são-paulino.
 
Houve uma época em que os jogadores do Ajax eram recebidos pelos rivais ao som de vazamentos de gás. Os rivais do time de Amsterdã imitavam o som com a boca e tentavam transformar o estádio numa gigantesca câmara de extermínio, de mentirinha. A razão era simples e horrível. Ao longo dos anos, os judeus holandeses se identificaram com a equipe. Até hoje, alguns dos seus torcedores mais ardorosos, mesmo quando não têm nenhuma relação com o judaísmo, se identificam como “Os Judeus”. Grosso modo, é um equivalente aos fiéis corintianos. Mesmo um torcedor ateu ou agnóstico do time do Parque São Jorge se identifica como fiel – inclusive o que só acredita em Deus ou em alguma energia durante pouquíssimos segundos de uma final de campeonato.
 
Os rivais do Ajax imitavam o som de gás porque, como quase todo mundo sabe, aproximadamente 6 milhões de judeus foram exterminados na Europa durante a Segunda Guerra Mundial. Muitos deles foram envenenados e morreram em câmaras de gás. A Holanda foi um dos países mais afetados pelo extermínio. Antes da invasão alemã e do colaboracionismo de autoridades do país, cerca de 155 mil judeus viviam por lá. Depois da guerra, só restavam 14,3 mil. Muitos foram mortos em Amsterdam. Outros tiveram de enfrentar longas jornadas de trem até os campos de concentração. Uma dessas pessoas foi a menina Anne Frank, cujo diário se tornou um dos testemunhos mais fortes e dolorosos de um período medonho da história. Embora ela fosse alemã, a família vivia na Holanda.
 
Apesar dessa história horrível, ainda hoje alguns rivais do Ajax cantam “Lá vai o trem do Ajax para Auschwitz”, em referência a um dos maiores campos de extermínio da história. E isso acontece mesmo na Holanda, um país liberal e tolerante. Isso mostra que algumas questões continuam mal resolvidas. O antissemitismo, afinal, continua existindo, embora mais tímido.
 
E isso, claro, não acontece só na Holanda. Porque isso é um padrão: transformar uma das características de uma pessoa em uma ofensa contra essa mesma pessoa. O xingamento , frequentemente repetido, coloca o ofendido em uma posição inferior no mundo. De tanto ouvir frases sobre como os judeus são ruins, algumas pessoas se sentem confortáveis em repetir o som que matou milhões de pessoas para os descendentes dessas mesmas pessoas. O adversário vira inimigo. Ele perde uma porção da humanidade simplesmente porque é diferente de mim. E, ao perder uma parte da humanidade, ele me autoriza a fazer o que eu quiser com ele.
 
Ou, de uma forma muito esquemática: essa pessoa é judia e torcedora do Ajax. Eu não sou judeu e sou rival do Ajax. Portanto, não ser judeu e não torcer para o Ajax me colocam numa posição melhor, superior. Eu posso subjugá-la, mesmo que seja com palavras. A rivalidade me autoriza a humilhá-la, a fazê-la sofrer. Eu sei que não é tão direto assim. A vida é mais sutil. Talvez quem xingue nem pense nessas coisas, mas o efeito final é o mesmo. Um xingamento é uma humilhação porque o xingamento cria uma escala de diferença. O ofendido se torna inferior ao ofensor. Faça um exercício simples: pense no quanto você se sentiu humilhado quando foi ofendido na escola porque era gordo, porque era magro, porque tinha dente torto. Pense no que você sentiu. Pense em como você se sentiu à parte do restante dos seus colegas. E pense que, de repente, 20, 30 mil pessoas começam a cantar em todos os jogos “gordo nojento, gordo suado, gordo escroto” para ofender um rival do time adversário.
 
