01/08/15

Clipe Especial: Madonna - Bitch I'm Madonna

‘Teria orgulho’, diz Ivete Sangalo sobre possibilidade do filho ser gay


Visto no EGO

Ivete Sangalo não tem papas na língua. Antes de se apresentar na festa “Chá da Veveta” na madrugada deste sábado, 1º, a cantora recebeu a imprensa em seu camarim no Riocentro, na Zona Oeste do Rio. Perguntada sobre qual seria sua reação se seu filho fosse gay, ela respondeu: "Qual problema teria É a vida dele, é a escolha dele. Eu poderia tentar segurar, mas não conseguiria impedir nunca. E também por que faria isso? Teria orgulho”, afirmou.

Ivete contou também como faz para conciliar sua vida profissional com a pessoal: “Dá para conciliar porque me utilizo desse meu tempo de carreira para ficar na minha vida pessoal. Você acaba sabendo dividir. Tenho a possibilidade de ser a mãe que quero ser e de ser a mulher que quero ser. Tenho a rotina adequada aos meus sonhos. Sou muito feliz. Faço 80% das coisas com o meu filho. E não falo de dever de casa. É trocar de roupa, dar banho, coisa de mãe. Também faço comida, lavo louça…”

Tietes da Ivete
Atração pela primeira vez da festa destinada ao público GLS, a cantora baiana falou da expectativa de se apresentar no evento. “É tanto carinho que virou ‘Chá da Veveta’. Eles queriam muito e eu também, foi um encantamento, virou uma coisa mais pessoal. Essa festa já tem muita tradição e eu venho para brilhar junto com essa festa. Muita gente de fora que veio para curtir a festa”, disse Ivete – que dividirá o palco com as cantoras Anitta e Alinne Rosa.

Com lotação esgotada, Ivete Sangalo se apresentou para um público de mais de 15 mil pessoas. A entrada da cantora foi com o tema de “Alice no país das maravilhas” e Ivete usou fantasia de dama de copas. A cantora começou o show cantando “Tempo de alegria”. Depois emendou “Acelera aê”, “Festa” e “Sorte grande”

Cuba desponta como paraíso turístico para comunidade gay


Visto no G1

Em meio ao "boom" turístico que Cuba está experimentando, a ilha desponta como destino para a comunidade gay, onde já funciona a primeira agência de viagens online especializada em passeios turísticos voltados para a comunidade LGBT.

Os pioneiros neste negócio foram os responsáveis de "Mi Cayito Cuba", um site intermediário entre a "iniciativa privada cubana gay friendly e os clientes no resto do mundo", segundo contou seu diretor, Alain Castillo, um cubano residente em Madri.

"A ilha tem um grande potencial como espaço de convivência. Estamos abertos a todos, acreditamos em um espaço livre e tolerante onde o respeito é valorizado", assegura este jovem empreendedor de 35 anos que quer colaborar "na visibilidade e na melhora da comunidade LGBT" em seu país.

Visão machista

Apesar de ser uma sociedade ainda dominada por uma visão patriarcal e machista, em Cuba já são notados avanços quanto aos direitos e a maneira em que a comunidade LGTB é vista, que conta com novos espaços de tolerância e respeito.

Mi Cayito [na costa leste de Havana] é o nome da provável única praia gay da ilha, por isso que Castillo pensou que seria uma boa ideia denominar assim sua empresa, que funciona desde agosto de 2014 com um escritório virtual na capital espanhola e representantes em Havana.

"É tempo de férias. É tempo de Cuba. O novo paraíso gay", é possível ler nos folhetos publicitários promovidos nas redes sociais.

'Havana Gay'
Praia de Varadero é uma das favoritas dos turistas LGBT em Cuba, segundo dono
 de agência de viagens especializada (Foto: Gabriela Gasparin/G1)

Os destinos mais populares entre os usuários de "Mi Cayito Cuba" até agora são Havana, Viñales, um paraíso verde situado na ocidental província de Pinar del Río, e a praia de Varadero, afirma Castillo.

O site só está disponível em espanhol, no entanto Castillo afirma que foi utilizado por clientes da Alemanha, Estados Unidos, Rússia, assim como da Espanha e da América Latina, que podem escolher entre excursões como "Havana Gay" ou um serviço de guias personalizados que chega a custar até 120 euros (cerca de US$ 132).

