30/07/2014

Portugueses lançam websérie gay com ursos

 
Por Nelson Neto para o Mix Brasil 
 
Websérie portuguesa estreia em agosto contando a história de três ursos de coração mole.
 
A websérie “Barba Rija” é uma das primeiras séries gays para internet de Portugal. Com estreia prevista para agosto, o enredo conta a história de três ursos de coração mole que vivem em Lisboa.
 
Nos episódios, eles trabalham, saem à noite e entram em aventuras românticas. Pedro, um deles, acabou de romper seu namoro, Antônio que também faz parte do grupo, tem uma paixão secreta, e Big Bear é o mais doce que vai surpreender todos os amigos com uma mudança repentina em sua vida.   

"A pior doença causada pelo HIV não é a AIDS" Por Eliseu Neto

 
Por *Eliseu Neto para o Super Pride
 
Eu não sou HIV positiva, mas e se eu fosse? Eu teria mais medo de como a sociedade iria me tratar por ter a doença do que da doença em si. Se é com isso que eu tenho que lidar por causa do meu envolvimento na luta contra esta epidemia, então que assim seja. Eu não tenho medo de ser associada a pessoas que são HIV positivas e eu não tenho medo de amar as pessoas que são HIV positivas. Porque a aprovação delas no mundo é mais importante do que a minha, porque a coragem delas é maior que a minha, porque o que elas estão enfrentando é real. E se pudermos aprender a lidar com o real e com nossos medos, eu estou esperançosa de que podemos conquistar esta doença."
 
Em 11 de dezembro de 1991 Madonna já falava sobre o terrível estigma que recai sobre os portadores de HIV. Mesmo sendo uma doença que hoje tem controle e mata menos que o câncer, a pessoa que convive com o vírus se torna um pária, como se o fato de andar com alguém infectado fizesse com que a pessoa se infectasse.
 
Meu melhor amigo se enforcou uma semana depois do dia dos namorados. Era soropositivo desde os 18 anos e foi capaz de aguentar as fofocas e maledicências até os 34. Então, mesmo saudável, não suportou a solidão e o desprezo das pessoas. “Não aguento mais”, dizia a carta dele.
 
O Superpride recebeu uma carta de um leitor soropositivo, na qual ele relata o dilema em que vive: não quer esconder sua condição dos parceiros; mas, assim que conta, eles somem. Consigo entender a atitude de ambos. Um não quer pôr a vida de terceiros em risco e decide contar. Já o outro, como defesa, foge, pensa que não precisa viver nesse risco.
 
Não sei bem como opinar sobre o assunto, acredito que ambos tem as suas razões.
 
Mesmo sabendo do fato de que o HIV hoje é quase uma doença crônica, o estigma em que ela se transformou no universo LGBT faz com que à sua simples menção todos se afastem. O preconceito, a falta de informação e as fofocas são mesmo mais doentias e dolorosas que o vírus em si.
 
É necessária muita maturidade para estar numa relação sorodiscordante (na qual um parceiro é HIV e o outro não) e ficar tranquilo, mas isso é possível, conheço casos.
 
Acho que no fundo é uma decisão pessoal, que leva em consideração o afeto que se sente por aquela pessoa, mas que não deve esquecer a consciência de que devemos sempre, mesmo em relações monogâmicas, utilizar preservativo.
 
O pior de tudo é, a meu ver, a exposição da vida pessoal de alguém que já sofre uma dor. Precisamos mesmo falar da vida de todos? Sobre quantas pessoas saudáveis eu já ouvi fofocas que juravam que elas eram portadoras... Os LGBTs, de certa forma, criaram um obsessão com o HIV, mesmo que hoje ele seja um vírus que se propaga mais por causa de um comportamento de risco; e não por se fazer parte de um estereotipado grupo de risco.
 
Não vou falar aqui para ninguém namorar ou casar com alguém infectado, mas acho sim que devemos dar todo afeto e suporte para quem terá que conviver anos à fio com um vírus, com tamanha polêmica e ainda ter que lidar com esse afastamento social.
 
Vamos ser solidários, amigos, dar o carinho necessário. Não somente de amor sexual vive um ser humano. Um abraço no momento certo pode salvar uma vida.
 
Ao meu amigo que morreu eu dedico esse texto. Queria ter te dado esse abraço, ter lhe dito que você poderia contar comigo pra sempre. Sei que sabia disso, mas eu queria ter dito as palavras.
Não percam essa oportunidade.
 