Era preciso fazer essa introdução para falar sobre racismo e homofobia nos estádios do Brasil e da América Latina. Em cada país, a intolerância e o ódio se manifestam de alguma forma. Não nascem do nada. Têm causas, têm raízes que às vezes nem nos damos conta, e acabam ganhando expressão no futebol. O professor Hilário Franco Júnior, no fantástico livro “A Dança dos Deuses”, explicou muito melhor do que eu como a violência, física e verbal nos estádios, mudou ao longo dos anos, seguindo algo nefasto que acontecia do lado de fora dos gramados. Ele também mostra que as coisas mudam, e continuam mudando. Só que, hoje, nós gostamos de dizer que chamar um jogador de bicha sempre foi assim, sempre será assim e nunca mudará. Mas é preciso pensar. Por que bicha é xingamento? Por que algumas pessoas insistem em comparar negros a macacos? O que transformar isso em ofensa diz sobre nós mesmos?
 
O grito de “bicha, bicha, bicha”, contra o principal jogador da equipe rival, contra o atleta mais controverso do seu adversário, em um estádio lotado, só esquenta ainda mais esse caldo de ódio – mas tão confortável para gente violenta e mesquinha.
 
A comparação entre negros e macacos é mais simples, sem sutilezas. A gente pode não se dar conta disso, mas estamos falando que a outra pessoa é um bicho. Um animal. Pode parecer gozação de bar, pode parecer inofensivo, mas foi exatamente isso, historicamente, que justificou a escravidão e a morte de milhões de pessoas. Afinal, como você escraviza alguém? Rebaixando essa pessoa à condição de coisa, de besta. Nos EUA e no Brasil, isso foi claro. Negro igual a bicho e bicho igual a uma propriedade que eu posso dispor como eu quiser. Mas também aconteceu na África e no Oriente Médio. Para justificar a escravidão de pessoas que viviam no mesmo lugar, às vezes da mesma cor, era preciso transformar essas pessoas em rivais de ódio, em rivais torpes, e puni-los com a perda eterna de liberdade. É preciso tirar dessa pessoa aquilo que a faz igual a mim.
 
Ao longo dos anos, felizmente, estamos aprendendo que negro não é coisa, não é bicho e tem os mesmos direitos que qualquer outra pessoa. O Brasil até conseguiu dar grandes passos, diminuindo drasticamente o ódio, mas ainda não conseguiu dar igualdade de oportunidades às pessoas. Alguns estudos recentes mostram que descendentes de escravos, sem políticas públicas claras, podem levar décadas para chegar ao que hoje chamamos de classe média alta. Afinal, seus pais, avós e bisavós partiram de menos do que nada. Enquanto não alcançarmos essa igualdade de condições, talvez a gente ainda conviva com casos de racismo abjetos. Porque os negros, enquanto estiverem nos trabalhos mais mal pagos, vão continuar sendo vistos como preguiçosos, indolentes, que não se esforçam suficientemente. Como pessoas, no final das contas, piores do que aquelas pessoas que nós achamos que somos: trabalhadores, esforçados, dedicados. Mas nós partimos de outro lugar. E, infelizmente, a cor da pele foi critério durante muito tempo para contratar alguém ou para promover alguém em uma empresa. A gente gostaria que fosse diferente? Claro que sim. Mas as coisas são como são. Ao tratar o racismo como caso menor, nós compactuamos com uma longa história de sofrimento e humilhação.
 
E então chegamos à homofobia nos estádios. Eu sei que muitas pessoas que brincam com os colegas de arquibancada, chamando uns aos outros de bichas, bichinhas, e aí, seu veado, não vão bater em homossexuais nas ruas. Muitas delas têm parentes gays, amigos gays. E eu sei que justamente por isso muitas ficam ofendidas com a patrulha ostensiva. Por isso é preciso colocar as coisas em perspectiva. Muitas pessoas estão fazendo as coisas sem pensar.
 
Muitos de nós estamos acostumados a usar homossexualidade como xingamento, por muitas e muitas razões históricas que não caberiam neste texto. Enfim. Isso é tão natural, tão rotineiro, que nem nos damos conta de que estamos repetindo, como se fosse banal, o mesmo esquema que autoriza holandeses antissemitas a imitar uma câmara de gás ou racistas a insistir em bestializar os negros. Estamos transformando uma característica de uma pessoa em ofensa. Estamos dizendo que ser gay é uma coisa tão ruim que chega a ofender e machucar mesmo quem não é gay. Mas, sinceramente: qual é o problema em ser gay?
 