Outras opções às quais os visitantes têm acesso são as listas de alojamentos em várias cidades da ilha e veículos para os trajetos, administrados por pessoas com as quais o turista "pode se sentir perfeitamente compreendido em sua orientação sexual".

"Oferecemos qualidade, seriedade, discrição e liberdade. Se alguma destas características não forem cumpridas, é porque não foi ofertada por nós", aponta o empresário cubano que insiste no termo "heterofriendly" para qualificar sua gestão frente à iniciativa, que não é exclusiva para o coletivo LGBT.

Turismo em alta
Mais de 2 milhões de turistas estrangeiros chegaram a Cuba neste ano, número atingido 39 dias antes do que em 2014 e que demonstra o quão atrativo é o destino caribenho, sobretudo para visitantes do Canadá, Alemanha, Reino Unido, Estados Unidos e Argentina.

"As mudanças em Cuba se traduziram em um incentivo e aumentaram a demanda", garantiu Alain Castillo, que anunciou que a ilha está sendo preparada para uma possível chegada em massa de norte-americanos, incentivados pelo degelo nas relações da ilha e EUA, que em 20 de julho retomaram vínculos diplomáticos após mais de 50 anos de inimizade.

"Em breve haverá uma oferta especial para este mercado", anunciou Castillo, que deve traduzir seu site não só para o inglês, mas também para francês, alemão, russo e chinês.

Jornalista senegalês é condenado à prisão por "atos homossexuais"


Visto no EM 

Uma corte do Senegal condenou um jornalista a seis meses de prisão por realizar "atos homossexuais", o que é considerado ilegal no país.

Tamsir Jupirter Ndiaye, que já havia sido condenado outras vezes pelo mesmo motivo, foi preso em junho após um jovem tê-lo acusado de tentativa de estupro. Perseguido por uma multidão enfurecida, ele se escondeu em uma delegia de polícia de Dacar.

Ndiaye, que é colunista de uma revista senegalesa, foi sentenciado em 2012 a 4 anos de prisão por "atos homossexuais" e possessão ilegal de armas. A sentença foi, posteriormente, reduzida para 2 anos e ele obteve liberdade condicional em 2013.

Atos homossexuais são ilegais no Senegal, podendo a pessoa ser presa por até cinco ou pagar multas de até US$ 2.500. A homossexualidade é crime em diversos países do continente africano. 

Fonte: Associated Press.

29/07/15

Ator de Brasília revela ser soropositivo e lança musical para lutar contra o preconceito



Visto no Brasil Post

♫ ♫ É só isso...
Não tem mais jeito...
Acabou.
Boa sorte! ♫ ♫

Boa Sorte, de Vanessa da Mata e Ben Harper, foi a trilha sonora que precedeu a cena que mudaria a vida de Gabriel Estrëla. Em 2010, quando o jovem brasiliense foi buscar o resultado do exame de HIV em um laboratório da capital, havia uma cantora na sala de espera tocando violão. "A moça escolheu mal a música", ele recorda, em entrevista ao Brasil Post.

A canção daquele dia memorável também empresta o título para o próximo trabalho do ator, cantor e diretor de 23 anos.

O musical autobiográfico Boa Sorte, que vai estrear no fim de outubro em Brasília, conta a história de um jovem homossexual e soropositivo. Com todas as suas dúvidas, angústias e superações.

Convenhamos: mesmo em tempos em que todos têm voz nas redes sociais, aids e HIV não estão entre os assuntos mais discutidos. Quantas vezes você já leu um post de desabafo de um soropositivo no Facebook? Quantos amigos ou conhecidos compartilham as experiências desde a descoberta de que têm o vírus?

É justamente com o intuito de mudar esse cenário que Gabriel quer contar sua história e dar início a um debate livre de preconceitos:

"O que eu percebo é uma dificuldade — vinda da geração anterior à minha — de entender que a preocupação não é esconder [que possui o vírus]. É não poder falar sobre isso. Vivemos numa era de compartilhamento; não falar dói mais que a possibilidade de ser descoberto [que tem o vírus]. Os positivos que também querem falar não sentem abertura para isso."