"Aids: o vírus do preconceito mata mais que a doença." Paiva Netto
 
*Psicólogo, psicanalista, gestor de carreiras, professor de Pós gradução, membro do Comite LGBT carioca e gestor da coordenadoria nacional de combate à homotransfobia do PPS.

"PIX" de Antonio da Silva


Núcleo gay tucano pede providências ao PSDB contra candidato do "kit macho"


Por Vitor Sorano - iG São Paulo
 
Para presidente do Diversidade Tucana, candidato que trata homossexualidade como doença vai contra história do PSDB
 
O Diversidade Tucana, núcleo LGTB do PSDB, pediu providências à Executiva Nacional contra Matheus Sathler, que tenta concorrer a uma vaga de deputado federal pelo partido com campanha contra a homossexualidade.
 
O candidato, que ainda não teve o registro aprovado pela Justiça Eleitoral, também relaciona a homossexualidade à pedofilia.
 
"O que a gente pede é que a Executiva tome conhecimento de que isso está acontecendo, porque é uma plataforma que não condiz com a história e o estatuto do partido", diz ao iG Wagner Tronolone, presidente do Diversidade Tucana.
 
O pedido de providências foi feito por uma carta enviada à Executiva na quinta-feira (24/07). O conteúdo foi divulgado no blog da Diversidade Tucana e acusa Satlher de ser homofóbico.
 
Tronolone afirma que o objetivo do núcleo não é cassação do registro de Satlher junto ao partido, mas argumenta que "o lugar desse [tipo de] candidato não é o PSDB". Desde 2013, o estatuto da agremiação estabelece como objetivo programático o respeito "às diferentes orientações sexuais e identidades de gênero."
 
"É o nosso primeiro processo eleitoral [após a mudança do estatuto]. Para gente, como grupo, é importante presrvar na prática o que conquistamos [no papel]."
 
Em vídeo publicado na internet, Sathler, advogado de Brasíla, trata a homossexualidade como doença, ao dizer que "prevenir o homossexualismo é melhor do que remediar" e promete implantar, nas escolas,  o"kit macho" e "kit fêmea" para ensinar que "dois homens e duas mulheres não são família".
 
A Organizações da Nações Unidas (ONU) condena o tratamento da homossexualidade como doença, e rechaça mesmo o termo homossexualismo.
 
Ao iG, Satlher argumenta que o Diversidade Tucana não é reconhecido pela Executiva Nacional do PSDB. "Eu fui o organizador, para contrapor isso, de 16 blogs ligados à família tucana, ao empreendedorismo tucano, aos conservadores tucanos, que são o nosso grupo majoritário dentro do partido."

29/07/2014

Modelo Andrej Pejic faz cirurgia de redesignação sexual

 
Por GABRIEL PERLINE para o ESTADÃO

Em 2011, Andrej Pejic invadiu as passarelas e chamou a atenção dos estilistas, imprensa e público por sua androginia e versatilidade, responsáveis por fazê-lo estrelar campanhas de linhas voltadas a homens e mulheres. Agora, aos 22 anos, o modelo bósnio assume definitivamente sua identidade feminina e passa a adotar o nome de Andreja.

À revista People, ela revelou ter feito a cirurgia de redesignação sexual no início deste ano. “Quero compartilhar minha história com o mundo, porque acho que tenho uma responsabilidade social”, disse Andreja.

Assim como a atriz Laverne Cox, Andreja quer se tornar uma ativista pelos direitos dos transexuais. “Eu estava muito feliz por ter chegado o momento de fazer a cirurgia”, disse.

Quando vivia na Austrália, aos 13 anos, a modelo já se sentia incomodada com a anatomia masculina e pesquisou na internet sobre a possibilidade de se submeter ao procedimento de mudança de sexo. “Quando eu contei à minha mãe, avó e meu irmão, todos me apoiaram. Eu queria terminar o ensino médio como Andrej, fazer a cirurgia e esquecer meu passado masculino”, comentou.

Ainda na adolescência, Pejic iniciou o uso de remédios para bloquear a puberdade para evitar que os hormônios masculinos fizessem grandes mudanças em seu corpo. “Eu sabia que a puberdade iria me transformar em algo parecido com meu irmão ou meu pai”, explicou.