Nós não sabemos ao certo por que algumas pessoas são gays. Também não sabemos por que algumas pessoas são negras. Ou por que algumas pessoas são canhotas. Nós não sabemos um monte de coisas, mas aprendemos a odiar algumas delas s sabe-se lá por qual razão. Canhotos, por exemplo, foram estigmatizados durante décadas e apanhavam até aprender a escrever com a mão direita. Ser canhoto, na lenda popular, significava ser influenciado pelo demônio. E isso atingia ricos e pobres. O rei George VI, da Inglaterra, é um dos canhotos que apanharam e sofreram até que aprendessem a escrever apenas com a mão direita. O ódio surge por razões difíceis de explicar.
 
Só que as pessoas são o que são. Desde que isso não mate outra pessoa, não viole aquilo que se costumou chamar de direitos fundamentais, não há nada que possamos fazer. Ser gay, ser negro ou ser canhoto são fatos da vida. São características que não violam o direito de outras pessoas. Um assassino pode te tirar a vida. O que um gay tira de você? Nada. A pessoa é o que é e ninguém tem nada a ver com o que ela faz ou deixa de fazer.
 
Ao usar gay como xingamento em um estádio, nós estamos fazendo aquilo que não gostamos que seja feito conosco. Estamos dizendo, mesmo sem perceber, sem nos darmos conta, que as pessoas gays são inferiores. Não gostamos de ser patrulhados, intimidados ou ofendidos. Mas estamos patrulhando, intimidando e ofendendo pessoas iguais a nós ao transformar homossexualidade em xingamento. Isso não faz parte da graça do futebol. Isso só mostra sobre o quanto não pensamos nas consequências das nossas palavras e das nossas ações. Nós agimos sem refletir e nos comportamos como uma manada descontrolada, que não pensa nas consequências das suas ações.
 
Portanto, quando uma torcida imensamente popular, como a do Corinthians, repete como um mantra “bicha, bicha, bicha” em um estádio, ela está reforçando a ideia de que ser gay é ruim. Uma torcida que luta contra preconceitos, que passou anos tendo de escutar “silêncio na favela”, está reproduzindo em outra torcida a violência que costumava sofrer. E isso não é engraçado. Isso não é parte do esporte. E, um dia, pode se voltar contra os próprios corintianos. Contra qualquer pessoa, na verdade.
Estamos transformando uma característica de uma pessoa em ofensa. Estamos dizendo que ser gay é uma coisa tão ruim que chega a ofender e machucar mesmo quem não é gay. Mas, sinceramente: qual é o problema em ser gay?
 
Não é de hoje que a torcida do Corinthians diz “vai pra cima delas, Timão”. Isso já era ofensivo, mas diluído num “delas” maroto. Mas, ao chamar o goleiro rival de bicha, sistematicamente, usando a palavra que muitos intolerantes usam contra as suas vítimas, a torcida do Corinthians, mesmo sem se dar conta disso, está dizendo que gays são inimigos, são adversários. Os torcedores do Corinthians que fizeram isso talvez não saibam, mas estão dando combustível para intolerantes e malucos de toda espécie. Afinal, essas pessoas não precisam de muita coisa para fazer barbaridades. Elas só precisam ter certeza de que isso não é recriminado ou não terá consequências. Até na civilizada Suécia acontece. Um torcedor do Malmö, militante contra a homofobia nos estádios, foi morto por defender direitos iguais para heterossexuais e homossexuais.  Já no Brasil, infelizmente, há muitos e muitos casos de violências contra gays. As pessoas apanham nas ruas e são surradas com lâmpadas, como os jornais vêm reportando faz algum tempo.
 