Mas Gabriel deu o primeiro passo. Começou com este post corajoso há dez dias, revelando para o mundo que tem o vírus:

A melancólica batida de Boa Sorte, há cinco anos, foi o marco zero para tempos difíceis que viriam. "Eles [equipe do laboratório] me receberam na sala com uma psicóloga para me entregar o resultado, e foi tão ruim, tão ruim. Quando eu cheguei em casa, não consegui nem falar direito de tanto que eu chorava", relembra.

"Pensei que eu ia morrer. É o estigma que a gente conhece. Vê um caminho de terror: HIV, aids, morte. Foi meu primeiro pensamento. O preconceito é tanto, a certeza de morte é tamanha que foi quase uma experiência de morte de verdade."

Fundamental foi o apoio de toda a família para ele começar a lidar melhor com o diagnóstico. Mãe, pai e irmã fizeram o possível para ampará-lo e garantir o quanto ele era amado e estava seguro.

"Meu pai veio conversar de um jeito que eu nunca esqueci. Ele disse: 'É muito besta esse preconceito todo, sendo que todo mundo faz sexo sem camisinha. Na minha época, nem se falava em usar camisinha'. Minha irmã comentou que também se preocupava porque podia ficar grávida."


O teatro também foi um suporte essencial. Na época em que foi diagnosticado, ele estava ensaiando o musical Rent. A peça mostra jovens dos anos 80 que tinham aids.

A música Seasons of Love o marcou porque sintetizava bem a positividade que ele buscava para viver com a nova condição — além da mensagem de viver intensamente o presente:

Em 2012, Estrëla montou a primeira versão de Boa Sorte na faculdade. Ele não se sentia preparado para levar adiante o projeto porque não conseguia falar livremente sobre suas dificuldades:

"Se você tá com uma gripe, você trata os sintomas e fica bem. Trata a coriza e a garganta inflamada. O HIV não se manifesta... É um pedaço de papel que diz que você é positivo. E você fica com um nó na cabeça de receber esse diagnóstico. Meu exame é bom, eu me sinto bem. Por que vou começar a tomar os medicamentos? Por que vou continuar se estão me dando efeitos colaterais?"

No final de 2014, Gabriel já se sentia muito melhor para falar sobre o HIV com outras pessoas. Foi nessa época que ele decidiu atuar como voluntário de uma ONG em Brasília — a Vida Positiva, que trabalha com crianças e adolescentes com o vírus.

A experiência possibilitou que conhecesse mais sobre a doença e as diferentes formas que as pessoas lidam com ela.

"Ninguém vê que a gente está se tratando. Conversei com um amigo e ele disse 'ah, é muito fácil viver com HIV'. Não foi fácil; foram cinco anos de processo. A banalização vem a partir de ver que as pessoas estão bem. Mas estar bem é um primeiro passo para abrir diálogo pro momento em que elas não estavam bem".

A decisão de Gabriel de contar ao mundo sobre o HIV foi abraçada pelos pais e pelo namorado dele, Gabriel Martins. "Meu namorado revisou meu texto, apertamos junto na hora de enviar", conta.

A transparência sempre foi regra número 1 do casal Gabriel-Gabriel.

"Eu contei [do HIV] antes de a gente começar a se relacionar sexualmente. Ele lidou bem melhor do que eu. Começou a fazer trabalho voluntário comigo, tá preparando material para alimentar a página [da peça de teatro], estuda comigo sobre o vírus e, se duvidar, tá sabendo mais que eu até... Realmente, ele vestiu a camisa."


Boa Sorte!

O musical Boa Sorte vai abordar o período da descoberta do HIV até o dia em que Gabriel começa a tomar antirretroviral. O roteiro passa por questões familiares, relacionamentos amorosos, amizades, sexualidade e medos.

Todas as músicas escolhidas são de artistas consagrados da MPB. Em comum, elas falam do tema vida, além de efemeridade, liberdade e ciclos que começam ou se renovam.

A peça está em fase de escolha do elenco. A ideia é que, a princípio, tudo seja feito com voluntários que topem ajudar uma boa causa.

"Ainda não fechamos com o teatro, queremos garantir que não tenha custos. O dinheiro da bilheteria vai ser revertida pra ONGs que lidam com soropositivos", adianta Estrëla.

Para o futuro, ele planeja continuar investindo na temática do HIV no teatro. "Nos anos 90, esse assunto estava muito presente nas artes e eu quero trazer esse movimento de volta", conclui.