Seus planos de passar pela cirurgia foram adiados quando Andreja tinha 17 anos e foi descoberta por um agente de modelos, que a convidou para alguns trabalhos e logo chamou a atenção de grandes nomes da moda, como Jean-Paul Gaultier e Marc Jacobs. “Cerca de um ano e meio atrás eu reavaliei as coisas. Meu maior sonho era estar confotável com meu próprio corpo e tenho que ser fiel a mim mesma. A carreira terá que se encaixar em torno dessa mudança”, disse a modelo, que passou a se reunir com médicos nos Estados Unidos para conduzir sua cirurgia.

Realizada com a nova fase, Andreja diz se sentir 100% renovada. “Cada dia é como uma nova revelação. Estou mais confortável do que nunca”, finalizou.
 

"A coragem e o pioneirismo do DR. ALAN HART o primeiro Homem Transexual Americano." Por Majorie Marchi

Visto em Mundo Trans por Majorie Marchi
 
Inspirada pela música do Rei “Roberto Carlos”, decidi apresentar este mês a história de um grande Cara, o Dr. ALAN HART e sua história de coragem, garra e muita competência. Sinto-me orgulhosa em poder apresentar este grande ícone da Transexualidade Mundial que merece todo nosso respeito e reverência.

Apesar dos avanços nas políticas públicas de saúde para Transexuais no SUS, Homens Trans ainda não se encontram totalmente contemplados e ainda carecem de apoio, voz, visibilidade e principalmente de políticas públicas inclusivas e específicas para que enfim possam encontrar a minimização do seu problema mais urgente que é a urgência da transformação corporal assistida, Dr. Alan abriu caminhos e se tornou uma importante referência positiva para gerações e gerações de futuros Homens Trans, convido 
tod@s a conhecerem um pouco da sua história.

 Dedico a coluna deste mês a todos os Homens Transexuais Brasileiros, mas em especial a três companheiros que são importantes referenciais para a discussão qualificada da Transexualidade Masculina no Brasil, Alexandre Peixe, Professor Guilherme de Almeida e ao querido João W Nery.

INFÂNCIA E FAMÍLIA

Dr. Alan L Hart respeitado médico, radiologista, escritor e pesquisador da Tuberculose, nascido em 04 de outubro de 1890 nos Estados Unidos, filha de Albert L Hart e Edna Hart e foi registrado com o nome de Alberta Lucille Hart , Alan perdeu o pai aos 2 anos de idade  vítima de febre tifoide, aos 5 anos sua mãe se casa novamente onde mudam-se para a fazenda de seus avós em Oregon.

Anos mais tarde Alan descreve a fase da infância na fazenda de seus avós como um dos momentos mais felizes de sua vida, pois recordava de vestir-se e brincar livremente como um menino sem sofrer nenhuma retaliação por isso.

Seus pais e seus avós não se importavam com sua expressão de gênero que divergia do convencional, sua mãe achava bobo seu desejo de comportar-se como menino. Outro fato marcante era a grande amizade que mantinha com o avô companheiro de brincadeiras e que o presenteava constantemente com brinquedos de meninos feitos a mão por ele mesmo.

O FIM DA ERA DOURADA

O falecimento de seus avós ocasionaram drásticas mudanças na sua vida, como a mudança para Albany, nesta ocasião Alan tinha 12 anos e foi imediatamente obrigado a se vestir constantemente como menina e frequentar a escola, lhe causado grande tristeza, pois somente durante as férias em retorno a fazenda lhe era permitido novamente, assumir o comportamento masculino utilizando as vestimentas e convivendo com os demais meninos. Este era o momento mais esperado do ano o seu momento de refugio das recentes imposições de gênero.

Aluno de destaque em toda sua vida escolar, na fase avançada do colégio foi autorizado a assinar alguns artigos e ensaios com nome masculino, tendo pouca rejeição de colegas e Professores para que isso acontecesse, o nome escolhido foi “ROBERT ALLEN BAMFORD JR” e usou por pouquíssimas vezes seu nome de registro em suas publicações apenas quando se viu obrigado em alguma ocasião.