Portanto, o grito de “bicha, bicha, bicha”, contra o principal jogador da equipe rival, contra o atleta mais controverso do seu adversário, em um estádio lotado, só esquenta ainda mais esse caldo de ódio – mas tão confortável para gente violenta e mesquinha.
 
A única maneira de mudar essa situação é parar de dizer que gays são piores do que heterossexuais. Não há solução intermediária. É parar de repetir que ser gay é ser ruim. Foi assim que diminuíram os espancamentos e linchamentos de negros. Primeiro, a sociedade conteve as ofensas. Depois, passou a dizer: pare de ofender porque as suas ofensas têm consequências. Nos casos mais graves, passou a criminalizar as ofensas. Foi assim que a Europa conteve o antissemitismo, com leis e medidas contra a intolerância. Mas até a Europa está profundamente atrasada no combate ao racismo e à homofobia, como mostra a faixa bizarra que a torcida do Bayern de Munique estendeu na Alemanha.
 
Mas leis, a gente sabe, não bastam por si. É preciso que as nossas atitudes mudem, especialmente nos lugares em que essas atitudes podem fazer alguma diferença. Landon Donovan, capitão do Los Angeles Galaxy e principal ídolo do futebol nos EUA, deu um exemplo fantástico e acolheu Robbie Rogers, gay e seu colega de equipe. O futebol é importante demais para a nossa vida, no Brasil. Ele não pode ser tratado como uma parte distante, separada da sociedade. O futebol é encantador porque ele resume, em 90 minutos, as tensões e alegrias de uma vida inteira. O futebol é um amplificador daquilo que acontece nos lugares mais profundos da sociedade e o estádio, uma amostra do que aceitamos e recriminamos. Mas o futebol não precisa ser só uma caixa que reproduz o que acontece fora dele. O futebol pode ser uma ferramenta para a mudança.

Durante muito tempo, ser italiano significava ser sujo. Ser nordestino, vagabundo. Argentino, objeto de botinadas. Porém, os estádios colocaram, lado a lado, agressores e agredidos. Os agressores passaram a ter de aplaudir os agredidos, como aconteceu com os jogadores nordestinos. A aversão de brasileiros a argentinos começou a diminuir quando os gringos começaram a jogar aqui e a mostrar paixão pelos times que amamos. Não é o bastante, longe disso, mas os campos deram passos importantes nas últimas décadas. Os torcedores provaram que não eram reféns do ódio de alguns retranqueiros sociais. Na Alemanha, a torcida do St. Pauli deu um exemplo fantástico em abril de 2013. Levou para as arquibancadas a faixa “Futebol é tudo, até gay”. O St. Pauli foi o primeiro clube que se notícia a ter um presidente que saiu do armário, Cornelius Littmann.
 
Porém, ainda falta muito para que o futebol se torne, como ele gostaria de ser, um ambiente em que qualquer um pode ser o que quiser. Afinal, uma das coisas que distinguem o futebol de outros esportes é que um Baixinho pode ser um dos maiores artilheiros da história do Brasil e um gordinho, o destaque do último Campeonato Brasileiro. Falta um passo, um passo decisivo. Falta eliminar completamente a violência contra gays e negros. Afinal, quando eles falam, não é para pedir privilégios. Eles querem ser tratados exatamente igual a você. Quando um gay se manifesta, ele ou ela não está pedindo mais direitos. Está pedindo os mesmos direitos que você tem: andar tranquilamente pelas ruas sem correr o risco de apanhar porque está de mãos dadas com a pessoa que ama. Um negro não está pedindo privilégios. Ele quer apenas o direito de não ser julgado pela cor da pele. Ou, no Brasil do começo do século 20, não ser obrigado a passar pó de arroz no rosto para ser aceito como branco.
 