Encontro Inesperado: a história de um relacionamento




Visto no Universo AA


Em depoimento a Antonio Trigo


Durante algum tempo, Fabrício e Guilherme trocaram olhares sem querer assumir a mútua atração. Rendidos, engataram uma relação sólida de amor e aprendizado. 


FABRÍCIO E GUILHERME: UNIDOS E INSEPARÁVEIS

Na seção In Love do site Universo AA, a história de dois meninos que até tentaram negar o que sentiam. Se o amor não foi assumido à primeira vista, eles aceitaram o retumbante sentimento sem temer as primeiras impressões



Fabrício Ternes, 41, administrador

Eu estava num voo que vinha de Salvador para São Paulo. Foi a primeira vez que o vi. É engraçado, pois quando alguém me chama atenção, tenho dificuldade em lembrar do rosto no dia seguinte. Porém o Gui tinha um diferencial: uma sexy cicatriz. E assim, aquele garoto nunca mais deixou de aparecer em minha vida.Passei a vê-lo na noite em algumas festas e não demorou para que amigos em comum nos apresentassem – simplesmente pelo social. Afinal, os dois namoravam.

Em meados de 2012 terminei minha relação e estava querendo passar um tempo sozinho. Na minha cabeça, era a hora de eu viver pela primeira vez a minha solteirice… Mas surpresa: quem aparece no meu Face e Insta? Sim, o próprio, que também tinha terminado sua relação na mesma época. Bate-papo para cá, bate-papo para lá e surgiram convites para jantar uma, duas, três vezes. Todos recusados, pois eu sentia que sairia do jantar quase namorando – tinha medo da “cara de namorado” do Gui, ou seja, tudo o que eu estava evitando na época…

Resolvemos deixar rolar, sem marcar. Porém o desejo de ambos passou a ser conhecido por amigos e em uma festa um amigo resolveu dar literalmente um empurrão, e quando percebi o Gui estava cara a cara comigo e o deixar rolar, rolou. Beijei o cara com “cara de namorado”!!! Ainda tentei me enganar, mas já sabia onde isso nos levaria. Em menos de um mês oficializamos o namoro.

Foi a primeira vez que encontrei alguém que morava na mesma cidade e ganhamos qualidade e quantidade. Fatos que acho tão importantes pois é na hora que estamos sem fazer nada que percebemos se a presença do outro é ou não confortável.

Rapidinho percebemos que as afinidades eram maiores do que esperávamos. Os diálogos passaram a ser mais reais e menos fantasiosos. A relação cresceu e amadureceu. Eu brinco que juntos formamos uma terceira pessoa. E esta terceira tem que ser muito bacana! Desta forma, todos ganham, principalmente os amigos e a família, que, para mim são peças fundamentais em qualquer relação bem-sucedida.

Não sei dizer o que mais me atrai nele e talvez esta subjetividade seja justamente o segredo do meu amor. Só sei que eu tenho o maior orgulho em falar “meu namorado” e dizer “te amo meu Cataúcho!”. Ah, e quanto a solteirice que eu desejava no inicio do texto? Não, obrigado. Eu tenho certeza que fiz a escolha certa. Tão certa que resolvemos encurtar ainda mais a distancia e juntar as nossas escovas de dentes depois de quase três anos de namoro!!!


Guilherme Mocellin, 29, Médico

Eu já o conhecia antes dele me conhecer. Afinal de contas, quem nunca olhou as fotos de um ensaio e uma capa de revista que ele protagonizou com uma cueca frouxa (risos)? Sempre soube através da sacada de um casal de amigos que, na frente do prédio deles, e andares abaixo existia um cara muito atraente. E quem diria, sem querer, tempos depois estaria junto dele!

Nosso primeiro encontro aconteceu depois de muitos convites para jantares recusados por ele. Mas numa festa em 2012, nossos amigos alertaram: “Gui, Fabricio está indo! Vamos?!” “Fa, adivinha quem está indo? O Gui!”. Tudo começou com um literal empurrão dado de um amigo em mim para cima dele.Praticamente em cima dele, minha arma foi um sorriso. Um beijo…

Mas precisava conquistá-lo de vez fora de qualquer festa. Foi a hora de tirar a polo, vestir um jeans básico, camiseta branca, camisa flanela xadrez e um boné num próximo encontro, dessa vez na casa dele. Quando me viu, soltou uma gargalhada. Ate hoje ele tira sarro de mim. Desde então não nos distanciamos mais. Mas foi a beira-mar, com um nascer do sol indescritível, depois de uma grande festa no nordeste, quando ele, no meu colo, escutou: “Fa, namora comigo?”.