Formou-se em 1912 no Albany College e concluiu seu doutorado em Medicina no ano de 1917 na Universidade de Stanford, onde amargou uma das suas maiores decepções ao ver que foi em vão seu esforço para conseguir que fosse emitido com seu nome social masculino seu diploma de medicina fato este que lhe rendeu muito mais que uma frustração, mas também uma série problemas futuros para conseguir trabalho na sua área, pois se apresentava como Robert e estava Alberta no diploma, onde foi obrigado a ter que aceitar um trabalho por um curto período na Cruz Vermelha em que tinha que frequentar  vestida com roupas femininas

Na fase adulta influenciado pelo de Martha Baer em 1907, que havia estabelecido importante precedente médico para cirurgias de mudança de sexo, pois combinou simultaneamente a atuação de psiquiatras, cirurgiões e juristas para transformar um corpo saudável de fêmea em macho, foi então que decidiu procurar ajuda psiquiátrica para orienta-lo quanto  as modificações corporais que havia decidido realizar objetivando encontrar-se.

Em 1917, Hart aproximou Dr. Joshua Gilbert, da Universidade de Oregon e solicitou a cirurgia radical para eliminar definitivamente  a menstruação e a possibilidade de engravidar, para convencer seu médico argumentou ao Dr. Gilbert  que uma pessoa anormal deveria ser esterilizada.

Dr. Gilbert foi inicialmente relutante, mas entendeu que Alan não era um doente mental e tinha uma misteriosa doença na qual ele não tinha explicação, escreveu em notas de casos publicados no Jornal de distúrbios nervosos e Mental, em 1920, que do ponto de vista sociológico e psicológico que ela [ALAN] é um homem, e que viver como uma era única chance de Hart para uma existência feliz,o melhor que pode ser feito.

Este foi o primeiro caso na América, onde um psiquiatra recomenda a remoção de um órgão saudável baseada unicamente na identificação de um indivíduo do sexo.

A DECISÃO FINAL

Não há evidencias que Alan utilizou hormônios durante seu tratamento, onde teve sua cirurgia de retirada do colo do útero dos ovários e trompas, concluída na Universidade de Oregon Medical School nas férias de inverno 1917-1918.

Em fevereiro de 1918 mudou seu nome legalmente se casou com sua primeira esposa, Inez Stark e mudaram-se para Gardiner Oregon, onde tiveram problemas por ter sua vida exposta por um antigo colega da escola de medicina, o que o obrigou a mudar-se para o interior e viver em constantes deslocações.

A insegurança financeira  acabou por findar com seu casamento em setembro de 1923,no ano de 1925 se divorciou e casou pela segunda vez com Edna Ruddick, união esta que durou até o fim de sua vida, neste mesmo ano mudou-se para Nova York trabalhar na Escola Trudeu de Tuberculose, onde fez a pós-graduação, trabalhou  de 1926 á 1928 como um clínico no Rockford sanatório TB em Illinois, Hart obteve um mestrado em Radiologia da Universidade da Pensilvânia,e em 1929 foi nomeado Diretor de Radiologia da Tacoma General Hospital ,durante a década de 1930 o casal mudou-se para Idaho , onde trabalhou durante os anos 1930 e início dos anos 1940, depois seguiu para Washington. Durante a guerra de Alan também era um conselheiro médico no Recrutamento do Exército, depois obteve um mestrado em Saúde Pública de Yale, foi nomeado diretor de Internação e Reabilitação para o Estado de Connecticut da comissão de Tuberculose.

Após a Segunda Guerra Mundial com a disponibilização de hormônios sintéticos no USA, Alan realizou o antigo sonho de ter Barba além de que obteve uma voz mais profunda, tornando-o mais confiante e suas aparições públicas mais fáceis.

 Hart dedicou grande parte de sua carreira à investigação e tratamento da Tuberculose. No início do século 20, a doença foi a maior causa de morte nos Estados Unidos. No início do século XX Raios X que foram usados para detectar fraturas e tumores, mas Alan descobriu seu potencial para a detecção de tuberculose, enfatizando a importância da detecção precoce e tratamento. Ele manteve esta posição para o resto de sua vida, e ainda hoje é creditado por ter sido fundamental para conter a disseminação da tuberculose, programas similares com base em sua liderança e metodologia nesse campo em outros estados também salvou milhares de vidas.

 Ao lado de sua prática médica e pesquisa, Hart seguiu uma segunda carreira como romancista. Ele tinha no início da vida publicada na escola, locais e revistas de faculdade, e mais tarde publicou quatro romances, principalmente sobre temas médicos. Durante os últimos seis anos de sua vida Hart deu inúmeras palestras, e dedicou todo o seu tempo livre para angariação de fundos para a investigação médica e de apoio a doentes com tuberculose avançada que não podiam pagar o tratamento.