Combater o preconceito, no final das contas, é uma maneira de contribuir para que o futebol e a sociedade melhorem. Preconceito, afinal, é uma porta escancarada para a violência. Hoje, é contra gays. Amanhã pode ser contra qualquer outra pessoa, por qualquer outra característica. Os judeus, por exemplo, eram muito bem integrados à Alemanha antes do nazismo. A França, embora com um longo passado antissemita, teve um primeiro-ministro judeu antes de colaborar com Hitler na Segunda Guerra. As coisas mudam para pior, infelizmente. Claro, é muito difícil acabar completamente contra o preconceito, é claro. Mas é possível estar atento quando ele aparece e agir a tempo para estancá-lo. É o mesmo movimento do grande craque que sabe se antecipar ao movimento do marcador, driblar o oponente e marcar um baita de um golaço.
 
Nós, torcedores, somos melhores do que o preconceito. Os retranqueiros sociais não podem vencer esse jogo.
 
Sobre o Choque-Rei
 
 
 
Ontem o Palmeiras finalmente venceu um clássico e resgatou aquela velha alegria e emoção de sermos palmeirenses.

No entanto, não podemos tapar os olhos para a homofobia uníssona no estádio, a todo momento em que Rogério Ceni pegava na bola.

Acreditamos que o futebol seja reflexo da sociedade e, enquanto repudiamos Bolsonaros, Cunhas e Felicianos no dia-a-dia, não devemos também tolerar comportamentos preconceituosos em campo.
Por que perdemos nossa humanidade, quando os rivais se enfrentam?

Um xingamento é uma humilhação, porque o xingamento cria uma escala de diferença. O ofendido se torna inferior ao ofensor.

Sabemos que muitas pessoas que frequentam os estádios e que chamam o colega de "bicha" e "viado", não vão bater em homossexual na rua e, por isso mesmo, não gostam de ser patrulhados desta maneira. Contudo é necessário que coloquemos as coisas em perspectiva.

A maioria de nós está acostumada a utilizar a sexualidade de uma pessoa como xingamento. Naturalizamos isso por uma série de questões históricas, tornando algo tão rotineiro e banal que nos autoriza a profanar preconceitos.

Ser gay não é uma ofensa e ser racista, homofóbico, machista e xenofóbico não tem graça! Nem no futebol e nem em nenhum outro lugar.
 
Pensemos a respeito sobre essas atitudes e, quem sabe no próximo clássico, brilhemos tanto em campo quanto nas arquibancadas.

Torcedor do palmeiras usa termo homofóbico e leva bronca ao vivo de repórter da ESPN


26 de mar de 2015

“UM PAI LEVOU O FILHO ADOLESCENTE PARA VER O NAMORADO E RESTAUROU MINHA FÉ NA HUMANIDADE" Por Marcio Caparica


Por Marcio Caparica para o LADO BI
 
Ativista conta como presenciar uma cena que deveria ser corriqueira fez com que ele revisse alguns de seus próprios preconceitos - contra héteros
 
Traduzido do artigo de Benjamin O’Keefe para o site Huffington Post
 
Sabe aqueles momentos que parecem ter saído de um filme? Você sabe quais são – quando você literalmente fica esperando começar tocar uma música inspiradora no ponto em que uma cena comovente chega a seu clímax bem na sua frente? Bem, eu fui testemunha de uma que valia um Oscar.
 
Esse fim de semana eu estava em um Starbucks, escrevendo – eu sei, não dá pra ser muito mais clichê que isso – quando eu percebi que um homem e seu filho entravam na loja. Meu gaydar me informou imediatamente que eu estava na presença de alguém como eu. O garoto era muito bonito, vestia uma camiseta da Lady Gaga e um par de jeans enrolados, e parecia ter por volta de 16 anos. O homem que parecia ser seu pai, e só poderia ser descrito como um homem com jeito de homem, estava acompanhando-o. Com uma estatura corpulenta e intimidadora, ele vestia uma camisa com estampa de camuflagem e um par de jeans sujos.
 
Pouco depois outro garoto, mais ou menos da mesma idade, atravessou a porta. Ele caminhou até o primeiro menino e abraçou-o com carinho. O pai acenou para o garoto com a cabeça, severo, num cumprimento bem macho. “Oh-oh”, pensei, ele não parecia ser o tipo de cara que estaria super feliz de ter um filho declaradamente gay. Os garotos se dirigiram até o balcão para pedir seus cafés carésimos e o pai pagou a conta.
 