O sim e o toque suave no meu rosto estão eternizado em minha memória. Já são praticamente três anos de relacionamento e um constante e eterno aprendizado.Relacionamento não é coisa fácil, mas tentamos facilitar. Não só o meu prazer em cozinhar somado com o dele em fotografar, mas também com os filmes, viajar (muitas vezes sem um roteiro definido), e claro, reunir nossos amigos e nos divertir – quem nos conhece, sabe que adoramos uma festa!

Hoje há quem diga que somos muito parecidos. O que não faz a convivência não é?! Com ele aprendi a ser mais… humano. Que podemos errar, chorar e que a família é tudo – mais do que eu já sabia. Notar o esforço dele em me fazer ver as coisas de uma forma diferente não tem preço. Nosso plano mais recente se concretizou agora, quando resolvemos morar juntos. Tenho muito orgulho de ter ele ao meu lado. Isso é amor, paixão, união.

28/07/15

No Quênia, Obama contraria políticos e defende direitos iguais para os homossexuais


Visto no Fórum

Presidente norte-americano contrariou políticos quenianos, que tinham o advertido a não trazer o tema sobre direitos aos homossexuais durante sua visita ao país

O presidente norte-americano, Barack Obama, em visita oficial ao Quênia, pediu hoje (25) igualdade de direitos para os homossexuais na África, comparando a homofobia à discriminação racial existente nos Estados Unidos.

“Tenho sido coerente em todo o continente africano quanto a esta questão: creio no princípio segundo o qual cada um deve ser tratado de forma igual perante a lei e que o Estado não deve discriminar ninguém em função da sua orientação sexual”, afirmou Obama em Nairobi, em entrevista coletiva junto com o presidente queniano, Uhuru Kenyatta.

“Enquanto afro-norte-americano nos Estados Unidos, estou dolorosamente consciente das consequências da discriminação”, acrescentou.

O chefe de Estado norte-americano falou sobre as eleições presidenciais de Burundi, na África Central, que deram terceiro mandato ao presidente, Pierre Nkurunziza.

“Apelamos ao governo e à oposição [burundianos] para que estabeleçam um diálogo que conduza a uma solução política para a crise e evite a perda de mais vidas inocentes”, frisou.

Barack Obama fez um apelo para o fim da “terrível guerra civil” no Sudão do Sul, que há 19 meses devasta o país.

“A situação é terrível. Consideramos que a melhor forma de terminar com os combates é os dirigentes sul-sudaneses colocarem o seu país em primeiro lugar, com a ajuda de um acordo de paz que ponha fim aos combates”, declarou.

Por último, o presidente norte-americano falou das redes islâmicas somalis Shabab, ligadas à Al-Qaeda, afirmando que estas se encontram “enfraquecidas” na África Oriental, mas os riscos derivados da sua presença na região se mantêm.

“Temos reduzido de forma sistemática os territórios que os combatentes Shabab controlam. Conseguimos reduzir a sua atividade na Somália e enfraquecemos essas redes que operam na África Oriental, mas isso não quer dizer que o problema esteja resolvido,” disse Obama.

Clipe Musical Lésbico: Blankets em "The Hanging Tree"

27/07/15

Iraquiano gay relata como escapou de ser atirado de prédio pelo 'EI'


Taim: 'É devastador ver a reação pública aos assassinatos do 'EI'; as pessoas 
se solidarizam com as vítimas apenas se não forem gays.' (Foto: BBC)

Visto no G1
Da BBC

'O 'EI' é profissional quando o assunto é perseguir gays, caçam um a um'; em chocante relato, jovem conta que o próprio pai queria sua punição e que só escapou por ajuda da mãe.

O grupo extremista autodenominado Estado Islâmico (EI) tem uma punição especial para gays - o lançamento à morte do topo de prédios altos. Taim, um estudante de Medicina de 24 anos, conta a história de como escapou desse destino numa fuga do Iraque ao Líbano.

"Na nossa sociedade (iraquiana), ser gay é igual a uma sentença de morte. Quando o 'EI' mata gays, muitos ficam felizes porque pensam que somos doentes.