Alan morreu de insuficiência Cardíaca em 1 de julho de 1962 seu desejo era que seu corpo fosse cremado e suas cinzas espalhadas sobre Puget Sound, onde ele e Edna passaram muitos verões juntos e felizes, disse uma vez em um discurso para estudantes de medicina, “Cada um de nós deve ter em conta a matéria-prima que a hereditariedade tratado nós no nascimento e as oportunidades que tivemos ao longo do caminho, e depois trabalhar por nós mesmos uma avaliação sensata de nossas personalidades e realizações “.
 
Eterno seja Dr.Alan Hart, VOCÊ é o CARA…

Arcebispo brasileiro diz que Igreja estuda acolher gays

 
Visto na Revista Lado A

O Arcebispo emérito de São Paulo, Dom Cláudio Hummes, concedeu uma ótima entrevista publicada neste final de semana pelo jornal gaúcho Zero Hora em que fala sobre temas polêmicos e o papado de Francisco. A jornalista Cleidi Pereira conversou com o religioso que até afirmou que um homossexual pode ser santo, não havendo impedimento para sua religiosidade. Cotado como possível nome a se tornar líder máximo da Igreja no conclave do ano passado, dom Cláudio Hummes é amigo próximo do papa eleito e vem da ordem Franciscana, tendo encontrado a sua vocação ainda criança. A publicação destaca ainda que em breve o religioso fará 80 anos.
 
Hummes classifica como positivo este pouco mais de um ano de pontificado do seu colega. Ao ser perguntado da possibilidade de mudanças na forma em que a Igreja vê questões como celibato, divórcio, homossexualidade e ordenação de mulheres, o arcebispo brasileiro afirma: “Foi enviado um grande questionário, e aí está uma outra novidade dele, porque ele insistiu que esse questionário — que já foi respondido — também fosse entregue aos leigos. Em outubro, terá o sínodo extraordinário que vai tratar dessa questão”, revela o religioso.
 
A jornalista pergunta se algo mudou na relação da Igreja com os gays e ainda “Se um casal homoafetivo procurar uma paróquia, poderá receber os sacramentos ou ser padrinho em um batizado, por exemplo?”. Hummes respondeu que não está a par da questão mas relembrou o que disse o papa: "Se um homossexual busca Deus, quem sou eu para julgá-lo?" Para ele, “A pessoa tem de ser respeitada. Se ela tem uma orientação homossexual, o que isso significa na vida dela? Ela, na verdade, tem de viver dignamente a sua vida. Nessa questão do batizado, não sei como os bispos estão aplicando isso, porque, em si, não tem nada a ver com isso, a não ser que fosse um pecador público, digamos assim, que fosse uma pessoa complicada nesse sentido. O padrinho é aquele que deve ajudar a educar religiosamente, e uma pessoa que tem uma orientação sexual poder ser um santo. Se ele vive o evangelho, dentro das suas condições, ele pode ser um santo. Em tese, não tem nada contrário”.
 
Dom Claudio Hummes afirma ainda que é preciso calma com as mudanças. “A gente não deve ter pressa. É a Igreja quem tem que indicar o caminho e não a pessoa individual querer fazer reformas. Então, temos que ter paciência, mas o fato de que ele abriu essas portas mostra que a Igreja está querendo realmente ser mais positiva nessas questões”.

E “Se Jesus vivesse hoje, ele seria a favor do casamento gay?”, perguntou a jornalista. “Não sei, não faço nenhuma hipótese sobre isso. Quem deve responder isso é a Igreja em seu conjunto. Temos que cuidar para não ficar levantando questões individualmente, porque isso acaba criando mais dificuldades para a gente chegar numa conclusão que seja válida. Acho que a gente tem que se reunir, ouvir as pessoas, os próprios em jogo, os bispos. É a Igreja que deve indicar os caminhos, e deve haver caminho para todos”, respondeu o arcebispo.

Confira a entrevista completa no site da RBS, clique aqui.

28/07/2014

Humor de Segunda: "Pão Nosso" (Porta dos Fundos)


Travesti recebe pergunta "Meu filho é gay, o que fazer?" e arrasa na resposta; assista vídeo

Por Neto Lucon para A CAPA
 
No melhor estilo "Casos de Família", a travesti carioca Porcina D' Alessandro publicou um vídeo em que responde a pergunta "Meu filho é gay, o que fazer?". E o discurso é direto, sincero, nada polido e muito eficaz.
 