Depois que os dois receberam suas bebidas e se sentaram, o pai disse aos garotos “Tratem de se comportar”, e apertou a mão dos dois (eu disse que ele era homem com jeito de homem). Ele falou para seu filho ligar quando quisesse voltar para casa, e saiu da loja. Virado para a porta da frente, eu vi o pai parar em frente à vitrine. De costas para a porta, sem se darem conta de que o pai ainda estava observando, os garotos se aproximaram e deram-se um beijo. Para minha surpresa, a reação do pai foi abrir um sorriso enorme. Seu filho estava apaixonado, e não fazia diferença que era com um garoto.
 
Do lado de dentro eu estava pirando. Eu me segurei porque estava num lugar público, mas eu queria chorar de alegria por causa do momento lindo que eu testemunhei. Mas daí eu me liguei; eu havia acabado de ser preconceituoso com alguém. Eu tinha presumido que, como esse homem se encaixava em um certo estereótipo, ele automaticamente seria contra a igualdade, e de jeito nenhum seria a favor da sexualidade de seu filho.
 
É fácil se tornar cínico e desiludido, especialmente quando parece que todo dia nós ouvimos histórias devastadoras como a de Leelah Alcorn, que acabou com a própria vida por causa da rejeição que sofreu de seus pais depois que se declarou trans. Eu mesmo tive que enfrentar a rejeição de grande parte da minha família conservadora por causa da minha sexualidade – algo que levei anos para superar. Tendo dito isso, me ocorreu que, para um grupo que muitas vezes sofre de tanto preconceito, as pessoas da população LGBT também podem ser muito preconceituosas. Nós às vezes pressupomos que as pessoas nos odeiam por causa de nossa identidade – e muitos sem dúvida odeiam mesmo – mas não podemos nos esquecer que há pessoas que são muito melhores do que nós lhes damos crédito.
 
Para cada história de alguém que escreve “VIADO” na porta do apartamento de um casal gay, há uma de um pai que sorri quando vê seu filho gay adolescente beijar o menino de quem gosta abertamente. Para cada história horrível sobre sair do armário, há a história de uma família que trata seus membros amados com respeito e aceitação.
 
Não há dúvida de que não devemos subestimar as lutas que nossa comunidade enfrenta. Nós não devemos mostrar apenas as histórias boas e ignorar as ruins. Não devemos parar de lutar pela igualdade só porque alguns já a alcançaram. Mas eu tenho que dizer, quando vierem aqueles dias em que parece que tudo está contra nós, agora eu tenho a cena que eu presenciei num Starbucks – uma cena de amor e aceitação vinda de onde eu menos esperava – para me dar uma razão para sorrir.
 

Deputada quer proibir adoção por casal homoafetivo

 
POR WILSON LIMA para o Congresso em Foco

Em proposta apresentada na Câmara, Júlia Marinho alega que família composta por dois pais ou duas mães “não logra ampla aceitação social” e pode gerar “desgaste psicológico e emocional” na criança adotada. Ex-ministra vê retrocesso
 
A deputada Júlia Marinho (PSC-PA), integrante da bancada evangélica da Câmara, apresentou um projeto de lei com o intuito de alterar o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), de maneira que seja proibida a adoção de crianças por casais homoafetivos. A proposição foi apresentada no dia 6 de março e tramita na Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara.
 
O projeto de lei pretende incluir mais um parágrafo, dentro do artigo 42 do ECA. Esse dispositivo estabelece regras para a adoção de crianças no Brasil. Hoje, para ser pai ou mãe adotiva, a pessoa precisa ter 18 anos, ter pelo menos 16 anos a mais que o adotado e garantir a segurança da criança ou do adolescente. Mas a parlamentar quer incluir mais uma condicionante para as adoções: “É vedada a adoção conjunta por casal homoafetivo”, aponta o projeto.
 