Percebi que era gay aos 13 ou 14 anos. Também pensava que a homossexualidade era uma doença, e só queria me sentir normal. Por isso fiz terapia durante meu primeiro ano na faculdade. Meu terapeuta me aconselhou a pedir ajuda aos amigos e dizer que eu passava por um 'período difícil'.

Minha formação é muçulmana, mas meu ex-namorado vinha de um ambiente cristão, e eu também tinha muitos amigos cristãos, com quem costumava sair. Em 2013, envolvi-me numa briga com um colega de faculdade, Omar - que depois se integrou ao 'EI' -, motivada por essa convivência com cristãos.

Um amigo meu disse a ele que pegasse leve porque eu enfrentava um momento duro e recebia tratamento por ser gay. Foi assim que ficaram sabendo. Acho que a intenção do meu amigo era boa, mas o que aconteceu em consequência disso arruinou minha vida.

Em novembro de 2013, Omar me atacou com dois amigos. Eu estava apenas andando para casa depois de um ótimo dia. Eles me espancaram, jogaram-me no chão e rasparam minha cabeça. Diziam: 'Essa é só uma lição por enquanto, porque seu pai é um homem religioso. Olhe o que você faz!'. Ele queria dizer que eu só não tinha sido morto ali em respeito ao meu pai, porque venho de uma família religiosa.

Deixei a cidade por alguns dias e não apareci na universidade. Mas acabei voltando, e, em março de 2014, deixei Omar furioso de novo, desta vez por dizer que não-muçulmanos não deveriam pagar a "jizya", uma taxa paga por não-muçulmanos a governos muçulmanos. Estava lavando as mãos no banheiro da faculdade quando ele e outros me atacaram mais uma vez.

Eles chegaram por trás, mas reconheci um deles pelo relógio verde. Era o mesmo grupo. Eles me bateram até me deixar semiconsciente. Quase não conseguia andar, e parei de ir à faculdade por um mês.

Então, no meio das provas finais, o 'EI' tomou o poder. Omar me ligou, pediu que me arrependesse e me juntasse a eles. Eu desliguei o telefone.


O grupo extremista autodenominado Estado Islâmico (EI) tem uma punição especial para gays - o lançamento à morte do topo de prédios altos. Taim, um estudante de Medicina de 24 anos, conta a história de como escapou desse destino numa fuga do Iraque ao Líbano (Foto: BBC)

Em 4 de julho, um grupo de soldados do 'EI' veio até minha casa. Meu pai atendeu a porta e eles teriam dito: 'Seu filho é um infiel e um homossexual, e nós viemos trazer a punição de Deus para ele'.

Meu pai é um homem religioso, e para minha sorte conseguiu convencê-los a voltar no dia seguinte, para que ele pudesse verificar a veracidade da acusação. Ele entrou em casa e começou a gritar. Ao final, afirmou: 'Se essas acusações forem verdade, eu vou entregá-lo a eles, e feliz'. Eu fiquei estático, sem saber o que fazer ou dizer - muito menos me defender.

Eu estava em choque. Mas minha mãe decidiu que eu deveria deixar nossa casa imediatamente, e começou a me ajudar a conseguir um visto para sair do Iraque. Era meia-noite e ela me disse: 'Estamos indo agora'.

Ela me levou até a casa da minha tia. No dia seguinte, reservou um voo para a Turquia e conseguiu um visto para mim. Mas eu teria que passar por Erbil (capital da região curda do Iraque), e eles não nos deixariam entrar no Curdistão. Passei duas semanas num vilarejo perto de Erbil tentando entrar, e nada. Tentei ir por Bagdá mas havia combates na estrada e o motorista se recusava a ir. Tentei sair muitas vezes, sem sucesso.

Em agosto, após semanas me escondendo, minha mãe deu um jeito de me levar a Kirkuk, dirigindo por campos e estradas de terra. De lá segui para Sulaymaniyah. Planejava ir para a Turquia, mas o primeiro voo disponível era para Beirute, e eu não precisava de visto - e aqui estou.

Se eu tivesse ficado, o 'EI' teria ido atrás de mim e me matado como fizeram com outros. Se não me pegassem, meus próprios parentes teriam feito o serviço. Poucos dias depois que saí, soube que meu tio - irmão do meu pai - tinha jurado limpar a honra da família.