Ela, que em sua página pessoal afirma trabalhar como costureira, simplesmente responde: "Não faz nada, deixa ser a bichinha ser gay". O vídeo soma mais de 2 mil compartilhamentos.
 
Porcina revela a própria experiência e diz que a família a obrigou a ser "homem", casar com mulher e ter filho, mas que "não deu certo". "Daí quando eu assumi, a família disse: 'Ah, eu notava, eu via'. Pô, então se notava, porque não deixou eu seguir o meu caminho?".
 
Durante o discurso, ela diz que muitas vezes a família está mais preocupada na opinião do vizinho e que acaba deixando o filho desamparado em todos os sentidos. Ela faz um paralelo com a saída de casa, prostituição e até doenças sexualmente transmissíveis.
 
Confira o vídeo abaixo:
 

Casamento gay em Centro de Tradições Gaúchas causa polêmica no Sul

 
Por PAULA SPERB para a FOLHA
 
A decisão de uma juíza de aceitar casais gays em um casamento comunitário em Santana de Livramento (RS) está deixando os tradicionalistas riograndenses de cabelo em pé. Explica-se: o cenário do casório será um CTG, ou Centro de Tradições Gaúchas, espécie de guardião da figura mítica do gaúcho destemido e viril.
 
A iniciativa é da juíza Carine Labres, 34, que se baseou na resolução 175 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para abrir as inscrições para os casais do mesmo sexo. Até o momento, ao menos 2 dos 22 casais inscritos são de homossexuais. “Estamos fazendo nada mais nada menos do que cumprir a lei”, diz a juíza.
 
Foi dela a sugestão para que o casamento de setembro fosse em um CTG, para homenagear as tradições gaúchas no mês da Semana Farroupilha. Ela já realizou um casamento nos mesmos moldes, em março, no fórum da cidade.
 
O único CTG que aceitou ser palco das uniões sem discriminação foi o Sentinela do Planalto. O patrão do CTG, Gilbert Gisler, 47, diz que está apenas honrando o artigo 9 da Carta de Princípios do Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG): lutar pelos direitos humanos de liberdade, igualdade e humanidade.
 
Mas o MTG, órgão disciplinador e orientador ao qual os CTGs são filiados, é contra. Rui Rodrigues, 61, presidente da Associação Tradicionalista de Santana do Livramento e conselheiro do MTG, conhece a legislação, mas orienta os gays a procurarem outro local para o casamento.
 
“Casamento de hétero, de associados ao MTG, de tradicionalistas, sim, concordamos. Mas esse casamento [gay] é fora da nossa realidade”, diz Ferreira. “Nosso objetivo sempre foi a manutenção da família tradicional. O que está havendo é uma alteração”, conclui Ferreira.
 
Ele diz ainda que o Sentinelas do Planalto não pode ser considerado um CTG porque não paga suas anuidades. Gisler diz que parou de pagar a contribuição obrigatória quando o espaço foi assaltado e não recebeu nenhuma ajuda do MTG. “Quando mais precisam, eles viram as costas”, afirma.
 
A juíza ressalta que nunca quis afrontar a tradição. Mas, pare ela, o MTG tem uma compreensão equivocada do significado de família. “O conceito assumiu uma versão plural. A lei entende que, se tem legítimo afeto, é família. Casais do mesmo sexo são considerados como família”, explica Labres.
Os nomes dos casais homossexuais já inscritos estão sendo preservados pela juíza para que, segundo ela, não haja retaliação.
 
No casamento comunitário de março, duas mulheres celebraram a união no Fórum de Livramento: Mariana da Silva Maciel, 28, e Daniela dos Santos Rodrigues, 24, que assumiu o sobrenome Maciel. Mariana foi “prenda” (par do peão) por dez anos em um CTG, mas desde que passou a frequentá-lo com a companheira desistiu da participação. “Começaram a olhar torto. Adoro o CTG, mas deixei de ir”, conta.
 
Um comunicado oficial assinado pelo presidente do MTG, Manoelito Savaris, diz: “Oriento a que todos os tradicionalistas (…) que no interior dos galpões e nos ambientes em que se realizam as atividades tradicionalistas, cada um procure se portar segundo o seu gênero, ou seja, os homens tenham posturas masculinas e as mulheres, posturas do sexo feminino, tudo segundo a tradição”.