Júlia afirma, no documento, que “o reconhecimento jurídico de união homoafetiva não implica automaticamente a possibilidade de adoção por estes casais, matéria que, a toda evidência, dependeria de lei”. A parlamentar alega, no projeto de lei, que família composta por dois pais ou duas mães “não logra ampla aceitação social” e “pode gerar desgaste psicológico e emocional” na criança adotada.
 
“Assim, até que estudos científicos melhor avaliem os possíveis impactos sobre o desenvolvimento de crianças em tal ambiente e que a questão seja devidamente amadurecida, por meio de discussão no âmbito constitucionalmente previsto para tanto – o Parlamento, deve ser vedada a adoção homoparental”, defende a deputada.
 
“O regramento legal da adoção não se sujeita ao das uniões civis ou ao do casamento. Cuida-se de instituto especial, que visa ao atendimento dos interesses do adotando, não se podendo alegar que sua vedação a casais homossexuais seja discriminação no acesso a um direito”, justifica a congressista.
 
“É na família que as primeiras interações são estabelecidas, trazendo implicações significativas na forma pela qual a criança se relacionará em sociedade. O convívio familiar é o espaço de socialização infantil por excelência, constituindo a família verdadeira mediadora entre a criança e a sociedade”, afirma Júlia, logo em seguida. “O novo modelo de família, contrário ao tradicional, consagrado na referida decisão judicial, encontra ainda resistência da população brasileira”, justifica.
 
A proposta enfrenta resistência na Câmara. Ex-ministra da Secretaria de Direitos Humanos, a deputada Maria do Rosário (PT-RS) vê o projeto de lei como um retrocesso num país que tem garantido igualdade de direitos a todos os gêneros. “Na última semana, a ministra Cármen Lúcia [do Supremo Tribunal Federal] tomou uma decisão inédita que assegurou a constituição da adoção por um casal homoafetivo. Essa garantia é um direito que ela assegurou às crianças. Lugar de criança não é em abrigo”, disse a petista. “Nessa decisão, a ministra também assegurou o direito a essas pessoas adultas que, como brasileiros, de ter uma família, de ter os seus filhos”, complementou.
 
Além dessa proposta, a bancada evangélica aposta em outro projeto que também inviabiliza, na prática, a adoção de crianças por casais homoafetivos, o chamado Estatuto da Família. O texto, que tramita em comissão especial, reconhece como família apenas a união entre um homem e uma mulher.
 

HBO decide cancelar “Looking”, mas um especial vem por aí…

 
Por FELIPE DANTAS para o PAPEL POP
 
Nós mal nos apegamos à esse trio lindo de São Francisco e já está na hora de dizer adeus. A HBO anunciou hoje (25) que a série “Looking” não será renovada, mas vai terminar em especial para não deixar os fãs na mão. Ainda bem né?
 
O cancelamento havia sido especulado hoje de manhça, mas a HBO confirmou agora em comunicado publicado pelo Buzzfeed:
 
Depois de dois anos acompanhado Patrick e seu grupo de amigos na busca de amor e relacionamentos em São Francisco, a HBO vai apresentar o capítulo final dessa jornada num especial. Estamos ansiosos para compartilhar essa aventura com os fãs assíduos da série.

Segundo a revista Attitude, o próprio Jonathan Groff (que interpreta Patrick) levantou os boatos. Ele havia contado a um amigo as más notícias e este publicou no Facebook.
 
Recebi um e-mail do meu amigo Jonathan Groff dizendo que a HBO anunciou o cancelamento de ‘Looking’ mas que fariam um filme para terminar a série ao invés de deixar tudo no ar. Isso me deixa triste mas a vida – e as séries de televisão – são sobre seguir em frente alguma hora.

Pois é gente, a série foi legal com a proposta de “mostrar a vida gay como ela realmente é, igual às outras”, mas não deu audiência :(
 
A segunda temporada terminou sem cara de encerramento neste domingo nos Estados Unidos. Ainda bem que vamos ter esse especial! A HBO ainda não deu uma data para ir ao ar.