Recentemente recebi uma mensagem anônima pelo Facebook - minha mãe acha que foi meu tio. Dizia: 'Você está em Beirute. Vou te perseguir até no inferno'.

Tudo o que quero agora é ficar em um lugar seguro, fora de alcance do meu pai e de qualquer extremista. Quero estar seguro, ser livre e ser eu mesmo - quero me formar e começar a viver... Só quero começar a viver.

Taim com a cabeça raspada. (Foto: BBC)

Advogados de direitos humanos do Projeto de Assistência a Refugiados Iraquianos me ajudaram a obter status de refugiado e estão tentando me realocar em outro país, onde quero continuar meus estudos. Aqui vivo em um quarto do tamanho do banheiro da minha antiga casa. Estou num limbo.

Acho que vou me recuperar aos poucos, mas sempre haverá a lembrança desse período negro quando tive que literalmente correr pela minha vida. Foi muito estressante, mas consegui.

Perdi contato com a maior parte da minha família. Um mês depois que fugi, meu irmão mais novo me enviou uma mensagem no Facebook dizendo: 'Tive que deixar a cidade. A família está despedaçada e a culpa é toda sua'.

Fiquei nervoso e não respondi. Mas senti saudades dele no Revéillon, então escrevi dizendo: 'Não é minha culpa ter nascido assim. Eles ('EI') são os criminosos'. E depois disso tivemos uma longa conversa no Facebook sobre nossas infâncias.

Não falei mais com meu pai. O que ele fez foi muito doloroso. Ele é meu pai. Teria que me proteger e me defender acima de tudo. Mas quando ele disse que me entregaria ao 'EI', ele sabia o que fariam comigo. Ele sabia. Talvez o perdoe no futuro, mas agora não quero nem pensar nele. Quero que fique fora da minha vida.

Mas com minha mãe falo toda semana. É difícil para ela porque não há sinal de celular e ela tem que sair da cidade para conseguir sinal. Ela é a mulher mais incrível do mundo. Ela é culta e respeitosa - é brilhante. Ela me ama, e nunca discutiu minha homossexualidade quando me ajudava a fugir.

Ela estava apenas focada em me deixar em segurança. Porque é minha mãe, acho que ela sempre soube que sou gay. Mas tudo que senti dela foi o amor, um amor verdadeiro. Nunca me despedi dela porque quando consegui (fugir) já havia tido tantas tentativas frustradas que achava que iria voltar e vê-la novamente.

Tudo o que queria era um abraço dela.

Ainda tenho amigos gays, mas perdemos contato para a própria segurança deles.

No começo deste ano um dos meus melhores amigos, que ficou no Iraque, foi morto. Ele foi jogado do alto do principal prédio do governo.

Era um grande homem, uma pessoa muito gentil. Tinha 22 anos, era estudante de Medicina, muito calmo e esperto - quase um gênio. Costumava me contar sobre as últimas descobertas científicas - sempre tirava notas altas, e nunca andava sem um livro.

Nós nos conhecemos pela internet - gays iraquianos costumam frequentar comunidades online - e depois pessoalmente. Ao vivo ele era bem quieto, mas online não parava de falar. Ele compartilhava seus maiores segredos comigo. Como homens gays, todos tínhamos que ter vidas secretas.

Não sei como ele foi descoberto, porque era muito cuidadoso - talvez por meio de uma mensagem de celular ou de internet. Quando o 'EI' captura alguém, eles vasculham todas as mensagens.

A última vez que o vi ao vivo foi pouco antes de o 'EI' tomar nossa cidade, mas continuamos em contato até minha fuga.

Não consigo descrever o que senti quando vi imagens dele pela primeira vez. Aquele vídeo me persegue em pesadelos. Sinto que estou caindo do alto. Sonho que estou sendo preso e depois jogado de um edifício - o mesmo destino do meu amigo.

É devastador vê-lo ir dessa maneira brutal. Ele foi vendado, mas sei que era ele pelo porte físico e tom de pele. Parece que ele morreu imediatamente, mas um amigo me disse que não - talvez o prédio não fosse alto o suficiente. Esse amigo me disse que ele foi apedrejado até a morte.

Eu queria desabar. Não podia acreditar. Um dia ele estava vivo, ativo, vivendo sua vida.

E agora ele se foi.

Mesmo antes da chegada do 'EI', eu vivia em estado de medo constante. Não há leis para te proteger. Milicianos estavam matando pessoas em segredo - e ninguém dizia nada. Para eles, somos apenas um bando de criminosos sujos que precisam ser eliminados porque atraímos a ira de Deus e somos a fonte de todo o mal.

Foi muito difícil nos anos recentes. Havia milicianos e homens de segurança que - se descobrissem que alguém era gay - prendiam, estupravam e torturavam essa pessoa. Houve muitos assassinatos supervisionados pelo Exército iraquiano. É possível ver soldados em vídeos de pessoas sendo apedrejadas ou queimadas vivas.

Eu vi um vídeo em que um homem gay teve cordas amarradas no pescoço e foi arrastado pelas ruas, apedrejado e queimado. Alguns tiveram os retos preenchidos com cola e foram deixados no deserto para morrer.

Antes do 'EI', acho que talvez o poder da minha família tenha me protegido. Mas mesmo se o 'EI' desaparecesse agora, o risco seria o mesmo, agora que já fui identificado como gay.

A diferença agora é que o 'EI' tem apenas um método terrível de matar pessoas - jogando essas pessoas de prédios e apedrejando-as caso não morreram na queda. Esse era o meu destino se o 'EI' tivesse me pegado.

O que também mudou é que a mídia está atenta às ações do 'EI', porque é o 'EI'. E o 'EI' filma tudo, divulga o vídeo e afirma 'Matamos essas pessoas por serem gays, e essa é a punição deles de acordo com nosso Livro Sagrado'.

O 'EI' é profissional quando o assunto é perseguir gays. Caçam um a um. E quando pegam algum, vasculham seu telefone e amigos do Facebook. Eles estão tentando identificar todo homem gay. É como uma trilha de dominó - se um cai, os outros irão cair também.

É devastador ver a reação pública aos assassinatos. Normalmente, quando o 'EI' divulga imagens online, as pessoas se solidarizam com as vítimas - mas apenas se não forem gays. Você deveria ver os comentários no Facebook sobre os vídeos de assassinatos. "Odiamos o 'EI' mas amamos quando fazem coisas assim. Deus o abençoe, 'EI'". "Sou contra o 'EI' mas sou totalmente a favor quando matam gays". "Ótimas notícias. Isso é o mínimo que os gays merecem." "A homossexualidade é o crime mais horrendo do mundo. Belo trabalho 'EI'." "A cena é horrível, mas eles merecem." "Esses sujos merecem o 'EI'."

E há milhares de pessoas concordando com esses comentários cheios de ódio. É isso que perturba tanto. É dessa sociedade que eu fugi.

O Islã se opõe à homossexualidade. Meu pai me fez estudar a sharia (lei islâmica) por seis anos porque queria que fosse religioso como ele. Há um hadith (narrativas e pregações atribuídas ao profeta Maomé) que recomenda que homens gays sejam jogados de desfiladeiros, e depois que um juiz ou um califa decida se devem ser queimados ou apedrejados até a morte.

Penso que o 'EI' está jogando homens gays do alto de prédios porque nossa sociedade nos odeia e é uma maneira de conseguir apoio.

Eu tento não assistir aos vídeos do 'EI'. Mas para ser sincero eu procuro os vídeos deles de martírio. Quero ver se consigo ver Omar, o homem que arruinou minha vida.

Fico muito preocupado com os gays que ainda estão lá. Tenho dezenas de amigos que não podem deixar o país porque não têm dinheiro para isso. Mas depois da morte de nosso amigo eu me despedi e bloqueei todos (em redes sociais), para a própria segurança deles.

Vim a público para honrar meu amigo que foi morto - e para todo homem gay que conheço que ainda está no Iraque. Quero que os iraquianos saibam que somos seres humanos, e não bandidos. Temos sentimentos e temos alma. Parem de nos odiar apenas porque nascemos diferentes.

Tive sorte em conseguir sair. Salvei minha alma. Mas e eles? Terão sorte suficiente para sobreviver? E, se sobreviverem, irão se recuperar do trauma da perseguição? É um desastre, e todos eles são alvos.

Taim contou sua história à repórter da BBC Caroline Hawley. Taim não é seu nome real, e Omar também não é o nome verdadeiro de seu algoz.

Clipe Musical Trans: Violet Chachki em "Vanguard"

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